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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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LONDON LETTERS

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A Greek mood, 2015

É um olímpico quadro do romance de Kazantzakis fixo no celuloide. A película data de 1964, tem notas de Theodorakis e é a preto e branco. Alan Bates, o escritor de imaculado fato branco, dirige-se ao desalinhado Anthony Quinn. Will you teach me to dance?, pergunta Basil a Zorba.

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Em linha, em círculo, mãos no ombro do outro, um passo em pendor lento, um loop em ritmo vivo… — Chérie! Savoir vivre est vivre avec son époque. Entre as atuais eurolideranças, quem e quantos provaram a alegria do sirtáki ou o acre do ouzo no azul iónico? E sorri?! Talvez Athens entre em default, com um governo esquerdista que quer novo acordo para as dívidas soberanas, mas a magia helénica retornou no domingo mesmo se por um eterno instante. O voto grego recusa a infrutífera austeridade e clama contra o politics as usual. — Hmm, fingers crossed and head in place. Greece tem o seu novo Alexis como TRH PM Tsipras e a European Union ganha dor de cabeça a par de fresca liquidez do ECBank. O Chancellor George Osborne diz em Davos que a Eurozone “must be a job-creating union.” No continente, há 70 anos atrás, soldados russos libertam Auschwitz e revelam o inimaginável.

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Very cold and hectic days por cá. Ainda assim, a suavizar o reavivar das sombrias memórias do ghetto-camp onde os nazis assassinaram mais de um milhão de judeus, e afins, entre 1942 e 45, em nome da Final solution. Sobre o que se passava além dos portões com famosa ode ao labor (Arbeit macht frei), recordo o olhar de uma das sobreviventes quando encontra os olhos dos que a salvam. Para a nossa posteridade escreve Madam Charlotte Delbo: “They expected the worst, not the unthinkable." Uma década depois, em 1955, na sua swan song na House of Commons, Sir Winston Churchill sintetiza as lições de longa vida e da atroz darkness da II World War. Para o Holocaust remembered e o futuro travar “lunatics or dictators in the mood of Hitler,” uma ideia: “Never despair.”

As baixas temperaturas contrastam com febris esquadrões políticos a invadir todos os espaços. Nota a valorizar é o envolvimento de muita gente jovem no desporto sazonal da caça ao eleitor. A exatos 100 dias do sufrágio nacional para os greenbenches das Houses of Westminster, Tories e Labour cavam trincheiras em torno das carteiras e da saúde. A denotar os high spirits, o Premier é alvo de deliciosa partida realizada por uma empreendedora rádio local. Não com o som de suposto William Hague MP a saudar o recém Mr Tony Blair no No. 10 ou do Canadian PM em ensaio para dialogar com The Queen, mas de novo o gotcha PM toca nas hertzianas: Rt Hon. Dave William Donald comparece a conferência telefónica com um chefe dos espiões. 

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A abertura à criatividade encontra ainda outras expressões domésticas. A BBC2 apresenta um notável Wolf Hall, de Mr Peter Kosminsky. O drama marca já as cineconversas a par de Downton Abbey ou Call The Midwife, com soberbo cast pontuado por Mark Rylance (no papel de Thomas Cromwell), Damian Lewis (como Henry VIII), Claire Foy (Anne Boleyn) e Jonathan Pryce (o atribulado Cardinal Wolsey do primeiro episódio). Filmado no Kent, na esteira dos livros de Ms Hilary Mantel sobre os Tudor e o cisma com Rome (Wolf Hall e Bring Up the Bodies), o script de Mr Peter Straughan é  luminosamente sombrio. A Church of England que aqui nasce acaba de consagrar primeva mulher na prelatura: Rev Libby Lane é Bishop of Stockport. A evolução do sexismo observa-se na série, desde que boa opção ao divórcio real é cortar a cabeça à rainha. — Have you ever observed that when a man gets a son he takes all the credit, and when he gets a daughter he blames his wife?

 

St James, 27th January

Very sincerely yours,

V.

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