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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

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A new centrist party, wise birds & a little if, 2018

 

Os episódios assemelham-se a aventura digna da ilustre mente de Mr Sherlock Holmes. Organizadores anónimos de um novel partido centrista no reino, chame-se-lhe o £50m Party, buscam sigilosamente há já um ano um Monsieur Emmanuel Macron britânico para encantar os ilhéus em branda aventura política; a inquirição sobre a misteriosa tentativa de assassinato de um espião duplo em Wiltshire (England) progride com prodigioso milagre e teia de hipóteses na matriz do whodunit; mesmo as

2.jpglinhas telefónicas da LBC quebram nas conversas mais interessantes que voam no éter sobre a autoria do bárbaro ataque químico na cidade de Douma (Syria). Uff! Convenha-se que só o consulting detective de Sir Arthur Conan Doyle estará à altura de descodificar o puzzle deste mundo perigoso. — Chérie! Pierre qui roule n'amasse pas mousse. A guerra de palavras entre US e a Russia atinge grau ameaçador no UN Security Council. — Umm. We never know in these days. Após uma cirurgia aos 96 anos, o Duke of Edinburgh regressa a um Buckingham Palace atarefado com o casamento de Harry of Wales com Meghan Markle. Her Maj brilha na ITV. Em Ankara, Mr Recep Tayyip Erdogan adota o uniforme militar. Na Korean Peninsula é a pop-diplomacy, com o President Kim Jong Un a assistir a concerto do South em Pyongyang. Beijing impõe tarifas aduaneiras a importações americanas na ongoing trade war e Moscow retalia The West expulsando 150 diplomatas de 28 países. Mr Viktor Orbán triunfa em Hungary com terceira maioria eleitoral. Agudiza-se o diferendo legal entre Brussels e Warsaw.

 

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Light rain withint breezy weather at Central London. Com o Parliament in recess, eis doce pausa na série dos hectic days que pautam um ondulado Winter em St James. O tempo livre estimula o apetite cultural. É o guarda chuva para passeios em volta que afinal triunfa, em persistente peregrinação a Trafalgar Square para observar as coloridas gentes e o detalhe do Assyrian God que ali escolta a estátua de Lord Nelson depois do original ser reduzido a pó pelo Isis em Nineveh. Os palcos desajudam a ementa variada, quando os tambores de guerra rufam na paisagem global. O laureado Hamilton continua inacessível, agora com sete Olivier Awards alinhados na apinhada bilheteira do Victoria Palace. Os Macbeth encenados na pós Brexit Britain não atraem nas colunas dos dear critics cá de casa. No National do South Bank há espectáculo de “horror of violence,” segundo Mrs Ann Treneman; no Royal Shakespeare Theatre, aquém do privilégio de subir a Stratford-upon-Avon, o Times informa que só ali se vislumbra uma personagem entre fantasmas: Ms Niam Cusak, sereia na pele de uma Mrs M “urging her man to get a move on with the business of murder!” Admirável e a rever, sim, é o bem humorado garden tour de Sir David Attenborough na ITV ‒ “The Queen’s Green Planet.” Aos 91 anos, wise old birds, ambos são esplêndidas criaturas desta ever green Land. Pormenor floral é existir planta named in honour de Her Majesty: a fresca e exótica floribunda rose.

 

A saga do Brexit prossegue a pleno vapor, somando-se os sinais de give in nos setores relutantes. Game over! Or simply time for temporary truces? A Prime Minister viaja aos países nórdicos, com os eventos na Syriana a obscurecerem a agenda diplomática do No. 10. Não de todo, porém. A ala eurocética adverte em surdina que Downing Street negoceia acesso às águas territoriais junto das EU fishing nations, como “bargaining chip” no acordo comercial entre as duas uniões. Em Denmark e Sweden, deixa RH Theresa May uma mensagem clara mas para Damascus &co: “the [President Bashar al-Assad's] regime and its backers, including Russia, must be held to account.” Alinha-se com Washington e Paris. No reino, líquidos à parte, recorda-se a traumática aventura iraquiana em debate aceso sobre a legitimidade ocidental para hastear a bandeira dos direitos humanos. Se os meios militares preparam a próxima guerra no Middle East à distância do “little if” quanto aos resultados da UN na inquirição em Douma, a conversa na cidade circula ainda em torno de vaga de knife & gun night crime a par de curiosa notícia na honorável Press. Procura-se um neo Tony Blair a la mode Macron nas nações do UK e para tal sigilosa “network of entrepreneurs, philanthropists and donors” disponibiliza £50millions. A iniciativa indicia algo em Westminster: que os moderados estão para além do ponto de resistência no Corbyn Labour Party, tal qual os Tories eurófilos descrêm de útil aliança com os Liberal Democrats nas 2022 Elections. So, probably, a move for the birds!

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E… boas vindas à Delt∆Poll, a mais recente empresa britânica chegada ao mercado das sondagens. A estreia no local intelligence mining ocorre no Observer deste Sunday em torno de tema quente: a extensão com que o antisemitismo é percecionado ter penetrado nas fileiras do Labour Party. Whoop-de-doo. O objeto estatístico merece o título na versão autêntica de tão nuancé este é construído: “we investigated the extent to which anti-Semitism is perceived to have permeated Labour Party ranks.” Resulta que um em cada cinco trabalhistas admite a existência do problema e um em cada três está indeciso quanto à questão judaica que este weekend leva a novo e audível protesto, desta vez às portas do quartel general do RH Jeremy Corbyn. O dado a fixar a atenção na pesquisa não são percentis, antes o seu preâmbulo. “But let’s start with the polling truism that can never be mentioned enough: no matter how high-profile an issue might be in Westminster and in the media, no matter how profound the implications of it might be, sizable chunks of the British public will dutifully carry on largely unaware of it or not care about it,” anunciam os mineiros. Anda aqui agenda em indústria que vive maré baixa. A equipa da ∆ é experiente: Joe Twyman, ex YouGov’s head of political research, Martin Boon, vindo da ICM e Paul Flatters, outrora head of Political News research na BBC e sabido mareante de várias forecasting agencies. O trio é crítico do mundo que constrói: “Here’s a chance for pollsters to grasp the holy grail of accurately predicting seats from polling data allied to sophisticated modelling, and the race is on to perfect it.” Feliz peregrinação à Delt∆, pois, que do furor anti hebreu estamos avisados. — Umm. Well detect Master Will in Sonnet 149 that humanity has its dark sides: — “Who hateth thee that I do call my friend? (...) But, love, hate on, for now I know thy mind: Those that can see thou lov'st, and I am blind."

 

 

St James, 10th April 2018

Very sincerely yours,

V.

