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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

 

RH May’s last supper, or 28 beers in a bar, 2017

 

O senhor é inequivocamente um clássico. O President da European Commission reafirma pela enésima vez que o UK "have to pay” para avançar nas Brexit trade talks. Até aqui é só eurocratês e questão resumível a zeros.

Mas gloriosa inovação vem do enquadramento legal ora invocado por Monsieur Jean Claude Juncker para justificar o pagamento: “If you are sitting in a bar and if you are ordering 28 beers, and then suddenly some of your colleagues is leaving and he is not paying, that is not feasible.” — Chérie! L'eau est le meilleur des breuvages. A Prime Minister RH Theresa May aproveita o fuso alcoólico. Enceta esforços de phone diplomacy com a Kanzlerin Angela Merkel e outros líderes dos 27 para avançar com o negócio. Já esta noite voa a Brussels para jantar com o herói da LuxLeaks. Na last supper, London obtém o compromisso de aceleração nos tratos. — Well. Nothing is agreed until is agreed. A storm Ophelia abate-se sobre as ilhas britânicas, com vagas e ventos de 118mph guiando cinzas de Portugal. Do Atlantic à California, o fogo carcome a terra e as espécies. As  ancient woodlands do Kent são devastadas pelo avanço da A21. Os astrofísicos anunciam nova era nas estrelas. A East, Austria elege como chanceler Herr Sebastian Kurz, conservador de 31 anos, lá tido como The Messias. O escândalo do produtor de Shakespeare in Love, o mogul Harvey Weinstein, assombra de Hollywood a Hollyoaks.

 

 

A orange sky at London. A Sky informa que o red Oktober ocorre no midday em várias regiões de England. Os metereologistas explicam o fenómeno com air and dusk da Iberia e do Sahara, quando as chuvas torrenciais causam vítimas e danos em Ireland ainda antes da noitada O céu de Gloucester é visto como very freak. Cientistas das universidades de Warwick e Jacob Bremen falam de descobertas nas astrofísicas e na origem dos elementos. Também o Brexitting traz tintas inusuais e talvez almejado magical tipping point. Pelo meio, a Prime Minister janta em Brussels com os EU top negotiators, os inefáveis Monsieurs Michael Barnier e ainda Jean Claude Juncker. Se bem me lembro, a última vez que o grupo jantara foi em Downing St e tudo acaba em desastre. A governança continental insiste no estilo do old Cosimo Medicis. Nem o cozinheiro do nº 10 então escapa ao criticismo eurófilo.

 

Temo, porém, que alguém transmute a Blue Lady em ido RH Neville Chamberlain MP. Seja como seja, as fileiras atrás da dama estão formadas para a sucessão nos Tories e o Old Labour Party tem em RH Jeremy Corbyn a true bennite. No entretanto, tal qual Lady Margaret Thatcher em Fointainbleau, a PM tem sempre a carteira como… ultimate weapon.

 

Já outra senhora atravessa o Atlantic Ocean. Mrs Hillary R Clinton está no reino em grand tour promocional ao seu livro What háppened, narrando causas e cargas pela derrota nas eleições presidenciais americanas de 2016.

A impressão da Simon & Schuster tem 464 páginas, custa £20 e soma a um honoris causa pela Swansea University, em Wales, terra dos ancestrais. O marido ficou em casa, mas ela também não tem tempos livres na série cerrada de entrevistas onde reedita a oposição da Obama Administration à Brexit. Há algo de fantasmático na revisitação. Pela manhã é o Guardian quem prega susto de morte aos ilhéus, ao divulgar a revisão da riqueza nacional em baixa: menos £490 billions. Estimo que o Chancellor Phillip Hammond haja diligenciado contatos junto da ex US Secretary of State sobre as melhores práticas de gestão no bar.Ummm. Take it easy as does Master Will in As you like it: — “O coz, coz, coz, my pretty little coz, that thou didst know how many fathom deep I am in love. But it cannot be sounded; my affection hath an unknown bottom, like the Bay of Portugal."

