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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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O ENSINO DO TEATRO EM PORTUGAL 2 - A REFORMA DE JULIO DANTAS

 

Não posso deixar de referir o excelente conjunto de professores que marcaram a qualidade do ensino de teatro e o benefício que, pessoalmente, ao longo dos anos 60 do seculo passado, colhi sobretudo pela formação teórica e cultural praticada neste Conservatório.

Já referi aqui, reportando-me a 1836, a fundação da Escola por Garrett. O nome de Garrett, como o de José Domingos Bomtempo, desde início marcaram a qualidade e a fundamental ligação entre o ensino da musica e do teatro e a excelência do meio literário e artístico que, ao longo de seculos, tem caracterizado a Escola – o que nem sempre é reconhecido.

E no entanto, quando encontramos, a dirigir o Conservatório, nos anos 20/30, nomes como por exemplo Viana da Mota e Júlio Dantas, temos de reconhecer a importância e projeção da Escola, pese embora a controvérsia que sempre marcou a obra de Dantas, e o eco do formidável “Manifesto Anti-Dantas e por Extenso” que Almada publica em 1915: “uma geração que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um coio de indigentes”… e por aí fora!

Hoje, podemos avaliar com objetividade a figura e a obra de Júlio Dantas e ressaltar os aspetos qualitativos de parte das suas criações designadamente no domínio do teatro, que transcendem para melhor “A Ceia dos Cardiais” ou a “Soror Mariana” que Almada, veementemente e com razão, critica: refira-se, nesse registo positivo, por exemplo “A Severa” e outras.

E até podemos evocar o elogio ditirâmbico, no mínimo insolitamente exagerado que   Henrique Lopes de Mendonça publicará, no inicio dos anos 30, num opúsculo intitulado “Júlio Dantas -  Esboço de Perfil Literário”: “um mago das letras, o mais poderoso agente expansivo do génio português no mundo espiritual moderno”, nada menos…!

Repita-se: entre um e outro manifesto, a obra de Júlio Dantas oscila em graus opostos de qualidade e atualidade. O próprio Dantas apresenta ao Governo, também pelos anos 30, um extenso relatório, tal como noutro lado escrevi, plausivelmente “da mão dele, porque nota-se aquele domínio da língua, um bocado maneirista e um bocado ultrapassado, mas com enorme ginástica verbal”, e onde especifica o elenco de cadeiras ministradas na Secção de Teatro do Conservatório Nacional. E vale a pena referir também os professores:

Língua e Literatura Portuguesa – Alberto ferreira Vidal; Arte de Dizer – José Ferreira Moniz Alberto Ferreira Vidal; Filosofia Geral das Artes – Hipólito Raposo; Arte de Interpretar – Augusto de Melo; Arte de Representar – Lucília do Carmo e António Xavier; Estética Teatral – António Pinheiro; História das Literaturas Dramáticas – Júlio Dantas; Organização e Administração Teatral – Augusto de Castro; Ginástica Teatral – António Domingos Martins.

Há neste elenco grandes nomes da cena e da cultura teatral. O que seria o ensino, não poderemos saber em detalhe. Mas indiscutivelmente, regista-se uma evolução, desde as disciplinas da reforma de Garrett, um século antes, que no crónica anterior referi – Reta Pronuncia e Linguagem, Dança e Musica…

Vermos a seguir como era o ensino do teatro nos anos 50/60, quem o ministrava, como o fazia, e quem o frequentava.

 

DUARTE IVO CRUZ

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