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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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HERMANN HESSE - AGUARELA

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Diz-se que os alemães quando querem dizer que algo perdeu o valor, eles comparam essa realidade com um vaso de flores. O Jornal Die Zeit declarou, em 1962, que a obra do escritor Hermann Hesse não servia nem para ganhar um vaso de flores. Hesse havia acabado de falecer na sequência de um forte derrame cerebral em 1962. O Jornal não podia estar mais errado. Cinquenta anos depois, Hesse está presente em todo o mundo, a sua obra foi traduzida para mais de 60 línguas.

Em Portugal a primeira tradução é de Ele e o Outro (Klein und Wagner),tradução esmeradíssima de Manuela de Sousa Marques em 1952 pela Guimarães editores.

Nobel de Literatura, Hermann Hesse é um dos mais importantes escritores alemães do século XX cuja mística ainda hoje é presente. Tem sido igualado a contemporâneos ilustres como Thomas Mann e Franz Kafka.

Hesse rompe com a família e emigra para a Suíça em 1912 onde trabalha como livreiro e operário. Adquire a nacionalidade suíça em 1923. Decide depois ir viver para a Índia e conhece o budismo, que adoptaria para o resto da vida.

“Solidão é independência e com ela eu sempre sonhara” regista na sua famosa obra “O Lobo da Estepe”. Escritor amado e subestimado, pouco conhecido como pintor, contudo, nos 50 anos da sua morte, o museu de belas artes de Berna apresentou os seus quadros na bela exposição " Voando sobre as fronteiras”.

Como poeta de grande e lucida doçura encontramos a parte mais tradicional de sua obra numa lírica hessiana eco do romantismo de meados do século anterior a ele. Hermann Hesse considerava-se antes de tudo um poeta. Ele mesmo, na idade de 14 anos, disse: “Serei poeta ou nada.” E completou, na velhice: “Escrevo romances e contos por ocasião; poeta sou, por vocação.”

Ramo em Flor

Para cá e para lá
sempre se inclina ao vento o ramo em flor,
para cima e para baixo
sempre meu coração vai feito uma criança
entre claros e nebulosos dias,
entre ambições e renúncias.
Até que as flores se espalham
e o ramo se enche de frutos,
até que o coração farto de infância
alcança a paz

Mas hoje sugiro "Knulp", uma ponte para fora de si pois que dentro e bem fundo do inacessível âmago. Trata-se de uma novela formada por 3 contos. O personagem é o mesmo nos três contos ainda que cada narrativa possa ser lida como texto independente, com vida própria. Karl Knulp, vive intensamente a sua transição para uma vida adulta. Como poeta popular vive à margem da chamada «vida normal», procurando nos afectos da sua existência o sentido deles próprios, aproximando-se assim do mais essencial da natureza intima. Curiosamente esta percepção fá-lo revisitar o passado, aquele que podia ter feito de si alguém completamente diferente.

- E está tudo bem? Está tudo como devia?- inquiriu a voz de Deus.

- Sim – concordou -, tudo está como devia.

A voz de Deus tornou-se mais ténue e não tardou a soar como a da sua mãe (…) sentia o peso da neve sobre as mãos e quis libertá-las, mas a vontade de adormecer tornara-se nele maior do que qualquer outra.


Anteriormente Knulp permanecera em contínua peregrinação errante em redor da sua terra natal.

 

Teresa Bracinha Vieira
Outubro 2015

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