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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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LONDON LETTERS

 

Saving Penka, Trade Games, and… The Armageddon, 2018

 

O nome da vaquinha é mimoso. Já a denominação do mágico círculo de pensadores em Whitehall é simplesmente fantástica. Uma e outros enfrentam dificuldades com as fronteiras europeias. Penka arrisca sentença de morte, apesar de prenhe de três meses, por atravessar o seu pasto na Bulgaria para o verde da Serbia sem passaporte veterinário. Valha ao bovino a generosidade disponível para lhe pagar pela vida. Vacilante está também o destino do Inter-Ministerial Group on Preparedness. Reunido pelos Tories para operacionalizar a retirada do reino da European Union, descobre-se no Sunday Times que o grupo de senior civil servants antes se ocupa a desenhar uma tela para as cúpulas de Westminster: a Doomsday Brexit.

Nada menos! — Chérie! Les conseilleurs ne sont pas les payeurs. Não bastara os explosivos cenários para o dia 20 March 2019, eis que chega ao 10 Downing Street outro dossiê fracturante. a expansão do Heathrow Airport. Aqui e acolá, a Prime Minister Theresa May conta votos pelas bancadas parlamentares. — Hmm. Who controls the future? Saudando June e jet-ing around, o EU Chief Negotiator Monsieur Michel Barnier aterra em Hungary. Berlin desloca a atenção de Paris das reformas na Eurozone para planos militares. Spain diz adiós a Mariano Rajoy entre fumos de corrupção e eleva os socialistas do Señor Pedro Sánchez ao poder. Italy também tem novo governo, eurocético, com o Professor Giuseppe Conte na liderança da coligação 5Star + Liga. Washington antes reinventa a diplomacia ao declarar guerra comercial aos aliados, impondo taxas de 25% nas importações de aço e de 10% no alumínio. O Canada promete represálias “dollar for dollar” e a European Union retalia com altear das tarifas no “bourbon, peanut butter & Harley Davidson motorcycles”.

 


W
arm and somewhat rainy days at Central London. Ontem foi dia de um minuto de silêncio para recordar as vítimas dos atentados de há um ano, com o estado de alerta terrorista em nível crítico. Mas abrindo a melancolia da manhã com o Home Secretary RH Sajid Javid, as Sunday Politics acabaram dominadas por mais uma de muitas fugas de informação em Whitehall. A info passada ao Times trata da Brexit, para invariar, mas, para variar, espanta. Daí a necessidade de preâmbulo. Compreende-se o estado de espírito em volta. A luz apresenta-se laranja desde Trafalgar Square, tantas são as fantasias esfumadas ao longo da A3212 Road de um final de carreira em Brussels onde a máxima preocupação seria apurar qual a dimensão do iate para navegar pelas ilhas gregas. Os autores do relatório serão eventualmente os mesmos, ou próximos, daqueles que conceberam as teses da guerra e recessão com que o anterior Prime Minister David Cameron a todos flagelou nos últimos dias da campanha euroreferendária. A litania entrou na história política como… Project Fear. Depois deste original, que se supõe da autoria do ex Chanceler of The Exchequer, o ilustre George Osborne, houve incontáveis sequelas ‒ entre o declinar das reformas solarengas para os mais velhos e o fim das viagens pela cultura europeia para os mais jovens, vedados de aceder ao continente. Nenhuma pintura houve como esta agora, todavia, dada a desmesura dos espantalhos para assustar a passarada da Land. Por maior, também, porque colorida com tintas do Department for Exiting the European Union, que se esperaria a executar o que determina o nome, not missing the point, quando faltam 299 dias para a saída do reino do Clube dos 27.

 

O aranzel recebe os MPs em Westminster, após pausa de dez conspirativos dias e com o voto da EU Withdrawal Bill agendado para a semana na House of Commons. Impressiona. Afigura-se até inspirado no derradeiro livro do New Testament of the Bible e os seus Four Horsemen of the Apocalypse trazendo a pestilência, a guerra, a fome e a morte. Sublime cortesia dos senior civil servants que assistem o Secretary of State for Exiting nas sensíveis negociações bruxelenses, nenhum outro senão um dos Brexiteers mores, Rt Honourable David Michael Davis, eis uma fantasmagórica Doomsday Brexit pincelada numa única frase: acaso o United Kingdom saia da Other Union com um No-Deal, como nesta passada pode acontecer, e haverá escassez de medicamentos, combustíveis e alimentos; o porto de Dover colapsará em 24 horas e os ilhéus sofrerão em hospitais, tremerão de frio nas casas e deambularão famintos pelas cidades e campos; a inevitável luta que se seguirá é deixada à mente de cada qual. Sério que não é ficção do Times. O relatório do DExEU traça três cenários: “a mild one, a severe one and one dubbed Armageddon.” Na segunda janela futurista, “[t]he supermarkets in Cornwall and Scotland will run out of food within a couple of days, and hospitals will run out of medicines within two weeks, [… and] we would be running out of petrol as well.” Yowza! Isto é que é ter imaginação constitutiva. Garanto que, ao divisar o descritivo, tombei num clássico da BBC para ouvir saudoso Permanent Secretary: ‒ “How very courageous, Minister.”

 

É bom saber que nada como o funcionalismo de Whitehall no how to guide ministers to making the right decisions. Tal qual o acrónimo IMGP dos thinking heads, onde, convenhamos, o termo preparedness é o máximo face ao brexitar e se destina a impressionar os talking animals & others, semelhante argumentário apocalíptico faz juz à lógica imbatível de Sir Humphrey Appleby na defesa do status quo. Recordareis a gama no trabalhar da filigrana ética do eleito em Yes, Minister.

Deparasse RH Jim Hacker com etiqueta de “a brave decision” e desbarataria votos, ouvisse o governante ser a opção "courageous" e condenava-se a perder a eleição. Os cenaristas do DExEU têm futuro nas artes, embora distópicos. Dalém Atlantic vem interessante exemplo. Depois dos Obamas, Barack e Michelle, é agora o antigo US President Bill Clinton que explora novos rumos a partir da sua vivência política. O antigo inquilino de Pennsylvania Avenue é coautor com o bestselling novelist James Patterson de um Summer thriller intitulado The President is missing. Do livro nada escrevo, porquanto só hoje entra nas livrarias e dele só conheço a capa banal. Anoto, sim, que este peculiar dueto ajustou um acordo comercial com a Showtime, para a estória da White House passar ao celulóide. — Yay. But better keep in mind another fine advice of Master Will in Julius Caesar: — “There is a tide in the affairs of men, / Which, taken at the flood, leads on to fortune; / Omitted, all the voyage of their life / Is bound in shallows and in miseries. On such a full sea are we now afloat; And we must take the current when it serves.”

 

St James, 4th June 2018

Very sincerely yours,

V.

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