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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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FOLHETIM :: UM ESTRANHO ENIGMA

 

 

 

O Centro Nacional de Cultura propõe-lhe o folhetim de Verão «Um Estranho Enigma…»

 

Semanalmente, às sextas-feiras, entre 1 de julho e 2 de setembro, será publicado no blogue e no facebook do CNC um capítulo de uma história contada a dez mãos por escritores de língua portuguesa cuja identidade desconhecem entre si e que o leitor também não vai conhecer.

 

Aceitaram participar neste “cadavre exquis” os escritores Afonso Cruz, Ana Margarida Carvalho, António Carlos Cortez, Djaimilia Pereira de Almeida, José Jorge Letria, Luísa Costa Gomes, Manuel Alberto Valente, Maria do Rosário Pedreira, Nuno Júdice e Patrícia Portela.

 

Textos ilustrados por Nuno Saraiva.

É proibida a reprodução das ilustrações sem autorização expressa. Direitos reservados!

 

Boa leitura!

 

Capítulo I
Saltou de leve e rolou sobre o ombro para absorver momento. Duas rodas, aumento da passada, balanço, corrida e subida da parede até onde dizia Luana I love you: Jaime pôs a sola do ténis em cheio no coração. Quando aterrou, puxando o cós das calças e ajustando os fundilhos, estava um homem.
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Capítulo II
Jaime pisou sangue, as solas ficaram molhadas de morte, continuou a avançar. A morena igual às outras, que o levara misteriosamente até ali, estava à sua frente, a cara aberta num sorriso celestial, como se o universo fosse uma grande piada cujo final ainda está para soltar um Big Bang, ...
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Capítulo III
Jaime ignorava que ainda tinha aqueles olhos pregados nas costas da sua camisola de alças (na qual estava escrito Light My Fire sob o rosto eternamente jovem de Jim Morrison) quando dobrou a esquina e, com uma ligeira pressão do pé esquerdo, elevou o patim no ar antes de o encaixar debaixo do...
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Capítulo IV

 - Como poderia ser, pensou Jaime, tinha-a visto morta e estava ali, viva da costa, com os olhos fixos nele, e ele a sentir-se já culpado da sua ressurreição? E lembrou-se de que a morena lhe falara da irmã gémea, tal qual como ela, a não ser um sinal a meio da coxa grossa, e ele agora perplexo.
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Capítulo V

E nisto Jaime nauseado, não era a primeira vez que lhe dava, em situações de pânico, uns ameaços de vómitos que nunca se decidiam, ficavam ali a atormentá-lo, a embrulhar-lhe o estômago, curioso, pensava, ele que dava piruetas, fazia rodopios, saltava à altura de parapeitos sem vertigens...
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Capítulo VI

Ainda eram nove horas da manhã quando Mamã Rosa lhe bateu à porta do quarto.
- Levanta-te já, Jaime, estão lá fora à tua procura. Num primeiro momento, não percebeu se estava a sonhar ou acordado. Não eram horas de tirar da cama um cidadão desprevenido e não acreditava que qualquer dos manos o viesse importunar a uma hora tão imprópria.

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Capítulo VII

Olhando para Palmira, estremunhado, e vendo-se calçado, passou-lhe pela ideia o que fizera na véspera, não sabendo já se o sonhara se o vivera de facto. Vendo-se descalço, pouco lhe tinha restado senão desencantar um sapato em algum lado, circunstância improvável, ...

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Um_estranho_08.jpg

Capítulo VIII

Recapitulemos: Duas morenas, gémeas, um jovem de skate, seu nome: Jaime. Não se lhe sabe o apelido. É um Jaime. Qualquer um. Pobre. Vive num Bairro – no Bairro, lugar indemonstrável, impraticável. Que Bairro? No meio disto tudo, personagens: ...                  

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Capítulo IX

Jaime nunca gostara de ser interrogado, encostado à parede. Mentir era uma forma de fuga, de meticulosa evasão usando as palavras como mola capaz de o projetar para além da nuvem densa da mais profunda suspeita. Sabiam sempre mais sobre ele do que seria capaz de imaginar.
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Capítulo X
Jaime pisara sangue mas era o sangue inventado que corre nas bermas dos filmes menores em que a vítima é muito mais quem mata do que quem morre que lhe acenava com possíveis finais felizes para este capítulo da sua vida. 
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