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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

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A new centrist party, wise birds & a little if, 2018

 

Os episódios assemelham-se a aventura digna da ilustre mente de Mr Sherlock Holmes. Organizadores anónimos de um novel partido centrista no reino, chame-se-lhe o £50m Party, buscam sigilosamente há já um ano um Monsieur Emmanuel Macron britânico para encantar os ilhéus em branda aventura política; a inquirição sobre a misteriosa tentativa de assassinato de um espião duplo em Wiltshire (England) progride com prodigioso milagre e teia de hipóteses na matriz do whodunit; mesmo as

2.jpglinhas telefónicas da LBC quebram nas conversas mais interessantes que voam no éter sobre a autoria do bárbaro ataque químico na cidade de Douma (Syria). Uff! Convenha-se que só o consulting detective de Sir Arthur Conan Doyle estará à altura de descodificar o puzzle deste mundo perigoso. — Chérie! Pierre qui roule n'amasse pas mousse. A guerra de palavras entre US e a Russia atinge grau ameaçador no UN Security Council. — Umm. We never know in these days. Após uma cirurgia aos 96 anos, o Duke of Edinburgh regressa a um Buckingham Palace atarefado com o casamento de Harry of Wales com Meghan Markle. Her Maj brilha na ITV. Em Ankara, Mr Recep Tayyip Erdogan adota o uniforme militar. Na Korean Peninsula é a pop-diplomacy, com o President Kim Jong Un a assistir a concerto do South em Pyongyang. Beijing impõe tarifas aduaneiras a importações americanas na ongoing trade war e Moscow retalia The West expulsando 150 diplomatas de 28 países. Mr Viktor Orbán triunfa em Hungary com terceira maioria eleitoral. Agudiza-se o diferendo legal entre Brussels e Warsaw.

 

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Light rain withint breezy weather at Central London. Com o Parliament in recess, eis doce pausa na série dos hectic days que pautam um ondulado Winter em St James. O tempo livre estimula o apetite cultural. É o guarda chuva para passeios em volta que afinal triunfa, em persistente peregrinação a Trafalgar Square para observar as coloridas gentes e o detalhe do Assyrian God que ali escolta a estátua de Lord Nelson depois do original ser reduzido a pó pelo Isis em Nineveh. Os palcos desajudam a ementa variada, quando os tambores de guerra rufam na paisagem global. O laureado Hamilton continua inacessível, agora com sete Olivier Awards alinhados na apinhada bilheteira do Victoria Palace. Os Macbeth encenados na pós Brexit Britain não atraem nas colunas dos dear critics cá de casa. No National do South Bank há espectáculo de “horror of violence,” segundo Mrs Ann Treneman; no Royal Shakespeare Theatre, aquém do privilégio de subir a Stratford-upon-Avon, o Times informa que só ali se vislumbra uma personagem entre fantasmas: Ms Niam Cusak, sereia na pele de uma Mrs M “urging her man to get a move on with the business of murder!” Admirável e a rever, sim, é o bem humorado garden tour de Sir David Attenborough na ITV ‒ “The Queen’s Green Planet.” Aos 91 anos, wise old birds, ambos são esplêndidas criaturas desta ever green Land. Pormenor floral é existir planta named in honour de Her Majesty: a fresca e exótica floribunda rose.

 

A saga do Brexit prossegue a pleno vapor, somando-se os sinais de give in nos setores relutantes. Game over! Or simply time for temporary truces? A Prime Minister viaja aos países nórdicos, com os eventos na Syriana a obscurecerem a agenda diplomática do No. 10. Não de todo, porém. A ala eurocética adverte em surdina que Downing Street negoceia acesso às águas territoriais junto das EU fishing nations, como “bargaining chip” no acordo comercial entre as duas uniões. Em Denmark e Sweden, deixa RH Theresa May uma mensagem clara mas para Damascus &co: “the [President Bashar al-Assad's] regime and its backers, including Russia, must be held to account.” Alinha-se com Washington e Paris. No reino, líquidos à parte, recorda-se a traumática aventura iraquiana em debate aceso sobre a legitimidade ocidental para hastear a bandeira dos direitos humanos. Se os meios militares preparam a próxima guerra no Middle East à distância do “little if” quanto aos resultados da UN na inquirição em Douma, a conversa na cidade circula ainda em torno de vaga de knife & gun night crime a par de curiosa notícia na honorável Press. Procura-se um neo Tony Blair a la mode Macron nas nações do UK e para tal sigilosa “network of entrepreneurs, philanthropists and donors” disponibiliza £50millions. A iniciativa indicia algo em Westminster: que os moderados estão para além do ponto de resistência no Corbyn Labour Party, tal qual os Tories eurófilos descrêm de útil aliança com os Liberal Democrats nas 2022 Elections. So, probably, a move for the birds!

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E… boas vindas à Delt∆Poll, a mais recente empresa britânica chegada ao mercado das sondagens. A estreia no local intelligence mining ocorre no Observer deste Sunday em torno de tema quente: a extensão com que o antisemitismo é percecionado ter penetrado nas fileiras do Labour Party. Whoop-de-doo. O objeto estatístico merece o título na versão autêntica de tão nuancé este é construído: “we investigated the extent to which anti-Semitism is perceived to have permeated Labour Party ranks.” Resulta que um em cada cinco trabalhistas admite a existência do problema e um em cada três está indeciso quanto à questão judaica que este weekend leva a novo e audível protesto, desta vez às portas do quartel general do RH Jeremy Corbyn. O dado a fixar a atenção na pesquisa não são percentis, antes o seu preâmbulo. “But let’s start with the polling truism that can never be mentioned enough: no matter how high-profile an issue might be in Westminster and in the media, no matter how profound the implications of it might be, sizable chunks of the British public will dutifully carry on largely unaware of it or not care about it,” anunciam os mineiros. Anda aqui agenda em indústria que vive maré baixa. A equipa da ∆ é experiente: Joe Twyman, ex YouGov’s head of political research, Martin Boon, vindo da ICM e Paul Flatters, outrora head of Political News research na BBC e sabido mareante de várias forecasting agencies. O trio é crítico do mundo que constrói: “Here’s a chance for pollsters to grasp the holy grail of accurately predicting seats from polling data allied to sophisticated modelling, and the race is on to perfect it.” Feliz peregrinação à Delt∆, pois, que do furor anti hebreu estamos avisados. — Umm. Well detect Master Will in Sonnet 149 that humanity has its dark sides: — “Who hateth thee that I do call my friend? (...) But, love, hate on, for now I know thy mind: Those that can see thou lov'st, and I am blind."

 

 

St James, 10th April 2018

Very sincerely yours,

V.

 

 

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