 

 

LONDON LETTERS

 

The Salisbury Incident, Traitors and, A New Emperor, 2018

 

Um insólito evento médico em tarde domingueira numa pacata cidade de Wilshire suscita inquérito sobre eventual malfeitoria, O ato de rotina identifica sucessivas baixas.

Com um ex espião russo e a sua filha caem o polícia que os socorre mais 21 pessoas, todos entrados no hospital com sintomatologia de envenenamento por toxina letal. O caso torna-se numa mega investigação criminal conduzida pela National Counter Terrorism Policing Network, escalando com envolvimento militar na descontaminação do centro histórico. Uma semana depois, na House of Commons, a Prime Minister aponta responsabilidades ao Kremlin. — Chérie! À l'œuvre on reconnaît l'ouvrier. Westminster agita-se com alegações de débil etiqueta parlamentar. Entre os visados por “bullying” estão o próprio Speaker RH John Bercow e membros do gabinete do Labour Leader RH Jeremy Corbyn. — Oh-oh. A word once spoken is past recalling. Além mares, o US President Donald J Trump acede a encontro com Mr Kim Jong Un para negociar a desnuclearização da Korean Peninsula e isenta de tarifas aduaneiras “the friendly nations.” China denomina Mr Xi Jinping como novo imperador comunista. Russia vai a votos para a presidência. Os franceses debatem a liquidação do Parti Socialiste na Macronie. Aos 90, parte para a eternidade o gentil comediante Mr Ken Dodd.

Very better weather at Central London. Com o Springtime around the corner e os ilhéus especialmente ocupados a nutrir a passarada após a tempestade de neve, vivem-se cenas extraordinárias nas Houses of Parliament. O ensaiado homicídio do antigo coronel do KGB eclipsa quer a Brexit, quer temas quentes na esteira da visita do Crown Prince Mohammed bin Salman como a guerra no Yemen, o abuso dos direitos humanos e o alegado financiamento do extremismo pelos sauditas. Mesmo a murmuração em torno dos bully boys passa para segundo plano. As palavras hoje proferidas por Mrs Theresa May extravasam o Palace of Westminster: "This attempted murder using a weapons-grade nerve agent in a British town was not just a crime against the Skripals, but an indiscriminate and reckless act against the United Kingdom, putting the lives of innocent civilians at risk. We will not tolerate such a brazen attempt to murder innocent civilians on our soil.” Em tom thatcheriano e estilo que relembra abrasivo Lord Salisbury nos idos de 1890 face às pretensões africanas de Portugal, a Prime Minister faz um ultimato a Moscow para, em 24 horas, explicar como é que um gás produzido nos seus laboratórios estatais aparece no reino: “There are, therefore, only two plausible explanations for what happened in Salisbury on 4 March: either this was a direct act by the Russian state against our country; or the Russian Government lost control of their potentially catastrophically damaging nerve agent and allowed it to get into the hands of others.” Donde: “On Wednesday, we will consider in detail the response from the Russian state. Should there be no credible response, we will conclude that this action amounts to an unlawful use of force by the Russian state against the United Kingdom, and I will come back to this House to set out the full range of measures that we will take in response.”

 

O envenenamento do agente duplo em Wilshire compele interessantes comportamentos em volta. Há um exercício nacional de especulação em tríade tipológica whodunit, why him and why here, em cruzamento entre o arguto paroquialismo da Miss Marple e o hábil jogo de raposas de Mister George Smiley. “Based on the positive identification of this chemical agent by world-leading experts at the Defence Science and Technology Laboratory at Porton Down, our knowledge that Russia has previously produced this agent and would still be capable of doing so, Russia’s record of conducting state-sponsored assassinations and our assessment that Russia views some defectors as legitimate targets for assassinations, the Government have concluded that it is highly likely that Russia was responsible for the act against Sergei and Yulia Skripal,” declara a senhora do No. 10. O caso oficialmente classificado nas páginas do Hansard como “Salisbury Incident” parece mesmo saído dos clássicos mundos ficcionados de Dame Agatha Christie e de Mr John Le Carrè. Os ingredientes literários estão cá todos, desde a receita de subtil crime em paisagem bucólica cujo desnudamento revela fantasmas de um mundo de sombras até ao dilemático questionamento sobre o justo destino dos traidores – ainda que comprometidos pelo MI6 e em tempo oportuno colocados ao serviço de Her Majesty. À memória vem a série longa das estranhas mortes que ocorrem na rota britânica do Federal Security Service of the Russian Federation, a agência que sucede ao famigerado KGB no quartel general de Lubyanka Square.

 

Mas no mais sério incidente diplomático do pós Cold War há também audíveis vozes em Britain a sustentar conspiração ocidental para comprometer Mr Vladimir Putin em véspera de eleições de nula competitividade. Aqui os anais registam Mr Anthony Blunt, espião britânico que nos 50s trai a favor dos soviéticos em nome da ideologia: “Well, it’s given me great pleasure to pass on the names of every MI5 officer to the Russians!”

 

A testar as fronteiras morais no globo estão mais que mortíferas substâncias químicas concebidas nas provetas secretas. A usança do “state lab nerve gas” vai agora inflamar as tensões East-West. A Russian Federation nega tudo, of course. O prazo de London extingue-se dentro de momentos. Os Skripals lutam pela vida em câmaras de cuidados intensivos enquanto os demais recuperam. Com contornos que impõem o envolvimento da NATO na defesa de um dos seus membros, London examina já um leque de medidas retaliatórias que previsivelmente irão de novas sanções económicas e cativação de capitais à expulsão do embaixador até a potencial retirada simbólica do World Cup agendado para terras russa neste Summer. Downing Street promete resposta robusta, requerer o apoio ativo dos Allies e colocará o assunto no UN Security Council. Por apurar está, porém, a real mira nos alvejados Skripal e Salisbury.  — Yet. Even Master Will put the assassin agonizing over the temptation to kill King Duncan in Macbeth: — “If it were done when ’tis done, then ’twere well / It were done quickly: if the assassination / Could trammel up the consequence, and catch / With his surcease success; that but this blow / Might be the be-all and end-all here, / But here, upon this bank and shoal of time, / We’d jump the life to come. But in these cases / We still have judgment here; that we but teach / Bloody instructions, which, being taught, return / To plague the inventor: this even-handed justice / Commends the ingredients of our poison’d chalice / To our own lips...."

