Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

QUIM E MANECAS, SEMPRE…


TU CÁ TU LÁ

COM O PATRIMÓNIO


Diário de Agosto * Número 
6

 

Não discutiremos se Quim e Manecas são os mais antigos heróis da BD em Portugal. A sua longa vida demonstra-nos que desde 1915 a 1953 encontramo-los nas peripécias mais variadas – com especial referência para a Guerra de 14-18, na qual garbosamente participaram, tendo sido condecorados pelo significativo papel pedagógico e militar que desempenharam. Stuart de Carvalhais deixou a sua marca indelével na história da Banda Desenhada, já que não há outros casos semelhantes, de diversidade temática e de tão grande longevidade.  Tudo começou no “Século Cómico” e terminou no “Cavaleiro Andante” (1953) – mas não devemos esquecer a ligação à história global dos “Comics”, designadamente ao Yellow Baby de saudosa memória. Estamos a falar de pequenas pranchas, com episódios momentâneos do quotidiano, cheios de non-sense ou de inverosimilhança… Quim e Manecas são dois símbolos essenciais. Por isso mesmo lembramos o sentido poético, artístico, irónico destes heróis eternos… “Libardade” é a liberdade plena!

 

E assim hoje citamos o poeta António Barahona:

Em banda desenhada, tão depressa
treparam à colina onde corria
um bando de crianças à gandaia
em redor duma casa arruïnada,

tão depressa, em banda de surpresa,
que ganharam tal mêdo na subida
lentamente assombrados por medida
de Deus, que mede os sustos sem ter
                                              /pressa

Depressa, mais depressa: segredava
a rapariga atlética ao poeta
no balão da legenda: as crianças,
aos gritos, entretanto, param a corrida:

emudecem ao ver o som e as dansas
do casamento alquímico das sombras


(Respeitamos a ortografia do Autor)

In “Raspar no Fundo da Gaveta e Enfunar uma Gávea” (Averno, 2011).

 

Agostinho de Morais