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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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LONDON LETTERS

 

Brave Lady Tessa, and The Constitutional Straits, 2018

 

No final, o que dá à vida significado é tanto o modo como é vivida como o modo como termina. / In the end, what gives a life meaning is not only how it is lived, but how it draws to a close. Estas palavras são da Baroness Jowell of Brixton no último discurso na House of Lords a 25 January, em debate sobre os tratamentos cancerígenos no National Helth Service.

A câmara alta levanta-se em longa ovação à sua “good reason for hope.” The RH Tessa Jowell parte este Saturday, aos 70, após difícil batalha contra um cancro no cérebro. — Chérie! À l'œuvre on reconnaît l'artisan. A Prime Minister Theresa May persiste na via da parceria euro aduaneira, quando o Duke of Wellington apaga a data da saída do reino da European Union nas emendas à Brexit Bill. O Mail escritura primeira página sobre os “traitors in ermine.”— Well. As one knows his saints, one honors them. O Head do MI5, Mr Andrew Parker, adverte em Berlin para os perigos de vulnerabilizar a parceria atlântica on common security. Dias depois de rasgar o acordo nuclear com o Iran, por videolink e não por twitter, o President Donald J Trump inaugura oficialmente a nova embaixada dos USA em Jerusalem. O Israel PM Benjamin Netanyahu declara o dia histórico, mas a violência irrompe na fronteira de Gaza. O French President Emmanuel Macron recebe o Charlemagne Prize em Aachen (Germany), pela ‘vision of a new Europe.” Italy tem novo governo, uma coligação dos populistas 5-Star e Liga.

 

Another sunny day at St James. O warm weekend traz notícias fortes. A Reverend Sarah Mullally é sagrada como 133rd Bishop of London em St Paul's Cathedral, tornando-se a primeira mulher a exercer o alto cargo anglicano na sequência de notável carreira como enfermeira no NHService. Outra grande senhora ocupa lugar na eternidade: Dame Tessa Jane Helen Douglas Jowell (1947-2018). Reconhecidamente a smart operator nos corredores de Westminster, uma Blairite plus de sorriso aberto nos Tony Cabinets, a admiração pela Secretary of Culture cresce nos dias do fim. Na agonia de operações cirúrgicas e sessões de rádio e quimioterapia, a MP por Dulwich & West Norwood luta por melhores condições dos pacientes de cancro. Ei-la nas Houses of Parliament e em Downing a corporizar the last cause. Emociona nos Lords ao defender a Eliminate Cancer Initiative, deveras fragilizada, embora com le savoir faire de quem cruza os rios partidários. Cita o amado poeta Mr Seamus Heaney: “Noli timere — do not be afraid. I am not afraid. I am fearful that this new and important approach may be put into the ‘too difficult’ box, but I also have such great hope.” Os Commons prestam, já hoje, uníssono tributo à ministra emblemática dos Blair Years, aquela que conforta as famílias das vítimas do terror no 7/7, uma a uma, e conquista os 2012 Olimpics para London. O Speaker John Bercow caracteriza-a como “the embodiment of empathy, a stellar, progressive change-maker, and a well of practical compassion without rival, (…) the best of us.”  A amiga Theresa May recorda-lhe a força de carácter, os contributos para o reino e ainda o humor: “For many years after London won that Olympic bid the screensaver on her phone was a photo of her and David Beckham after the announcement—hugging. As she said: “You can be a feminist but still be susceptible to a David Beckham moment.” O Labour Leader Jeremy Corbyn conclui que Baroness Jowell “taught us how to live, and I think she also taught us how to die.” Cumprindo o generoso legado político da Brave Lady, o HM Government anuncia financiamento anual de £40m para a investigação dos tumores craneanos; valor logo acrescentado com mais £25m doados pelo Cancer Research UK. ― Rest In Peace, Dear Tessa.


Britannia between Scylla and Charybdis, por James Gillray (1793).

 

Morrer com dignidade é o que os Brexiteers profetizam irá acontecer à opção primoministerial de a new customs partnership entre o United Kingdom e a Other Union. Apesar de derrotada no seio do May Cabinet, com o novel Home Secretary RH Sajid Javid a todos surpreender ao votar contra, a proposta permanece sobre a mesa do Number 10, justamente a par da alternativa max facilitation para lidar com a Irish border e dado o sombrio cenário criado pela série de 14 emendas (Yes, 14!) feitas na House of Lords à European Union (Withdrawal) Bill. Na Second Chamber, quando se estimava ter-se visto tudo na manutenção pelos Noble Lords do continental status quo, pasma o ataque frontal desencadeado por nenhum outro senão o 9th Duke of Wellington. Arthur Charles Valerian Wellesley, por cortesia Marquess of Douro e ex Tory Member do European Parliament por Surrey, Peer of The Realm por sucessão hereditária, avança com moção que deixaria em aberto a exata data do Leave. Para lá da borracha sobre o dito Independence Day, 19 March 2019, acentua-se a murmuração em Whitehall de frescas tentativas para algures prolongar o período de implementação já acordado nos tratos negociais com Brussels. Ora, face ao incerto state of play, como que a replicar, na contemporaneidade, os contornos oitocentistas de Mr James Gillray no clássico constitucional Britannia between Scylla & Charybdis ‒ Or: The Rock of Democracy vs The Whirlpool of Arbitrary Power, agudizam-se também as várias oposições à unelected chamber. Se a imprensa brexiteira retoma a deselegante retórica da high treason, Downing Street declara-se “disappointed by Lords votes on Brexit laws,” com a Right Honorable Theresa May MP a escrever no Sunday Times um cândido “trust me” relativo ao total respeito governamental pela vontade popular expressa no euroreferendo de 2016. A história observa os atores do tempo.

 

Sombras também sobre o Royal Wedding do Prince Harry of Wales e Meghan Markle a 19th May, embora com presumível inclinação da mitológica barca de Homer para conhecida margem dos Straits of Messina. O obscuro pai da noiva decide monetizar o evento junto dos paparazzi circles e consta por cá que, discretamente, com poder qb para tal, alguém nos palácios retalhou canónico convite para o Windsor Castle. A realíssima circumnavegação do mais jovem casal de infantes afigura-se aventurosa, pois. — Well. Let’s also get on with it. Even ours fabulous Master Will plainly makes out in The Merchant of Venice that there are some hazardous rocks along the odyssey of a common life: — “When I shun Scylla your father, I fall into Charybdis your mother.”

St James, 14th May 2018

Very sincerely yours,

V.

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