 

St James, 12th March 2018

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

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The Mansion House’s speech, 13 minutes, and a spy taken out, 2018

 

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Et voilà. O quarto grande discurso sobre a Brexit da Prime Minister RH Theresa Mary May transpira razoabilidade. Desce ao detalhe, estrutura ponte económica no English Channel e persiste no tom otimista quanto às futuras novas relações entre o UK e a European Union. A intervenção na Mansion House é bem acolhida dentro e fora de portas. — Chérie! Mieux vaut plier que rompre. O défice orçamental day-by-day extingue-se nas contas nacionais, após longos oito anos de políticas públicas com flutuante austeridade financeira. O momento é marcado pela troca de tweets celebratórios entre os exs PM David Cameron e Chancellor of The Exchequer George Osborne. — Oh well. My stars, my words, my deeds. Além Britain, um em cada três italianos vota no anti sistema, anti Euro e anti emigração partido M5s. O US President Donald J Trump introduz tarifas aduaneiras à importação de aço e assim esgrime com a global trade war. Mr Vladimir Putin ilustra a modernização do arsenal russo com as “hypersonic glide weapons,” capazes de atingir GB em 13 minutos. O Saudi Crown Prince Mohammed bin Salman voa até London, com compromisso de estreitamento nos laços comerciais “after Brexit.” Mr Gary Oldman arrecada o Oscar de Best Actor com a interpretação de Sir Winston Churchill em The Darkest Hour.

 

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Extreme weather at Great London. Em volta, ninguém poupa no guarda-roupa polar quando os farrapos da água siberiana questionam ideias pronto-a-vestir do aquecimento global. A neve nas Highlands atinge altivos 97 cm e ilhéus há a introduzir os skis como adequado meio de transporte nas ruas glaciais. Passada a tormenta, sobrevêm ainda os danos nas caldeiras e canalizações congeladas. Efeito inesperado é a transferência do pódio de Mrs May no seu mais recente discurso sobre o Brexiting. A PM desloca-se de Newcastle para a imponente Mansion House, na Roman Londinium. O palácio junto a Queen Victoria Street tem história, enredos e controvérsias seculares, a começar pela projeto oitocentista do arquiteto Mr George Dance the Elder e a continuar no forçoso financiamento por taxação fiscal segundo cláusula de “occasional conformity” religiosa. Erguido nas imediações da Bank Junction, em chão onde tanto se acolheram lojas de dinheiros como bancas de ervas, bastaria o pórtico de seis colunas coríntias para desafiar a régua do tempo. Mas a residência oficial do Lord Mayor of London, cuja agenda contém por estes dias discreta viagem a Lisboa, apresenta algo mais nos seus interiores para surpreender o visitante desprevenido. No Egiptian Hall não vislumbrará traços faraónicos e algures antes acabará observando o presídio por ali edificado. Com dez celas para servir o Magistrates’ Court of the City que lá opera até 1999, nove destinavam-se a arguidos masculinos e a décima a réus feminis. Na alva do 20th-century, aqui foram confinadas sufragetes como Mrs Sylvia Pankhurst.

 

Neste cenário apresenta a Premier a positiva visão de uma Global Britain, dias depois de uma nova intervenção altamente crítica por parte de antecessor em Downing Street quanto ao curso do reino. Apelando a um free-vote nas Houses of Parliament, e não já a um segundo euroreferendo popular, Sir John Major etiqueta a Brexit com selo demolidor como “not only grand folly, but bad politics.” Em sereno contraponto ao argumento do “of course, the ‘will of the people’ can’t be ignored, but Parliament has a duty to considerer the ‘’wellbeing of the people,” a Tory Leader do Her Majesty Government enuncia cinco testes a satisfazer no processo de retirada do seio da European Union: respeitar o voto referendário, acordar um relacionamento duradouro entre London e Brussels, defender os postos de trabalho e a segurança das pessoas, ser consistente com “the kind of country we want to be as we leave: a modern, open, outward-looking, tolerant, European democracy;” e robustecer “our union of nations and our union of people.” A mensagem final para “our friends” nas 27 chancelarias continentais merece igual registo: “We know what we want. We understand your principles. We have a shared interest in getting this right. So, let’s get on with it.” No mais, fica a declaração de abandono das políticas agrícola e pesqueira comuns.

 

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Cracking espionage story coming. Um casal é encontrado inconsciente no banco de um centro comercial no Salisbury District. Conduzidos ao hospital em estado crítico, resulta diagnóstico de exposição a perigosa substância desconhecida. Acautelado o nome do veneno, é a identidade das vítimas nos cuidados intensivos que lança lebre de suspeita em The Circus! Um dos padecentes é Mr Sergei Skripal, ex coronel do KGB acusado em 2006 pelo Kremlin de ser agente duplo ao serviço do Buckingham Palace e vindo para o reino numa permuta de espiões tida como de antologia no pós Cold War ‒ a spy swap ocorre entre o movimento do aeroporto de Vienna (Austria), em 2010 e estilo de George Smiley. As aparentes impressões digitais de Moscow são, pois, verosímeis neste envenenamento por misteriosa toxina. Tanto o ressurgimento da ameaça geopolítica russa, quanto a memória do uso de plutónio no caso de Mr Alexander Valterovich Litvinenko, como o confirmado envolvimento do MI6 no inquérito credibilizam já a tese conspirativa. Certo é que o contexto rural nortenho em torno de medieva catedral é digna dos clássicos thrillers de Sir Alfred Joseph Hitchcock, algures entre North by Northwest (1959, com Cary Grant, Eva Marie Saint e James Mason) e The Man Who Knew Too Much (1956, com James Stewart e Doris Day). Aliás, o mais recente intelligence tale pode até contar com o episódio da ida a Lisboa do exemplar salisbúrico da Magna Carta do Bad King John. — Umm. As our Master Will put it in The Tragedy of Hamlet, Prince of Denmark, we can only have hope with Ophelia that all will be well, however being aware like Claudius of the kaleidoscope of risks: — “When sorrows come, they come not single spies, but in battalions."

 

 

St James, 5th March 2018

Very sincerely yours,

V.

 

 

LONDON LETTERS

 

The Representation of The People Act & some shenanigans, 1918-2018

 

O Royal Assent data de 6 February 1918. O King George V promulga a lei eleitoral que reconhece o direito de voto às mulheres, pela primeira vez, após décadas de acesa luta por movimentos mais ou menos calorosos como as Suffragists e as Suffragettes. The Representation of The People Act 1918 alarga o eleitorado aos homens com 21 anos e às mulheres com 30 anos, casadas, proprietárias ou academicamente graduadas. — Chérie! La belle plume fait le bel oiseau.

