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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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LONDON LETTERS

A debt-free party, 2014

Um partido de contas certas! Eis a mais recente inovação politológica destas ilhas que ergueram a democracia de Westminster. A notícia é fascinante a muitos títulos, talvez até a prenunciar uma nova dimensão na análise de tais objetos políticos. Pagar a quem devemos uma qualquer prestação de serviços é algo que nem o mais duro analista ou descolorido opositor se oporá. Assim, depois das tipologias de quadros ou de massas, sempre com organização de cartel, há agora na taxinomia estasiológica o debt-free party. Pourquoi pas?! Ce candidat promettra plus de beurre que de pain! O Conservative Party é.um partido livre de dívidas, ou assim é anunciado, pela primeira vez na sua história moderna, com faturas liquidadas na casa dos £17 million consumidos pela locomotiva vitoriosa das últimas general elections. Well, we all know some school-boy’s trick! Porém, as sondagens eleitorais revelam rugas nos gladiadores a um mês de votos local e europeu.

No debate sobre o melhor governo para a Persia, argumenta Herodotus pelas vozes de Otanes, Megabizo e Darius que o poder conduz a extremos e por isso devem os responsáveis responder pelos seus atos perante o povo. Já Hesiod em Works and days exige aos reis absterem-se da arbitrariedade com a mais poética das razões sobre a ordem natural na república. —"Júpiter quis que os peixes, os pássaros e todos os animais se devorem uns aos outros, mas aos Homens doou a justiça". A dizer das eras, em atual cursus honorum no governo das gentes, aconselhariam os líderes que bom mesmo é aplicarem o tesouro comum nos compromissos modelados como dívida. Esta, porque uns quantos lhes forneceram bens e serviços úteis na escalada; aqueloutro, pois a ele têm assim acesso e administram. Para aparelhos de conquista, defesa e perpetuação do poder, em tese, a categoria do debt-free party contém potencialidades analíticas. Denota também o quanto hoje o cifrão mescla o pensamento político, precisamente quando, fora de Whitehall, o UKIP atrai em todos em quadrantes e assombra as perspetivas de centrais MPs em áreas fustigadas pelo parte-e-reparte da austeridade via tax design: mais para os mais ricos e menos para os mais pobres.

Porque férrea power law impõe que a relação funcional entre duas grandezas varia a quantidade de uma segundo o poder da outra, a paisagem político-partidária está a mudar em vésperas de eleições e referendos. A cornucópia de boas novas no campo económico não cessa, por exemplo, em plena aposta política do governo liderado por Mr David Cameron de instilar otimismo nas mentes do investidor/eleitor. Assim: A cause celebre recebe aprovação final em Westminster, com moção Tory apoiada pelo Labour. Entre London e Birmingham circulará comboio de alta velocidade: o HS2, projeto cuja fatura ascende a £50 billion. No entretanto, mais de um milhão de pessoas laboram com zero hours contracts. São 5% dos ativos com preço em média horária de 8£83p, aos trabalhadores apenas sendo colocada uma exigência: ter disponibilidade para atender o telefone a qualquer hora e estar no local de trabalho então indicado, em 30 minutos, para desenvolver uma tarefa em modalidade go-for. Admirável antigo mundo novo, não?!

As sondagens de agências independentes mostram o quão veloz e feroz vai o inequality moment. Mas o sistema do mais forte tem riscos. Mrs Ann Maguire perde a vida em plena sala de aula, esfaqueada por um animal selvagem sem quê ou para quê. A qualidade pedagógica da professora é testemunhada pelas várias gerações que inspirou e em Leeds colocam singelo tapete de flores nos portões e muros da escola onde tragicamente lhe tiraram agora a vida a semanas da reforma. — Probably the snake is no more out doors!

 

St James, 30th April

 

Very sincerely yours, 

 

V

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