Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

MEDITANDO E PENSANDO PORTUGAL

 

27. OPÇÃO ATLÂNTICA E EUROPEIA (II)


Autores há que apesar de aceitarem a opção europeia, a olham com reticências, reforçando a vertente atlântica.  

Falam em estar de novo à vista uma civilização predominantemente marítima, face a crescentes dificuldades de acesso a regiões terrestres detentoras de produtos estratégicos, como o petróleo, que obrigam a pensar em recorrer também ao mar. 

A propósito de tais dificuldades tem-se falado numa revolução estratégica dos Estados Unidos, na qual se englobaria, há anos, um pedido de um porto de abrigo em São Tomé e Príncipe para meios navais e aéreos. O que teria a ver com o valioso veio de petróleo da Nigéria até Angola, via São Tomé, Guiné Equatorial e Cabinda.

Falou-se ainda de uma nova era da NATO, tendo como objetivos, entre outros, constituir no Atlântico Sul uma alternativa petrolífera ao Médio Oriente para pôr, em especial a Europa, menos dependente dele. 

Propôs-se, também, uma eventual aceitação pelos EUA de uma parceria estratégica luso-brasileira no Atlântico Sul para preservar a CPLP da cobiça de potências europeias, como a França, com a sua política francófona de envolvimento no espaço da lusofonia, caso da Guiné-Bissau. Tais factos são tidos como razões que apontam para um reforço da vertente atlântica de Portugal.   

Outra diferença de peso político que é apontada a Portugal, para optar preferencialmente pelo Atlântico sem excluir a Europa, reside no facto de ter sido convidado como membro fundador da NATO, apesar de o seu regime, à data, não ser democrático, sendo então recusada qualquer hipótese de adesão da Espanha, não obstante o seu regime ser idêntico ao português.   

Ressalta, em qualquer situação, que sendo Portugal um país predominantemente atlântico, tem como desígnio estratégico prioritário trazer a lusofonia e a CPLP à Europa e trazer a Europa à lusofonia e à CPLP, rumo a um compromisso europeísta e atlântico global, dado que não se esgota nem completa apenas na continentalidade europeia nem na sua vertente atlântica e marítima. 

 

15.10.21
Joaquim Miguel de Morgado Patrício