O EU Chief Negotiator viaja até London para acelerar o Brexiting. Downing Street recebe Monsieur Michel Barnier com anúncio de o UK recusar qualquer união aduaneira comum. — Well. Tide and time wait for no man or woman. As Houses of Parliament vão abandonar o Palace of Westminster for years, para obras de restauração estimadas em £3.5bn. A Prime Minister “Auntie” May regressa da China com um louvor do President Xi Jingping pelo pragmatismo, uma carteira de contratos comerciais que ascende a £9 billion e um acordo bilateral para promover o “global free trade.” Pope Francis recebe no Vaticano a histórica visita do Turkish President R Erdogan. Warsaw avança para a criminalização das referências aos “Polish death camps” como Auschwitz ou Treblinka. As bolsas de valores mundiais agitam-se.

Snow showers and minus degrees at Central London, within a lot of weather warnings in the coldest week of the Winter… so far. Estava tudo por aqui tão tranquilo, salvo a Tory Civil war, o Labour Anti-semitism, o Brexit divide, o Palace full decant…, e eis que entram em cena os Free Masons. Três lojas maçónicas estão ativas e a operar secretamente em Westminster, segundo o Guardian. Unem membros das Houses e do Political Press Corps: a New Welcome Lodge, aberta aos parlamentares; a Gallery Lodge, para as várias alas do lobby; e a Alfred Robbins Lodge, destinada a jornalistas e outros. As teses de conspiração exuberam, pois, quanto ao alinhamento das lealdades e quando Whitehall reativa a cirúrgica violação dos documentos oficiais no âmbito do afadigado Project Fear. Há um século atrás, todavia, experiencia-se mais: The strange death of Liberal England (George Dangerfield, 1935). No Number 10 cai o liberal HH Asquith e entra o radical Tory David Lloyd George. A nova balança de poderes avança com the votes for the middle-class women and the working-class men.

1918. A Great War segue ainda o curso cruento, mas com desfecho acelerado pela entrada dos United States of America ao lado dos Allies “in defence of the principles of Liberty and Justice.” No His Majesty’s Most Gracious Speech às Houses of Parliament, George V refere a tormenta que ocupa o Imperial War Cabinet, agradece públicas provisões “for the heavy expenditure of the War” e sublinha aos Lords and Gentlemen um outro evento de alta magnitude. O monarca fundador da novel House of Windsor releva que “I have been pleased to give My consent to your proposals for the better Representation of the People. I trust that this measure will ensure to a much larger number of My subjects in the United Kingdom an effective voice in the government of the country, and will enable the National Unity, which has been so marked a characteristic of the War, to continue in the not less arduous work of reconstruction in times of peace.” A expansão popular do cosmos eletivo firma bases em aristocrático cradle of democracy para vencer a paz interna após um almejado armistício externo, já sobre a revolucionária aprovação parlamentar da pioneira Minimum Wage Bill.

O Lloyd George Coalition Govt (1916-22) aprova uma aspiração política que recua ao 1818 Plan of Parliamentary Reform de Mr Jeremy Bentham e à formatação jurídica do MP John Stuart Mill na 1867 Reform Bill. No seio de inequívoca maioria conservadora-trabalhista-liberal destaca-se o apoio de honoráveis Herbert Henry Asquith, Ramsay MacDonald, Bonar Law e Winston Churchill. A reforma eleitoral de 1918 passa na House of Commons com 385 vs 55 votos, logo secundados na câmara dos Peers. Mrs Millicent Garrett Fawcett, a instituidora da National Union of Women’s Suffrage Societies anota no seu diário terem passado 61 anos desde que ouvira a ousada proposta de Mr Mill. O comentário da senhora diz dos tempos; “So I have had extraordinary good luck in having seen the struggle from the beginning.” O sufrágio dobra e seis milhões de mulheres participam nas eleições gerais de December 14, no passo inicial da emancipação só completa com o Equal Franchise Act 1928 ― o sufrágio universal promovido pelo Conservative Government de RH Stanley Baldwin. So, in a decennial while, parliamentary crocodile.

A perspetiva dos longos ciclos históricos assiste na leitura da tela política além das perceções. Algo bem diverso do carpe diem que anima os shenanigans around. Só umas quantas pinceladas acerca da espuma dos dias. Cresce a onda de orgulho nacional inspirada pelo filme Darkest Hour e até um relutante Mr Charles Moore se rende à ida ao cinema para apreciar o monumento público. Ativistas ruidosos manifestam-se contra a decoração churchilliana no interior do Blighty Cafe, em North London, ignorando que o casal Jeremy Corbyn está entre os seus frequentadores. O Deustch Ambassador em London, Dr Peter Ammon, classifica a Brexit como “a tragedy” e nota que “the image of Britain standing alone in the second world war against German domination has fed Euroscepticism in the UK, but does little to solve the country’s contemporary problems.” Regressam os weekends protests a Westminster Village enquanto o Brexit game of chicken preenche os écrans na Sunday Politics, O Brexiteer chieftain RH Jacob Rees-Mogg protagoniza heroica tentativa de dialogar com um grupo de anónimos mascarados empenhado em impedir que fale numa conferência na University of Bristol. O Economist e o Spectator aumentam o rol das vendas com capas teatrais, um encaixilhando “The Next Nuclear War” na península coreana e outro emoldurando “The Theresa’s choice: Lead or Go.”

Ora, enquanto os Tories reimaginam diariamente dramas políticos como Julius Ceasar e Macbeth,  face ao monólogo going nowhere da sua líder, partem para a eternidade duas senhoras da escrita.

Fica o farewell para Mrs Ursula K Le Guin, aged 88, a laureada criadora de Sci-Fi, amante de gatos e discípula de JRR Tolkien a Philip K Dick, a par de discreta tradutora ocidental de Lao Tzu: Tao Te Ching. A Book about the Way and the Power of the Way. E também good skies para a Oxonian Mrs Jenny Joseph, aged 85, uma favorita dos ilhéus e autora do famosíssimo Warning que cognomina de red hatters as 50plus: “When I am an old woman I shall wear purple / With a red hat which doesn't go, and doesn't suit me. / And I shall spend my pension on brandy and summer gloves / And satin sandals, and say we've no money for butter. / I shall sit down on the pavement when I'm tired / And gobble up samples in shops and press alarm bells / And run my stick along the public railings / And make up for the sobriety of my youth." A sua poesia conquista o Gregory Award com Unlooked-for Season e o Cholmondeley por Rose in the Afternoon, culminando na Fellowship da Royal Society of Literature. — Umm. Perhaps was between red and pink hatters that ours Master Will writes that special line of Troilus and Cressida: — “Things won are done; joy’s soul lies in the doing."

 

St James, 5th February 2018

Very sincerely yours,

V.

PS: Happy birthday para a UK Ambassador to Portugal, Mrs  Kirsty Hayes.