 

St James, 16th October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The nest of doves, and Monday meetings, 2016

O espírito prático dos insulares começa a emergir com aquela discrição que sempre fascina e logra criar e recriar o national consensus em conjunturas críticas. Em volta, mais e mais, as gentes direcionam as mentes para as soluções do post-Brexit UK, lealmente dando conta das ambições do seu papel e contributo na Europe e no World em fórmula caseira de give & take

Passam os primeiros 100 dias de RH Theresa May em Downing Street e a PM vivencia primordial eurocimeira em Brussels. Da ida ao “nest of doves” faz hoje a statement na House of Commons. Pouco antes reúne com os líderes governamentais de Scotland, Wales e Northern Ireland, atestando que inexistirão trade barriers na Great Union. Também a hostil banca global reentra no enredo. — Mon chérie! Écoute le vent, et il parle. Écoute le silence, il discute. Écoute ton couer, il sait. A 6 meses das eleições para o Élisée Palace, Paris começa a demolição da Calais Jungle. O destino dos migrantes é incerto, rumo a centros por toda a France, mas a Dover chegam os refugiados que ganham a lotaria moral do English Channel. Entre as Calais children há até uns latagões risonhos, a semear interrogações sobre uma operação de “haute risque.” — Well! Knock, knock. Is there anybody there?, thought the Traveller. Os US começam a votar. A White House Race entra no sprint final, com Mr Donald J Trump em perda para Mrs Hillary R Clinton (42-48%) e os candidatos further down the ballot ainda em fluxo em volátil mapa eleitoral. O exército turco reforça na reconquista de Mosul, com o Isis em retirada e muçulmanos e cristãos a regressar às terras libertadas no Irak. Mr Jimmy Perry, um dos génios da Britcom, parte aos 93 anos.

 
Temperatures increasingly in single figures, nonetheless with largely dry days at Central London. Abramos pela especiaria. RG David Michael Davis é o novo alvo número um da vasta spying community no burgo. O SecSexEU é avisado pelo MI5 que os seus escritos, movimentos e contatos são objeto de interesse crescente por parte de várias chancelarias, decerto por motivo não alheio ao seu estatuto de negociador mor das Brexit Talks. Depois da sugestão dos eurocratas de as próximas negociações sobre a relação UK-EU decorrerem em francês, teme-se por aqui que o Secretary of State for Exiting the European Union siga ido exemplo de um certo presidente gaulês, o qual, por razões privadíssimas, enviava o fumado carro oficial sair pelo portão do Elisée Palace enquanto saía discreto de motorizada por porta dos fundos. Os alertas têm como cenário central a primeiríssima cimeira europeia de Mrs Theresa May. A Prime Minister dispensa a food taster em Brussels enquanto Mr Donald Tusk a diz entrada num ninho de pombas, mas boa fonte informa que as suas claras intervenções no European Council sobre a saída britânica do clube e ainda acerca da emigração, Russia e Syria gelam a sala. Dos joviais cumprimentos iniciais inter pares, para Press ver e comunicar, os 28 líderes passam depois para uma frosty atmosphere, Há mesmo ali um aparente diálogo de surdos. À London do controlo de leis e de fronteiras em "mature, co-operative relationship with our European partners", responde uma polifónica e monocórdica eurovisão: “If Britain wants access to the single market, it must continue to leave its borders open.”


A secundar agendado duelo politico entre atlantes e continentais figuram entretanto os banqueiros e o fórum cá criado para acolher a negociação interna com as devolved administrations do reino. No Joint Ministerial Committee tem assento os First Ministers RH Nicola Sturgeon (Scotland), RH Carwyn Jones (Wales) e RH Arlene Foster e RH Martin McGuinness (N Ireland), bem como o Brexit Sec RH D Davis MP, com Mrs May a sublinhar que “is set to discuss the government’s position on the EU exit strategy.” No final do big meeting no No. 10 desafina uma unhappy Scot remainer, insatisfeita com a ausência de acesso aos secret plans. Várias vozes e tiras de transmissão tocam também o alarme na City e em Canary Wharf com o rumo do dossiê europeu. Com muitas cifras negras à mistura, apontam a próxima deslocalização da Goldman Sacks e afins para… Europe. Agitam com a perda de ativos, empregos e... impostos; apresentam-se abertos a escudo especial do Treasury. A reação dos ilhéus é plural: uns afirmam-se preocupados e outros aplaudem o goodbye. Ora, como resulta da queda da libra, esta é uma partida a observar de perto. London é um mega centro financeiro a competir mais com New York, Singapore ou Hong-Kong e menos com Frankfurt, Paris ou Rome. Uma diferente liga, digamos, num jogo planetário onde tanto pontua a nobre Geneve como plebeias Bermudas ou Panama. Ainda assim, a escolha da língua quotidiana ou do local para viver dos altos banqueiros dirá das afinidades no elite trending. No mais, ver-se-á das fraquezas e das forças civilizadoras do capitalismo em novel batalha ética entre o cosmopolitismo do dinheiro e a soberania do voto.


