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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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LONDON LETTERS

 

The party conferences’ season, 2017

 

Com locais de reunião inverosímeis no reino, eis que chega a estação das conferências partidárias. É fruta da época. Os conservadores concentram-se em Red Manchester com o chapéu da PM RH Theresa May MP no topo da agenda. Os trabalhistas convivem em Brighton cantando Oh Jeremy!

Os Lib-Dems consagram a liderança de Sir Vince Cable em Bournemouth. E os ukipper's adotam de assentada, em Torquay, um novo dirigente e um leão como logotipo. — Chérie! C'est au pied du mur qu'on voit le maçon. O programa das obras de conservação do Big Ben e da Elizabethan Tower duplica de preço. Estimado em £29m na primavera de 2016, “including VAT, Risk and Optimism Bias and transferred fire safety work costs,” o valor total do projeto envolvendo a Tower, o Great Clock e o Great Bell sobe para £61m. — Well. With that Victorian masterpiece, we have to watch them. Catalonia redige declaração da independência. OS US vibram com a devastação em Puerto Rico e massacre em Las Vegas. Na Australia, Mr Elon Musk revela o plano da SpaceX para povoar o planeta Mars. 

Autumn days at Great London. Westminster District desertifica-se por momentos dos honoráveis talking animals. Por curioso alinhamento astral, os principais clãs partidários rumam para a costa que tanto inspirou os vitorianos a par da flora e da fauna. Desses tempos da revolução industrial perduram palavras e imagens, casas e paisagens, artes e ideologias. Temo que a hodierna safra à beira mar não se lhes equipare na técnica de pastorear as gentes. É que, na bissetriz, ainda que também visem apelar à emoção das audiências, again and again, is all about Brexit. Mas observe-se a beleza desta tela de Mr Briton Rivière (1840-1920). A dama é a sua daughter-in-law, Mrs Henrietta. O óleo está na Tate e é um todo um depoimento político. Contém uma estória, tem elegância  e mostra um ideal. Não de todo por acaso, o pintor de St Pancras afirmava-se "a great lover of dogs," notando algures que "you can never paint a dog unless you are fond of it.” Hoje, simplesmente, há mistério a menos.

 

Ora, com os megafones e as câmaras no rasto, os partidos reúnem os fiéis em grandes capelas desenhadas para uma sociedade espetáculo.  Só RH Jeremy B Corbyn prega durante 75 minutos. Enfim, no potpourri do Labour Party arvora-se a ideia da escola pública… from cradle to grave. Os Liberal Democrats cinzelam políticas para travar a desigualdade, enquanto o seu capitão afirma aos incrédulos que levará o partido “back to power.” No entretanto, porém, desbarata um dos seus. Os ukippers ganham um antigo Lib-Dem e ex soldado de Her Majesty para o leme, desta feita até com apoio de Mr Nigel Farage. O quarto líder da ala roxa no espaço de um ano é um ilustrissimo desconhecido chamado Henry Bolton. O senhor faz sintético discurso na coroação: hasteia o pendão da Brexit, “which is not the end of the history,” agradece aos team players e eleitores, mais em quem nele não vota. Por seu turno, os Tories arrancam a conferência anual com promessa juvenil de congelar as tuition fees e deles se saberá nos próximos dias. Por hoje, depois de uma ode ao capitalismo feita no Bank of England, basta parabenizar Mrs May pelo 60.º aniversário nas bandas de Manchester-by-sea.

 

Já o Spectator antecipa a saída de Mrs Emma Rice da direção artística do Shakespeare’s Globe. Nas usuais notas semanais, invocando a Thames breeze, Mr Charles Moore resume o desempenho: “The search for novelty in the arts, from which she benefited, is undoubtedly necessary, but it does often produce what Dr Johnson (speaking, in fact, of Cymbeline) called ‘unresisting imbecility’.” A opinião do biógrafo de Lady Thatcher será decerto fatal no palco elizabetheano. Ainda assim, após elencar erro após erro, celestial é a conclusão do grande Samuel Johnson sobre a peça do bardo: “To remark the folly of the fiction, the absurdity of the conduct, the confusion of the names, and manners of different times, and the impossibility of the events in any system of life, were to waste criticism (…), upon faults too evident for detection, and too gross for aggravation.” — Hum. What could then heavenly be said about this one of Master Will in Julius Caesar: — “It is not in the stars to hold our destiny."

 

St James, 2nd October 2017

Very sincerely yours,

V.

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