LONDON LETTERS

 

Brexit? Or Brexitoin? Or yet Westminsterxit, 2018

 

A European Union aperta o cerco a Britain. O negociador mor Monsieur Michel Barnier anuncia as condições continentais para o biénio da implementação da Brexit com acesso aos mercados, resumível na totalidade das obrigações financeiras e nenhuns direitos decisórios.

A fúria dos Brexiteers com a PM RH Theresa May vai em crescendo. “Name the date of your departure or we will do it for you,” assinala no Mail On Sunday o ex Tory Party Chairman Mr Grant Shapps. — Chérie! Les conseilleurs ne sont pas les payeurs. A House of Lords classifica a EU (Withdrawal) Bill como “constitutionally unacceptable.” Os Peers dizem-se aqui “disappointed” por o Her Majesty Government ignorar as suas prévias recomendações legislativas. — Well. Things will get worse before going better. A UK Prime Minister reúne-se em Davos com o US President Donald J Trump e ouve uma inequívoca declaração do apoio norte americano à comunidade de ideais e interesses, assente num “lucrative new transatlantic trade deal.” Já a Bundeskanzlerin Frau Angela Merkel etiqueta o estilo negocial de Mrs May sob sibilina fórmula do “Nothing to say, Make me an offer.” Em London, porém, muitos interrogam se antes não é senão a Brexitoin ‒ a Brexit only in name.


Cold days
at Central London. A neblina matinal que envolve Westminster Village traz à memória laivos do Bruges Speech apresentado por Mrs Margaret Thatcher. Falando no College of Europe, em 1998, a Iron Lady sente necessidade de sublinhar ancestrais evidências a uma peculiar elite: “Europe is not the creation of the Treaty of Rome. Nor is the European idea the property of any group or institution.” Os ecos de Brussels denotam os ventos do esquecimento e da soberba. Enquanto Mrs May ruma para Beijing em oportuníssima 3-days state visit e o Project Fear retorna em força às ilhas, num e noutro caso com os mandarins de Whitehall e apêndices na Press revelando especial empenhamento em cenários de ruína e pauperismo, a febril atmosfera que se observa nos main parties recorda talqualmente a punch line de RH Clement Attlee ouvida na House of Commons num suave dia primaveril de 1940. Em câmara preenchida, sob alto som de fundo dos “Hear, Hear” de muitos MP’s e do “Order, Order” do Speaker, o dirigente do Labour aponta o dedo para o Prime Minister RH Neville Chamberlain e pede-lhe a imediata resignação: “In the country’s interest man, resign! Step down! And let us find a new leader!” Algo do género ressoa agora em diferentes quadrantes e nem mesmo o calendário ajuda uma distante protagonista. Se as Local Elections marcadas para 3 May 2018 ameaçam veneráveis bastiões conservadores em prometida maré esquerdista, no dia 30th January de ido 1649, no exterior de Banqueting House, uma criação dos Tudor junto ao Thames River, é Charles The First decapitado por high treason.

Com todas as armas para si apontadas, sejam de EU Leavers ou de Remainers, a começar nos próprios Tory backbenchers, onde cada vez mais avultam as palavras de Mr Jacob Rees-Mogg, Right Honourable Theresa May ausenta-se para o outro lado do mundo. No reino, patroticamente unimpressed com os Brussels bully boys, a PM não tem alternativa política senão pronto rejeitar do unfriendly, unhealthy & unfair ultimatum da European Union. Mas os termos continentais para negociar a futura relação bilateral dizem sobre quem os decide, tanto nos aligeirados dois minutos que o EU General Affairs Council demora para os aprovar, quanto sobre a intensidade dos bloody affairs que envolvem os liames orçamentais dos 27. Note-se a régua comum: Como contrapartida dos negócios caseiros no mercado único até 2021, durante os dois anos de transição após a saída oficial em March 2019, os demais estados-membros querem que o United Kingdom pague bilionário cheque anual pela pertença ao euroclube, aplique as atuais e as novas leis comunitárias, mantenha as fronteiras abertas e ainda acate o impedimento de negociar acordos comerciais com terceiros. Tudo isto sem assento nas instituições, agências e afins da eurocracia. Na impiedosa Brexitoin, “the UK should have taxation without institutional representation.”

 

Mas esta semana decide-se por aqui uma outra árdua dicotomia do should I stay? Or should I go? que outrora celebriza os Clash. O futuro do Palace of Westminster está em debate nas Houses of Parliament, após um relatório oficial concluir que o edifício carece de custosos melhoramentos. Todas as opções estão em aberto, da manutenção à mudança temporária ou definitiva dos MPs para um outro local no reino, com os trabalhos de conservação avaliados entre £3.52bn e £5.67bn.

 

Segundo o Joint Committee dos Lords e dos Commons, apesar das firmes fundações no terreno escolhido no 11th Century pelo King Edward the Confessor, o complexo urbano defronta-se hoje com “a substantial and growing risk of either a single, catastrophic event, such as a major fire, or a succession of incremental failures in essential systems which would lead to Parliament no longer being able to occupy the Palace.” Daí o “R&R Programme,” um moderno projeto de renovação e de restauração. A história escrutinará de perto estas deliberações. Afinal, mais que “a masterpiece of Victorian and medieval eras,” as casas monumentais concebidas pelo arquiteto Charles Barry após o Great Fire of 1834 são um universal farol da tradição democrática. — Umm. At the end of the day, as ours Master Will says in Romeo and Juliet, all fluctuate with the criteria that we use to discern nature of convention as also with love: — “What's in a name? That which we call a rose / By any other name would smell as sweet."

 

St James, 29th January 2018

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Diplomacy and, Merchants, 2017

 

Et voilà. A Prime Minister RH Theresa May afirma na House of Commons que as Brexit talks correm bem e logo o Leader da Her Majesty Most Loyal Opposition RH Jeremy Corbyn diz o contrário.

Teme-se que as euronegociações vão de mal a pior nos jantares de trabalho dos 27, em London e Brussels, mas inexistem queixas dos cozinheiros. — Chérie! Toutes les choses sont difficiles avant d'être faciles. O Foreign Secretary RH Boris Johnson revela a gravitas na Chatham House, com discurso sobre a diplomacia. A BBC investiga as origens da double-entry accounts bookkeeping entre florais Venezia e Milan. — Well. Jack is as good as his master. China ouve Mr Xi Jinping anunciar uma nova era no 19th Congress do Communist Party. Spain divide-se em torno da Catalonia. Nos US, o ex President George W Bush é o mais recente passageiro VIP a entrar no comboio do “take down the Trumpism.” Mr George Clooney aponta cumplicidades na tragédia sexual de Harvey Weinstein e abala os modos de recrutamento nas fábricas de Los Angeles e arredores. Faltam 60 dias para o Christmas.

