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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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NOVA REFERÊNCIA AO TEATRO MODERNO DE LISBOA

 

Em tempos fizemos referências ao antigo Teatro Moderno de Lisboa (TML) que, de 1961 a 1965, funcionou no então muito relevante Cinema Império.


Desde logo há a assinalar que o TML fazia sessões conciliatórias, em termos de horário, com o Império, que mantinha, como era próprio da época, as primeiras matinées às 15h30 e as sessões noturnas às 21h30.


Achava-se então que o TML teria espetáculos e público às 18h30 e aos domingos às 11h: convenhamos que era no mínimo insólito, mesmo para uma camada de público teatral que, na época, correspondia a um meio sócio-cultural muito menor do que hoje, e com hábitos de espetáculo muito mais rotineiros do que hoje!...


E acresce que em tempos  já escrevemos, o TML  em 1963 obteve uma apoio específico da Fundação Calouste Gulbenkian, o que não prejudica em nada o mérito da iniciativa do grupo de artistas que o fundaram e conduziram: e nesse grupo se destacaram os grandes nomes de teatro como Carmen Dolores, Armando Cortez, Rogério Paulo ou Fernando Gusmão. Constituíam uma sociedade artística e conduziram, numa época difícil, o TMN com a qualidade que as respetivas carreiras amplamente exigiam e justificavam.


Tratou-se de uma forma inovadora, corajosa e insólita na época e de certo modo ainda hoje de produção cultural. E como então escrevemos, o mais relevante foi a qualidade dos espetáculos e algo inesperadamente o apoio que recebeu do público, principal sustento da atividade artística e de exploração do espetáculo e da criação teatral.


Sendo certo que o Cinema (então Cineteatro) Império sempre marcou pela qualidade dos programas: mas mesmo assim, fazer teatro todos os dias às 18-30h e aos domingos às 11h, se hoje não é fácil, na época era dificílimo!...


Ora bem: a peça de estreia do TML, “O Tinteiro” de Carlos Muñiz foi um sucesso e a peça merece-o pela qualidade do texto e, no caso, pela excelência da encenação/interpretação.


Na altura, assinalamos que Alfonso Sastre realça no texto “um certo expressionismo que significa uma correção crítica com relação ao expressionismo propriamente dito” (in “História del Teatro Español” ed.2003).


E estavam programadas peças de autores que cobriram com qualidade a história do teatro:  Shakespeare, Steinbeck, Fedeau, Strindberg, Adamov, Mihura, Luis Francisco Rebello, entre outros mais.


Porém, a peça de estreia foi retirada de cena pela censura teatral, que aliás a tinha aprovado! ...


E aí acabou o Teatro Moderno de Lisboa!

 

DUARTE IVO CRUZ

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