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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

PORVENTURA VERSOS

3.

Porventura versos 3.JPG

 

Mas um dia senhor

Podeis vós crer

Que um cavaleiro

Que há muito fora trovador

 

Cantava agora na ponta da sua espada

As dores que por tantos lugares deixara

De vários e diferentes amores

 

E de tanto

Se doer e se amar amando

Foi ele um dia pedir a mão

Em pranto

 

De quem já lha não concedia

Nem ao céu

Pois era outro o tempo aquele que fora

E o que passara, o bastante

 

Tudo e de tudo se cuidou, descuidando

 

E a donzela casta de tão impura

Esperara mas não recusara

O matrimónio celebrado com a lua

 

Seta

Beijo

Abraço

Entrega

E nua em seu vestido

Branco

 

Teresa Bracinha Vieira

2015

 

4.

Porventura versos 4.JPG


E não morre amor que foi amor

E não é devido o prometido em chama

Pois não sabeis percorrer o caminho

Da promessa, senhor?

 

Aquele caminho que nos regressa

E nos esvai?

 

Então que sabeis do que não aconteceu

E ainda assim em vossas mãos regaço é?

 

E a morte ? A morte não tira a vida não

Digo-vos eu

A morte só fica com o que resta

Da vida que se deu doando e se deu doendo

E se ofereceu vivendo

 

Escutai que só o amor perdido é vivo

Só o amor de esperança é desejado

 

E muito, tanto, se afasta a luz

Quando é desabrida a caça

E quente o pranto

 

 

Teresa Bracinha Vieira

2015