Occasional  showers at Central London. O Mayor Sadik Khan avança com nova taxa de toxicidade em criativa política ambiental. Com a T-charge, os carros mais poluentes pagam £10 para os cofres de City Hall e assim a todos podem cianizar no centro histórico. As House of Parliament preparam o debate sobre a conservação do venerável Palace of Westminster. O custo do projeto continua a crescer entre batalhas surdas de arquitetos, engenheiros e outros. No entretanto, também sobreocupados Lords, MPs e jornalistas esgrimem barbadas razões nas olimpiadas do Brexit or no Brexit. Esta tarde, após carta aberta com welcome sign aos cidadãos europeus por cá residentes, a Premier informa os Commons sobre os últimos desenvolvimentos das conversas com Brussels. Nos bastidores é o Labour Shadow Sir Keir Starmer quem move esforços transpartidários “to force concessions on the EU Withdrawal Bill.” Também a BBC eleva a voz entre os lobbystas, para reclamar que o Tory Govt encete “an urgent transitional agreement with the European Union to give firms greater certainty on a smooth Brexit.” O Professor Timothy Garton Ash interroga no Guardian sobre a decadência do West, quando até capitais como Bulgaria se agitam, ao descrever desconfortável viagem atlântica da “Brexit frying pan into the Trump fire.”

 

Já novo vigor ao Brexiting doa o Rt Hon Boris Johnson numa conferência na Chatham House sobre as ambições nucleares à volta do mundo. Apontando a dedo rogue states como o Iran ou North Korea, o Secretary of State for Foreign & Commonwealth Affairs começa no estilo habitual: “It is fantastic to be here in this wonderful hotel, that I think that I opened or reopened. I opened many hotels across London in my time as Mayor and I definitely reopened this hotel at one stage and this is after all an example of the kind of infrastructure that you were just talking... It is an inspirational structure.” O tom muda então. Com a statesman voice, surge o elogio à diplomacia como fórmula política para uma moderna bill of rights no concerto internacional. Sobre as relações do reino com o continente, Bojo é claríssimo no apoio ao Prime Minister’s Florence speech. Ou seja: a um período de transição que respeite os resultados do euroreferendo.

 

Ainda com ecos da paisagem emiliana, novidade vem de Mr Tim Hartford sobre o famoso sistema contabilístico da dupla entrada. O autor de 50 Things That Made the Modern Economy questiona a autoria da ferramenta financeira usualmente imputada ao Maestro Luca Pacioli e antes a atribui a um mercador de lã do Prato, terra às portas de Florence, de nome Francesco di Marco Datini. A teoria cruza os destinos do seu discreto diário financeiro com a Arithmetica, Geometria, Proportioni et Proportionalita de Luca, colossal obra de 615 páginas por muitos classificada como “the most influencial work in the history of capitalism” e onde surgem 27 páginas acerca do método contábil. No plano dos achados históricos, referência também para uma exposição que acaba de abrir em Cambridge sobre The Codebreakers and Groundbreakers. Aqui são os sonhos matemáticos de Mr Alan Turing que estão em foco. O mastermind de Bletchley Park, onde quebra o código nazi durante a II World War, aparece no Fitswilliam Museum como… um aluno cábula. — Well. Even that Helen of Master Will so does say it in All's Well that Ends Well: — “Our remedies oft in ourselves do lie, / Which we ascribe to heaven: the fated sky / Gives us free scope, only doth backward pull / Our slow designs when we ourselves are dull."

 

St James, 23th October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

RH May’s last supper, or 28 beers in a bar, 2017

 

O senhor é inequivocamente um clássico. O President da European Commission reafirma pela enésima vez que o UK "have to pay” para avançar nas Brexit trade talks. Até aqui é só eurocratês e questão resumível a zeros.

Mas gloriosa inovação vem do enquadramento legal ora invocado por Monsieur Jean Claude Juncker para justificar o pagamento: “If you are sitting in a bar and if you are ordering 28 beers, and then suddenly some of your colleagues is leaving and he is not paying, that is not feasible.” — Chérie! L'eau est le meilleur des breuvages. A Prime Minister RH Theresa May aproveita o fuso alcoólico. Enceta esforços de phone diplomacy com a Kanzlerin Angela Merkel e outros líderes dos 27 para avançar com o negócio. Já esta noite voa a Brussels para jantar com o herói da LuxLeaks. Na last supper, London obtém o compromisso de aceleração nos tratos. — Well. Nothing is agreed until is agreed. A storm Ophelia abate-se sobre as ilhas britânicas, com vagas e ventos de 118mph guiando cinzas de Portugal. Do Atlantic à California, o fogo carcome a terra e as espécies. As  ancient woodlands do Kent são devastadas pelo avanço da A21. Os astrofísicos anunciam nova era nas estrelas. A East, Austria elege como chanceler Herr Sebastian Kurz, conservador de 31 anos, lá tido como The Messias. O escândalo do produtor de Shakespeare in Love, o mogul Harvey Weinstein, assombra de Hollywood a Hollyoaks.

 

 

A orange sky at London. A Sky informa que o red Oktober ocorre no midday em várias regiões de England. Os metereologistas explicam o fenómeno com air and dusk da Iberia e do Sahara, quando as chuvas torrenciais causam vítimas e danos em Ireland ainda antes da noitada O céu de Gloucester é visto como very freak. Cientistas das universidades de Warwick e Jacob Bremen falam de descobertas nas astrofísicas e na origem dos elementos. Também o Brexitting traz tintas inusuais e talvez almejado magical tipping point. Pelo meio, a Prime Minister janta em Brussels com os EU top negotiators, os inefáveis Monsieurs Michael Barnier e ainda Jean Claude Juncker. Se bem me lembro, a última vez que o grupo jantara foi em Downing St e tudo acaba em desastre. A governança continental insiste no estilo do old Cosimo Medicis. Nem o cozinheiro do nº 10 então escapa ao criticismo eurófilo.

 

Temo, porém, que alguém transmute a Blue Lady em ido RH Neville Chamberlain MP. Seja como seja, as fileiras atrás da dama estão formadas para a sucessão nos Tories e o Old Labour Party tem em RH Jeremy Corbyn a true bennite. No entretanto, tal qual Lady Margaret Thatcher em Fointainbleau, a PM tem sempre a carteira como… ultimate weapon.

