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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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LOPE DE VEGA

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«Lo que cuenta no es mañana, sino hoy. Hoy estamos aqui, mañana tal vez, nos hayamos marchado»

 

«Amada pastora minha,

Teus repentes me maltratam,

Os teus desdéns atormentam-me,

Teus desatinos me matam.

(…) Parti uma vez de ti

(…) ditoso o pastor que alcança

Tão prazenteiro fim de sua esperança!

De pano barato a sela

(…) no peito todas as cartas.»

 

A Assírio e Alvim em março de 2011 assume uma Antologia Poética de Lope de Vega, com uma tradução de José Bento, colocando-nos na mão a possibilidade de entendermos um dos melhores poetas barrocos da literatura espanhola. Nascido em 1562 em Madrid oriundo de família humilde, não lhe faltaram inimigos a acusá-lo de mentiras, nomeadamente sobre eventuais fidalguias a que se dava por familiar e mesmo colocando-se dúvidas sobre a autoria de certos romances. Cervantes, não obstante tê-lo incluído entre os grandes talentos de então, veio mais tarde a torná-lo alvo dos seus ataques. Em 1602 publica Lope de Veja um dos seus livros de poesia mais importantes - 200 sonetos incluem a primeira parte deste livro juntamente com o extenso poema La hermosura de Angélica - e expoente inequívoco do Barroco espanhol. A obra deste escritor pela sua extensão e variedade colocou-nos sempre perante a dificuldade de o conhecermos, desde logo pela falta de acesso a livros seus há muito não editados. Seguramente só um especialista deste lopista acede e rejeita invulgaridades das quais não somos conhecedores. Sabemos que Lope aprendeu muito com o teatro de Gil Vicente, e, também conhecemos esta vontade de expor a pujança e a ousadia de uma escrita que à data ultrapassava e muito o homem e o poeta que ousou ser.

 

Um instrumento, mesmo harmonioso,

em mãos distintas é muito dif´’rente;

a espada no cobarde ou no valente

tem um efeito assustado ou corajoso.

 

(…) pide segurida a la fe griega,

Consejo al loco (…)

Verdade al juego )…) e fruta al polo donde el sol no llega.

 

Vejo e sinto nas palavras de Lope de Veja um noturno filho da terra, mas fonte clara de muitas interrogações.

 

Teresa Bracinha Vieira

 

Obs: Entre muitíssimos livros sobre Lope, li apenas José Montesinos, Estúdios sobre Lope de Veja, Edições Anaya, Salamanca, 1967. Por entre edições modernas que foram recomendadas pela nossa Faculdade de Letras, recordo aqui uma edição de Macarena Gómez de 2008, Rimas humanas y divinas del licenciado Tomé de Burguillos.

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