Numa semana em que os olhares se viram para o English Channel, quer pela violência na evacuação do campo de Calais, quer porque rota preferida pela frota de guerra russa para navegar até à costa síria, destaque especial na partida para a eternidade de um gentil Country gentleman, cujos binóculos miraram os azuis destas costas: nenhum outro senão o autor de “Dad’s Army.” Mr James “Jimmy” Perry (1923-2016) deixa legado de absurdas situações e doces gargalhadas ao longo das décadas, com clássicos da BBC como The Gnomes of Dulwich (1969), It Ain't Half Hot Mum (1974–81), Room Service (1979), Hi-de-Hi! (1980–88), You Rang M'Lord? (1988–93) ou High Street Blues (1989). Da parceria com o ido e longtime writing partner Mr David Croft, um de London e este de Dorset, baseando-se nas vivências do seu tempo na Home Guard, sai a série com os impagáveis e idiossincráticos veteranos. A perfect Brit sitcom, as aventuras dos Old Boys na Home Front passeiam entre o dodgy Private Frazer e o snobbish Captain Mainwaring, sob popularizado lema nativo: “Are you kidding, Mr Hitler?” Já este ano vem a adaptação ao cinema com Mrs Zeta Jones e agora recatada despedida. Farewell, Mr Jimmy. No voo segue um homem natural com sábia liga de são humor na tecelagem do humano carácter. — Well! As Master Will plays with the wording of the dwarf king Oberon in The Midsummer Night’s Dream: — Ill met by moonlight, proud Titania.

 

St James, 24th October 2016

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Britain’s quiet revolution, 2016…

 

Quite something. A senhora disserta sobre o novo centro ideológico e do good that government can do enquanto caracteriza a Britain’s quiet revolution para dar conta da visão e agenda políticas. É o discurso de encerramento da Conservative Party Conference por Mrs Theresa May e é um documento a merecer leitura atenta.

O mote é linear: “It’s about restoring fairness.” O reformismo conservador e o patriotismo estão de volta com a Global Britain. — Chérie! Les bons comptes font les bons amis. Regressa também a artilharia pesada dos Remainers com a calendarização da Brexit. Os setores exportadores adoram a queda da pound. RH Tony Blair admite o retorno à cena. — Ho-ho! Tell me with whom you go, and I'll tell what you do. O Engenheiro António Guterres é o novo Secretary-General da United Nations, eleição que faz vibrar o 10 e o Foreign Office. OS US assistem ao segundo debate presidencial, após as campanhas de Mrs Hillary Clinton e de Mr Donald Trump entrarem into the Low Road. Os trabalhadores dos dining halls da Harvard University (Cambridge, Massachusetts) fazem histórica greve, em escola estabelecida em 1636 na British North America. O furacão Matthew deixa rasto de morte e destruição nas Caraibas. O Brit Professor Oliver Hart e o Fin Prof Bengt Holmstrom conquistam o Nobel Prize in Economics, por contributos na teoria dos contratos. A Star Trek comemora 50 anos sobre o seu primeiro episódio televisivo. Victoria regressa em 2017. 

