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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO

OBRA BREVE
POESIA REUNIDA
prefácio Eduardo Lourenço
Assírio & Alvim

 

De novo com Fiama vou colhendo muito do que colho.

Ela permite-me a lancha a contornar mar pela passagem interior das descobertas, e lá oiço tudo, até as aves.

A verdade é que sempre que leio Fiama Hasse sinto que recebo um legado ao deciframento e lá vou sabendo que cada ser pode ter o tempo da História.

Todavia, este sentir, não apressa os poemas que releio, ou não soubesse o quanto eles me fugiram anteriormente, e eu na lancha, já só escrevia o passado na mesma situação de mim mesma, exatamente no mesmo então.

Desta feita a minha romagem visa a descrição posterior da viagem da leitura.

Espreitam-me os peixes de oiro, é certo, e todos qual completa biografia no olhar, desde a partida da linguagem, à escrita da existência.

Na água, sobretudo, está presente o que não amaina entre a celebração e o celebrado: as palavras sagradas não são de ninguém. Conclui-se.

Hoje escolhi procurar mais os arbustos da poesia de Fiama, do que as arvores, numa consciência oficinal de que os recantos da casa dos poemas se encontram por ali.

Para tanto, tracei um sulco na leitura que abraça – obsessiva - a sugestão deste livro, e, eis que ele não se mostra pós-viagem, antes se dispõe sempre à proximidade de uma origem, bem conhecendo o quanto o vento e o tempo, ambos podem servir de alimento.

 

Teresa Bracinha Vieira