 

Já outra senhora atravessa o Atlantic Ocean. Mrs Hillary R Clinton está no reino em grand tour promocional ao seu livro What háppened, narrando causas e cargas pela derrota nas eleições presidenciais americanas de 2016.

A impressão da Simon & Schuster tem 464 páginas, custa £20 e soma a um honoris causa pela Swansea University, em Wales, terra dos ancestrais. O marido ficou em casa, mas ela também não tem tempos livres na série cerrada de entrevistas onde reedita a oposição da Obama Administration à Brexit. Há algo de fantasmático na revisitação. Pela manhã é o Guardian quem prega susto de morte aos ilhéus, ao divulgar a revisão da riqueza nacional em baixa: menos £490 billions. Estimo que o Chancellor Phillip Hammond haja diligenciado contatos junto da ex US Secretary of State sobre as melhores práticas de gestão no bar.Ummm. Take it easy as does Master Will in As you like it: — “O coz, coz, coz, my pretty little coz, that thou didst know how many fathom deep I am in love. But it cannot be sounded; my affection hath an unknown bottom, like the Bay of Portugal."

 

St James, 16th October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The May’s Florence speech, 2017-21

 

As palavras de RH Theresa May MP ainda ecoam nas paredes florentinas de Santa Maria Novella. A Prime Minister vai ao continente e discursa na sede toscana dos Dominicans para apresentar a two-years Brexit transition plan.

Reafirmando a fidelidade Tory ao voto popular no referendo, a estratégia atira a saída do UK da European Union para 2021. Ver-se-á agora como respondem “our friends” em Brussels à flexibilidade do Her Majesty Government. — Chérie! Impossible mission n'est pas français. Brighton recebe a Labour Party Conference e The Economist projeta a imagem de RH Jezza B Corbyn na porta do No. 10, acompanhado pela red bike e o Larry. Os trabalhistas ocupam-se a apurar a implementação do programa For the many, not the few enquanto aforram no eurodebate. — Humm. Eventually, something political is happenning there. Washington sobe a escalada verbal contra o regime norte coreano de Mr Kim Jon Un, por lá coloridamente batizado como The Rocket Man. O Mexico treme. Catalonia luta pelo direito de votar a independência. Germany dá mais quatro anos a Frau Angela Merkel na chancelaria e o Bundestag senta deputados da extrema direita pela primeira vez desde 1945.

 

 

Early sunrise with a blue sky at Great London. A BBC tem material ideativo para criar uma nova série de political amusement sob o título Yes or No, Minister. Será a ambiguidade criativa ditada pela navegação das dificuldades nas euronegociações. No Daily Telegraph de um destes dias, Matt desenhava o conceito a traços de carvão – “We weren’t warned that voting Brexit would mean talking about it for EVER!” Ora, enquanto os ilhéus examinam a notícia de, por “family reasons”, o ator Colin Firth ter optado pelo passaporte italiano e obrigar os fãs de Miss Jane Austen, e do seu Mr Darcy, a revisitar Pride and Prejudice, a senhora de Downing Street enaltece em Florence a “shared history” que vem esculpindo o que é ser europeu.

 

Sabereis os detalhes da estratégia de Mrs May para a saída formal do UK da European Union, a 29th March 2019, no quadro da visão traçada em Lancaster House e agora na prática adiada para os arredores de novas eleições no reino. Adiante, pois, nas tecnicidades diplomáticas do Withdrawal Agreement. Importa antes mencionar a presença no hall-church do Foreign Secretary Boris Johnson e do Chancellor Philip Hammond, protagonistas do Brexit divide no Cabinet. Vale ainda sublinhar o tom de confiança ora dado pela honorável representante de Maidenhead às futuras relações entre London e Brussels, em terra que cruza as medievas fraternidades religiosas e as corporações de artesãos, doando ao mundo ideias, obras e artes que a todos interpelam sobre como é ser humano.

 

Alhures no planeta azul, também os homens e as mulheres da NASA interrogam no ramo espacial das odisseias. Uma missão dos texanos visa extrair amostras do asteroide 101955 Bennu e está a cargo do Goddard Space Flight Centre. É o OSIRIS-Rex, acrónimo para Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security, Regolith Explorer. No elementar do que podemos entender do nasarez, a par do combustível, tanto a partida como a chegada da spacecraft fruem as leis da gravidade. Mr Rich Burns, que gere as operações no Cabo Cañaveral da Florida, assinala que "the encounter with Earth is fundamental to our rendezvous with Bennu." — Well. Keep in mind Master Will and that daughter Miranda in The Tempest: — “How beauteous mankind is! O Brave new world, that has such creatures in't."

 

St James, 25th September 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The hand of God, 2017

 

A mão de Deus passou por Parsons Green Station. Há um bombista incompetente e uma bomba que não mata em mais um ataque terrorista em London. À explosão no metropolitano sucedem gritos e rostos lívidos, pânico e estupefação.

As pessoas abandonam os haveres e perdem até os sapatos ao correr para fora das carruagens apinhadas. Surgem os gestos que ajudam e os que atropelam. O divino desce ali sob a forma dos bons samaritanos. E há ainda aquele British spirit do keep calm and carry on. Um 18th years' old é capturado em Dover.  —  Chérie! Les jours se suivent et ne se ressemblent pas. A Great Repeal Bill passa com confortável maioria na House of Commons, em nova etapa legislativa rumo à separação continental. O Foreign Secretary RH Boris Johnson agita as àguas com um artigo no Daily Telegraph ao recordar causas, formas e finalidades da saída do UK da European Union A Prime Minister Theresa May igualmente prepara memorável intervenção sobre a Brexit, esta semana, em Florence (It)  — Well. Actions speak louder than words. O furacão Maria gira nas Caribbeans. O US President DJ Trump discursa nas United Nations e exorta o Secretary General António Guterres "to make changes.". Em Brussels, o EU Commission President Jean-Claude Juncker reafirma que o reino unido "will regret leaving" enquanto traça uma utópica visão federalista do superestado europeu.

 

Light blue clouds at Great London. O senhor louro puxa da pena e é sempre um imenso alvoroço. Bastam pouco mais de 4,000 palavras espalhadas pela primeira página do Telegraph e eis fresco recentrar do debate em torno do Brexiting. Esta é a primeira intervenção pública de RH B Johnson depois do histórico voto no euroreferendo e um recatado silêncio nas funções do Foreign Office. Ora, Boris escreve a 2017 UK Declaration of Independence. E é o splash quando a direção das negociações eurobritânicas parece rumar para um forçadíssimo consenso balizado por indefinido período de transição com acesso ao mercado único e indeterminado cheque do Treasury pela trela. A dias da Prime Minister May fazer “a major Brexit speech” na cidade italiana filha da Old Rome, ao que se sabe, para detalhar as linhas orientadoras do seu definidor discurso em Lancaster House, o campeão dos Leavers retoma as ideais centrais do argumento que persudiu 17,4 milhões de britânicos a optarem por futuro soberano. Apenas dois sublinhados em peça de leitura obrigatória. O dinheiro dos contribuintes hoje enviado para o orçamento bruxelense será bem melhor aplicado segundo prioridades domesticamente definidas. A permanência do país nas estruturas comerciais ou aduaneiras da Europen Union, seja qual seja o molde formal, fará do voto democrático de 2016 "a complete mockery."