 

 

Full Autumn and cloudy days at Central London. O quotidiano urbano está marcado por desafiante trânsito, com a Bridge Tower fechada para obras, restrições na circulação e mais greves no Southern Rail. As atenções estão ainda centradas na conferência dos Tories em Birmingham, pelo sismo eurófilo gerado com os discursos da Rt Honourable Theresa May, e na never-ending reshuffle no Shadow Cabinet do Labour Party, após a reeleição de RH Jez Corbyn como líder 2.0, a par da hardcore campaign para a White House. Deixando as glass houses d’além Atlantic entregues ao seu eleitorado, saudemos a eleição de um português para Chaiman da United Nations. A Prime Minister fala este Saturday ao telefone com o Engenheiro António Guterres. Um porta-voz de Downing Street revela que a senhora está “delighted by his election,” tendo disponibilizado vontade adicional de o UK “to provide any support required as he prepared to assume the role.” Sinal de grandes expetativas em momento exigente nas relações internacionais é ainda o teor do comunicado emitido pelo Foreign Office. Os termos dizem do quanto London vê com muito bons olhos a presença de um construtor de pontes em vital position. Nas palavras de RH Boris Johnson, “he is an outstanding candidate with all the qualities and experience to do the job.” Melhor: “I am confident that António Guterres will continue to build..., providing the leadership required to steer the UN through the many challenges facing our world, not least the crisis in Syria.”

 

Altas esperanças se geram igualmente com os trabalhos anunciados na Conservative Conference. O encontro de fiéis é marcado pelas ambições do Mayism. O discurso, no caso: duas intervenções, de um novo líder partidário é sempre a big occasion. Mrs Theresa May satisfaz. A abrir, a todos responde com graça e gravidade. “When we came to Birmingham this week, some big questions were hanging in the air. Do we have a plan for Brexit? We do. Are we ready for the effort it will take to see it through? We are. Can Boris Johnson stay on message for a full four days? Just about. But I know there’s another big question people want me to answer. What’s my vision for Britain? My philosophy? My approach?” O que vem a seguir é uma espiral de admirações, tanto maiores quanto os adversários esperam que a Brexit lhe queime a mão e ela saúda ido RH David Cameron. É o novo conservadorismo britânico, entre a evocação de santos que dizem da traça paisagística. Mrs T aspira a uma democracy that works for everyone. Refere Benjamin Disraeli (1804–81), “who saw division and worked to heal it,” Winston Churchill (1874-965), “who confronted evil and had the strength to overcome,” Clement Attlee (1883-967), “with the vision to build a great national institution,” e Lady Margaret Thatcher (1925-2013), “who taught us we could dream great dreams again.” Elenca agenda reformista, pois, “from Edmund Burke [1729-97] onwards, Conservatives have always understood that if you want to preserve something important, you need to be prepared to reform it. We must apply that same approach today.” Enquanto, ao detalhe, com “a fairer economy,” traça a visão de uma Global Britain, a Great Meritocracy, afirma preto no branco que é tempo de rejeitar “the ideological templates provided by the socialist left and the libertarian right and to embrace a new centre ground in which government steps up – and not back – to act on behalf of us all.”

 

A isto, como respondem as oposições? Os Liberal Democrats censuram o Brexiting mas o Labour antes opta pelo out of the game, com as franjas a visarem medidas como a seleção académica, as estatísticas da emigração ou o regresso do… patriotism. Mas o discurso vale pelos efeitos que gera nos mercados, somado que é à tese ideológica de Mrs T May o anúncio da “Great Repeal Bill” para March 2017. A eventualidade de o UK sair do mercado único europeu lança chamas entre os Remainers. A agitação é forte após flash crash da libra. A par da reciclagem das cifras negras nas manchetes de jornais sobre o custo da Brexit e da intriga infundada sobre dissenções dos Brexiters sentados no Cabinet Office, ex ministros do Cam Govt e da campanha do Stronger In (in the EU) unem esforços com MPs all-parties na barragem aos planos de Downing Street. Em manobras andam RHs Anna Soubry e Nicky Morgan, o Lib Dem Brexit spokesman RH Nick Clegg e ainda o anterior Lab leader RH Ed Miliband, clamando por voto em Westminster em torno do Article 50 que abre aos tratos com Brussels. Mrs Morgan unifica posições nas Sunday Politics: "There are a lot of us that feel it would be extraordinary - given that the Brexit vote was about the sovereignty of Parliament, about making our own laws, taking back control - for Parliament not to have a big say in the Brexit negotiations."  Mr Miliband mais resume: “MPs must get a vote on hard Brexit." Na House of Commons esclarece hoje o Brexit Secretary RH David Davis que o HM Government “will reject any attempts to undo the result of the EU referendum.”

