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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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EVOCAÇÃO HISTÓRICA DE FRANSCISCO RODRIGUES LOBO

Estátua de Francisco Rodrigues Lobo, em bronze, da autoria do escultor Joaquim Correia (em Leiria)

 

Nesta constante evocação histórica da dramaturgia portuguesa, será hoje oportuno referir a obra de Francisco Rodrigues Lobo, nascido em 1580 e falecido em 1622, o que de certo modo justifica esta citação tendo, entretanto, em vista a relevância e qualidade da sua aliás breve intervenção criacional no teatro.

 

São poucas peças, como veremos a seguir, mas são em si mesmas assinaláveis na qualidade. Merece, pois, esta referência, breve que seja, como aliás é breve e curta a sua produção teatral. Mas mesmo assim, a citação é adequada pois a verdade é que, numa obra breve como a que aqui hoje referimos, a qualidade acaba por se destacar… E no entanto, insista-se, a dramaturgia de Francisco Rodrigues Lobo deve ser evocada. E isto, não obstante a escassez de títulos por ele criados e ainda a circunstancia, aliás muito própria da época da influência marcante da cultura castelhana, mais significa neste caso específico, independentemente da dimensão reduzida da obra teatral em si.

 

Pois importa então ter presente que o teatro de Francisco Rodrigues Lobo merece referência, independentemente da expansão reduzida e da própria qualidade das peças em si e, no entanto, desde logo se diga que essas peças são poucas.

 

Em rigor chegaram até nós escassas peças de Francisco Rodrigues Lobo, ainda por cima adaptadas ou reescritas. E mais: por razões históricas, o recurso ao idioma castelhano era corrente.

 

Rodrigues Lobo é autor, designadamente, de uma peça em castelhano, o “Auto del Nascimento de Cristo y Edito del Emperador Augusto César” publicado em 1676. No mesmo ano, publica também uma peça escrita em português: “Entremez do Poeta”. E é de assinalar então que esta peça, retintamente gongórica, assinala curiosamente uma espécie de reação ao domínio cultural (e não só) castelhano.

 

E tal como escrevi na “História do Teatro Português”, é de assinalar que, não obstante a qualidade dos textos, na peça redigida em português é certa a troça bem vicentina do poeta, o qual, expressamente gongórico, revela um sentido de reação ao domínio cultural e político espanhol.
E nesse aspeto, assinala-se então a referência feita por Luiz Francisco Rebello ao chamado Pátio do Borratem ou da Mouraria.

 

Esclarece que é “aquele de que há mais remota notícia, pois que já funcionava em 1588, ano em que Filipe II conferiu ao Hospital de Todos os Santos o privilégio de concessão de licença prévia para representação de comédias mediante a recolha de uma parte das respetivas receitas. Assim se procurava atenuar os «malefícios» que de tais representações advinham para as almas cristãs”.

E cita a iniciativa de Fernão Dias de Latorre, que criou o então relevante Pátio das Arcas!

  

Duarte Ivo Cruz