 

As reações às palavras escritas de Boris são tempestuosas. Uns veem na tinta um movimento para publicamente condicionar o Her Majesty Government nas negociações da retirada continental e outros antes aqui vislumbram pé de candidatura à liderança dos Tories. Destaque para a resposta da Home Secretary RH Amber Rudd, e possível rival pelo leme conservador, de o colega intentar a "back-seat driving." Ineludível é a surpreendente vinda a terreiro do ex Mayor of London revelar que a Prime Minister tem tarefa difícil na condução do seu Cabinet. Tal qual inequívoco é, dias depois do incendiário discurso federalista de Mr Juncker no European Parliament, já com trono imperial e exército a 27, Mr Johnson ter injetado um sopro de oxigénio no debate político interno, com uma positiva visão de Britain pós Brexit de novo erguida no meio dos espantalhos semeados pelo omnipresente Project Fear. Ele é o rosto otimista da autonomia, o qual muitos querem apagar num país que há muitos séculos experiencia a vida em liberdade.

 

A semana fica também marcada pela perda de um dos grandes. Parte da existência Mr Peter Hall (1930-2017), o empreendedor que funda a Royal Shakespeare Company em Stratford-Upon-Avon e encenador que dirige o National Theatre em London. O seu nome está indissociavelmente ligado às artes e ao que de melhor há décadas roda nos palcos britânicos, entre Camino Real e Amadeus, da voz de Mr Laurence Olivier, John Gielgud ou Anthony Hopkins ao estilo de Dames Maggy Smith, Peggy Ashcroft ou Judi Dench. Deixa legado valioso e inspirador. — Farewell, gentle Sir. Go by the sun and see Master Will remembering his deep poetry: — “You and I will meet again, When we're least expecting it, One day in some far off place, I will recognize your face, I won't say goodbye my friend, For you and I will meet again."

 

St James, 18th September 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

  

Returning to the Realm, 2017

 

Após um adorável interregno de férias, eis o regresso ao suave reino. A vida política permanece marcada pelo debate em torno do Brexiting.

Tudo, aliás, parece tão diferente quanto é assaz igual. Se os Tories mantêm o rumo com a manutenção de RH Theresa May MP no leme governamental, apesar da murmuração, o Labour Party acomoda a ambiguidade com novo posicionamento europeu: quer agora garantir um perído de transição com acesso… ao mercado único. — Chérie! À l'impossible nul n'est tenu. A House of Commons ocupa-se em maratona de esgrima em torno da Great Repeal Bill, o diploma âncora na retirada de Britain da European Union. A contrabalançar  a alta mercurial em Westminster, a frente negocial em Brussels evidencia graus árticos. — Well. As you know, bad money drives out good. Além Atlântico, a estação dos tufões causa vítimas e danos. Os Clintons regressam em força às capas das revistas, a par de Mr Al Gore e a climática inconvenient truth. No continente começa a contagem para o teste popular da Bundeskanzlerin Frau Angela Merkel nas eleições federais alemãs. Preocupante é o adensar da crise na península coreana, com guerra aberta de palavras entre Washington e Pyongyang. Nas ilhas, os Duke e Duchess of Cambridge anunciam que esperam o seu terceiro filho. 

 

Sky partly cloud at Central London. O nome é equívoco, mas…surpresa, surpresa. A denominada Great Repeal Bill acaba de confirmar algo de que até agora se duvidava: a existência parlamentar da Her Majesty’s Most Loyal Opposition. À hora a que escrevo, o Labour de Mr Jeremy Corbyn ameaça resistir à aprovação do diploma que determina a integral transposição das leis europeias para os Statute Books, algo que, convenhamos, é de todo em todo distinto do sugerido no título. Os conservadores censuram o gesto como visando gerar “caos and confusion” na Brexit e boa fatia dos observadores vê aqui fio conspiratório da resistência ao divórcio continental. Seja como seja, a bem de democracia, os trabalhistas questionam os chamados poderes do King Henry The Eight  que a proposta governamental entregará aos ministros “without a proper parliamentary scrutiny.” Se o enredo nos Commons ostenta uma singular ironia histórica, logo o Tudor!!, a vera novidade deste Summer vem das fileiras eurófilas. Em mais uma intervenção pública, nas Sunday Politics de ontem, RH Tony Blair aponta a responsabilidade do voto eurocético à… emigração maçiva. Daqui parte para refrescada via para intentar segundo euroreferendo: na sua ótica, basta que o UK adote “tougher immigration policies” e a outra Union reforme o seu modo de funcionamento, Comentário desta manhã do grande Nick Ferrari na LBC: “This is the man who presided over opening the gates.”

 

Sublime mesmo nestes dias outonais é o regresso de Victoria. Mrs Jenna Coleman corporiza novamente a segunda série da ITV sobre a jovem rainha, quando Dame Jude Dench está em vésperas de revelar no celuloide um seu tardio amor ― até agora omisso nas crónicas reais e que não é o querido cavalo Almonzo. Para já saboreie-se a elegância neoclássica do conto televisivo, ao som inconfundível da Gloriana, dado que bem escrito e bem interpretado. A história retoma a prévia meada, cujo finale fora o nascimento da homónima primogénita do casal Saxe-Coburg. Porque as tensões up and downstairs estruturam a trama, eis a monarca às voltas com os delicate times da maternidade e ainda com os dédalos teutónicos a somar à gestão dos assuntos num reino em notável metamorfose. Os três primeiros episódios são soberbos no entrelaçar da visão política e da vida familiar, entre os lençóis reais e as Corn Laws, sobre a tela do poderoso império global em construção. O resultado fílmico é simplesmente  excelente. A tal nível de qualidade, também a criadora Mrs Daisy Goodwin está a erguer mais um Brit drama para conquistar o globo. — Great, indeed. And as Master Will writes in his unique Midsummer Night's Dream, let us leave with a fine heart: — “So, good night unto you all. / Give me your hands, if we be friends, / and Robin shall restore amends."

 


St James, 11th September 2017

Very sincerely yours,

V.