 

Para variar, observemos a jornada para o 1300 Penn Avenue. I have no dog in that race, until now! A campanha presidencial norteamericana desde o início que prefigura o insólito, com um candidato republicano vindo dos domínios do star tv trash, tipo obnoxious plus, com milhões investidos no turismo, casinos e campos de golfe. A partitura eleitoral do “none of the above” garante-lhe o passaporte no Old GOP dos US Presidents Abraham Lincoln ou Ronald Reagan. Ora, o fulano é simplesmente mais um misógino.

O paradoxo de Abilene é que, por isso mesmo, segue em frente. Mas visualizar um tal indivíduo como próximo líder do Free World é… algo surreal! Assim: For something rather similar, antes uma excelente notícia para as últimas linhas tomada do serão na ITV. A série “Victoria" encerra o oitavo episódio com o love & affection do Prince Albert, a tentativa de assassinato em Constitution Hill e o nascimento de Victoria em 1840. A fechar vem a revelação: “Victoria will return in 2017.” O meu aplauso. — Well! As young Master Will notices in the poem Venus and Adonis: — Love comforteth like sunshine after rain.

 


St James, 10th October 2016

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

A tale of two conventions, 2016

 

Que escreveria Mr Charles Dickens entre Cleveland e Philadelphia após visionar as convenções partidárias republicana e democrata nas eleições para a US White House? Aquele é o melhor dos candidatos, aquele é o pior dos candidatos, é o discurso da sabedoria, é o discurso da temeridade, é o voto do acreditar, é o voto da incredulidade, é a mensagem da luz, é a mensagem das trevas, é a primavera da esperança, é o inverno do descontentamento, tudo temos diante de nós, nada temos diante de nós, todos vamos diretos para o céu, todos vamos diretos no caminho contrário.

As arenas da aclamação de Mr Donald J Trump e Mrs Hillary R Clinton dizem tanto das dissemelhanças presentes quanto dos futuros imperfeitos. — Chérie! Aux grands maux, les grands remèdes. O novo comissário britânico em Brussels recebe a pasta da segurança em pleno European bloody Summer. Com o Isis a reivindicar ataques em France e Germany, dois jihadistas assassinam um padre católico numa igreja da Normandy. Face à barbárie sacrílega, crentes da cruz e do crescente oram juntos na catedral de Notre Dame (Paris) — Humm! Do not burn the candle at both ends. A IMF Director Christine Lagarde vai a julgamento como negligente ministra das finanças, pelo pagamento de €400m públicos a famoso empresário num diferendo com um banco estatal. Três banqueiros irlandeses são condenados a penas de cadeia por fraude financeira de €7bn. Pope Francis medita no Auschwitz Camp (Poland).

 

Rainy and cloudy summertime at the City. O habitual murmurinho em torno do Thames River sobe de volume no weekend. Não bastara a tradição corbynista dos protestos em Westminster Disctrict como nova modalidade de repouso semanal para as massas em processo apressado de consciencialização classista, eis ruas e pontes fechadas ao trânsito em virtude da invasão de milheirais ciclistas na RideLondon 100. A cor da corrida é escoltada pela tensão dos nativos. Problemático é circular nas 100 milhas condicionadas entre a partida do Queen Elizabeth Olympic Park, em Stratford, as voltas pelo Surrey e a meta em pleno Mall! Uma emoção, todavia, aberta com excêntricos amadores na Saturday’s RideLondon FreeCycle rodando desde a Central Lon de Blackfriars, Trafalgar Square e Chelsea Embankment ao East de Tower Hill ou West Knightsbridge. A quadrar os espíritos, HMaj Government delay o projeto Hinkley Point C. Para aferir do alvo, interesse pátrio e efeitos externos, note-se que a primeira central nuclear do UK em 20 anos vale £18bn a edificar em Somerset e tem financiamento chinês e tecnologia gaulesa. Na valsa política avulta analogamente um aviso à navegação emitido pela House of Lords. Os pares eurófilos querem a Brexit sob escrutínio prévio e prefiguram uma crise constitucional se acaso enveredarem por refrear a vontade popular expressa no referendo de June 23rd. Já a Prime Minister RH Theresa May prossegue impassível nos preparativos de an orderly departure da Union. Recebe no No. 10 o Irish Taoiseach Enda Kenny e visita Rome, Warsaw e Bratislava, avistando-se com os homólogos Mr Matteo Renzi, Mrs Beata Szydło e Mr Robert Fico. O tom tranquilo destes encontros é sintetizado na capital italiana pela Premier: ― “[W]e have talked not just about a successful Brexit but also about how we work together (…) to respond to the complex global challenges we face.” Donde: terrorismo e emigração sobre a mesa. 

