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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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LONDON LETTERS

Shakespeare as you like, 1616-2016

Quatrocentos anos serão uma eternidade na alma do homem, mas infinitas são as palavras que inventam a sensibilidade ocidental. Master William Shakespeare morre a 23 April 1616. Lega 38 peças e 154 sonetos, mais duas narrativas e uns quantos versos de uncertain authorship. Espetáculos de teatro, música, dança, entrevistas, livros e até poemas a pedido celebram a data.

Quem ama o inspirado universo do Bard of Avon sorri, apesar do excessivo branding dos tempos. — Chérie! Il ne faut pas juger du sac sur I'etiquette. O US President Barack Obama realiza a última visita oficial ao UK. Almoça com The Queen no Windsor Castle, reúne com o PM no N10, engarrafa o trânsito em Westminster District e advoga voto Bremain em Chicago style. As suas palestras atiçam o fogo da controvérsia. — Hmm! Shall I compare thee to the sounds of the Philadelphia‘s Liberty Bell? O Thames e St James acolhem a London Marathon da primavera com an supportive, colourful and noisy crowd. A crise dos migrantes ecoa na ementa dos líderes do G5 (US, UK, Germany, France & Italy) reunidos em Hannover, para ultimar a Transatlantic Trade and Investment Partnership. Com Mrs Hillary Clinton a solidificar posições entre os democratas, os rivais republicanos Ted Cruz e John Kasich coligam-se para travar o frontrunner Mr Donald Trump na USA Presidencial Race. Dois pássaros raros partem: Prince ‘The Purple Rain,’ aos 57 anos, e Billy ‘Me and Mrs Jones’ Paul, aos 81. Um ano após o terramoto que abala as montanhas do Tibet, o Nepal permanece terra devastada e esquecida.


The Queen and Her People (© Courtesy BBC).

Blue sunny skyes, white cold clouds and a fantastic merry atmosphere em Central London. Sabem os Londoners que os festejos da Queen at 90 abrem com a gun salute na Bridge Tower e só descem o pano com o Summer Official Anniversary, desta feita escoltados com a fanfarra partidária das May Elections e do June EU Referendum. Modestamente faço votos para que Her Majesty sele o ano com a Derby Winner. April é momento alto do calendário local também pelo 400th Shakespeare. Comemoro a travessia do bardo nas estrelas com a esplêndida A Play for the Heart: The Death of Shakespeare, de Nick Warburton (Tinniswood Award, em 2005). A peça foca os dias do fim do Good Old Master Will e passa-se na Mary Arden's Farm, o berço de Stratford-upon-Avon. O guião é simples: Um febril escritor entretece os últimos momentos em família com personagens da vida real e imaginária. O resultado é fantástico, pelas setas de pura emoção. Parcela do caleidoscópico BBC Shakespeare Festival 2016, o espetáculo tem direcção segura de Mrs Marion Nancarrow e é protagonizada por Mr Robert Lindsay e Mrs Susan Jameson ‒ um intenso William e a doce esposa Ann Hathaway, cruzando-se com impecáveis Oliver Chris (como John Fletcher) e Gwilym Lee (William Harvey) a par de Nicola Ferguson (a filha Susanna Hall), Nick Underwood (o genro John Hall), Sam Brough (um dos gémeos, Hamnet), James Lailey (Unnamed gentleman) e Brian Protheroe (The Voice). Afinal, quem é the man with bloody hands?


Master William Shakespeare ou a imagética filigrana de ideias e de palavras (© Courtesy BBC).

RH Theresa May entra na campanha referendária após o President Barack Obama voar sobre o Atlantic Ocean para intervir a favor da permanência do UK na European Union e em vésperas de Madame Marine Le Pen atravessar The Channel para cá defender exatamente o contrário. As fronteiras dos interesses estão a jogo, pois. Não admira que as sondagens apontem um voto still in the air. A semana é do tipo The Sound and The Fury, com Mr William Faulkner como comandante do Air Force One. Como recordarão, a estória decorre no Mississippi e centra-se nos Compson ‒ família aristocrática sulista a braços com a dissolução dos laços e da reputação. Tudo agora gira em torno de providencial visita do Mr President. Que diz, na essência, o senhor de Washington? Que o British People vote Remain e saiba que, caso contrário, irá “at the back of the queue” quando quiser renegociar um acordo comercial com os USA.

Mais, além da prometida década perdida e do you just can’t: Que os jovens recusem “the isolationism, pessimism and cynicism.” Ainda: Que “love the guy, Winston Churchill,” cujo busto no first day do mandato retira do Oval Office para o 2nd Floor da White House. Os comentários vacilam: A threat! A friend advice? Acrescem dúbias notas sobre o Great Glorious Empire, a “Kenyan ancestry” e “two lame ducks indulging in a final quack!” Ora, com os Junior Doctors em greve por estes dias e a endividada cadeia de moda BHS com “11,000 jobs at risk” na montra da High Street, explorando a divisão entre os inflamados Tories, já o inefável Shadow Chancellor RH John McDonnell verseja sobre a queda do governo… nas ruas. No mais do impreciso sufrágio de 23rd June: Only 58 days to go…

O melhor da semana, porém, vem do RH Jeremy ‘Mr Nice’ Corbyn na House of Commons. Durante o tributo a The Queen@90, distanciando-se da penosa rudeza inicial para com o trono, o republicano dos quatro costados delicia as galerias com o público elogio pelo seu “clear sense of public duty” e ainda a referência de preferir líderes provindos de "a finer vintage." Well! For all the ducks i' the river, between to quack or not to quack, let us sing the Sonnet #24 of Master Will: Mine eye hath play'd the painter and hath stell'd / Thy beauty's form in table of my heart; / My body is the frame wherein 'tis held, / And perspective it is the painter's art.

St James, 25th April                    

Very sincerely yours,

V.