 

A suavidade diplomática da senhora contrasta com agendado furor legado pelo seu antecessor. Na hora de dizer adeus a Downing St, RH David Cammeron elabora listagem de honrarias para amigos, aliados e… Remainers. Destinadas a premiar feito ou serviço mor. as reações de insatisfação variam no tom e no grau, não no sentido. Uns recordam ter o autor distinguido o seu cabeleireiro com notável MBE (Member of the British Empire) já em 2014, enquanto outros comparam o gesto atual com o cash for honours’ scandal que prende RH Tony Blair a censura de trocar peerages por apoios que salvam o Labour Party da bancarrota em 2006. Seja como seja, o dignificado rol declara a grandeza pública de privadíssimo thank you a pessoas que o ido PM quer inscritas na restrita elite de cavaleiros e damas radicada na ordem de cavalaria criada pelo King Edward III em 1348 ― em cujo livro fundacional de Bruges surgem os brasões de João I de Portugal e dos Algarves. A seleção de Cam tropeça no eixo gregário das insígnias. Exemplo dos novos virtuosos? Ms Isabel Spearman, conhecida como "Samantha Cameron’s Girl Friday" por organizar as roupas e o calendário social de Mrs Cameron, bem como Mrs Thea Rogers, a special adviser do ex Chancellor George Osborne a quem são creditados moderno penteado e sã dieta do outrora residente no No. 11. O apreço pela domesticidade escolta a estima por quantos ainda andaram com o honorável Dave na desafortunada campanha euroreferendária. Aqui aparecem Mr Ian Taylor e Mr Andrew Cook (que pede excusa), duo com doações milionárias a Tories e ao Stronger In, a par do trio de estrategas do Project Fear — Mr Will Straw, Mr Dan Korski e o mastermind RH G Osborne. Afinal. esta é linhagem de meritocratas que tem por divisa o eduardino Honi soit qui mal y pense.

 


Também o turismo político que regularmente disputa o centro histórico de London traz consigo coisas de pasmar. A última tirada digna de nota sai de protesto contra o racismo e o fascismo, no segmento anti escravatura. Depois da maré contra as estátuas dos arquitetos do império, guilty of colonialism, avança vaga dos justiceiros históricos. O pregão honra o melhor costume de piratas e flibusteiros, porquanto algures coteja com engenhoso mapa do tesouro.

Os ativistas sustentam com estridência que o reino deve triliões de libras a quantas terras demandou e aos descendentes de quantos nos séculos por lá adquire, trafica e escraviza. Uma destas profissionais de cartazes marchados pelas ruas explica caso particular: o justo face ao passado do comércio humano de há 500, 400 ou 300 anos é agora pagar-lhe cheque por slavery post traumatic disorder. Aprecio a inventiva. Cá por casa, sugerem-se as ricas embaixadas em volta para envio de merecidas faturas. As invasões bárbaras são campo fértil. Dos vikings aos romanos e teutónicos passa-se para saxões e a cada investida equivale reparação com vários zeros na coluna do haver. A soma final não terá sequer centúria, latitude ou senso como limite. — Ho-ho! Even Master Will puts the fallen king claiming for peculiar trade with the slave Catesby in Richard The Third: A horse, a horse! My kingdom for a horse! | Withdraw, my lord; I'll help you to a horse. | I have set my life upon a cast, / And I will stand the hazard of the die.

 

St James, 2nd August

Very sincerely yours,

V.