Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!
Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!
É mais ameaçador admitir que para manter uma instituição há que mentir, ou que não mentir é algo mais ameaçador que nos faz passar para um mundo sem norma?
É uma questão desestruturante, uma interrogação agudíssima, pois o que significa o caos? Tudo tem e não tem sentido? Qual a chave interpretativa?
Há em estes questionares, uma espécie de incandescência dos pensamentos. Vai-se a muitos lados numa estimulação e num entusiasmo que, quando se sai disso, o mundo amornece tanto que falece em pouco.
No entanto, continuará a vir das perguntas a efervescência da criação, da inteligência, da novidade que estimula a inovação, e pelo bom caminho começa o laço com as coisas que saem por entre os céus do puro idealismo e entram na comunhão de bens com a realidade.
As temáticas das conferências multidisciplinares e rigorosas passam então por saber o que é preciso para sorrir com uma agilidade intelectual tão espantosa, tão amorosa que envolva o imprescindível respeito pelo que é vivo e pela sua condição neste mundo.
A minha homenagem por quem nos deixou há pouco tempo.
Refiro-me a Jane Goodall e à sua lucidez obsessiva para que se redefinisse Homem, para que ele redefinisse o seu interior e o enfrentar-se, para que saísse do seu pedestal e se entendesse por entre as mentiras mais aproximadas das verdades que pudesse consciencializar.
Este um dos grandes fragmentos em falta na vida social humana: a auto-reflexão.
Com profunda humildade agradecerei sempre a Jane Goodall a grande viagem e o imenso despertar, a clareza do quanto a mentira é quando não se compartilha o alimento.
É condição de êxito na vida o entendimento funcional de comportamentos que nos facultam a estreita união com o mundo. E tanto basta afinal a uma resposta que constitui o nosso grande equipamento.
Tudo o que nos confere vantagens adaptativas ao crescimento em graus de atividade e latência, confere-nos combinações de raciocínios e sentires, a partir dos quais se desimpedem pensares aos quais se atribuíram enormíssimas importâncias, quando não, superioridades medidas apenas pelos ralos de ângulos secos.
Jane Goodall, primatóloga, é doutorada em Etologia pela Universidade de Cambridge, e tem grau de Doutor Honoris Causa em mais de 45 universidades do mundo.
Jane Goodall, é e foi a experiência luminosa e exaltante, vivida e transmitida pela complexidade de pasmosas singularidades:
um lance ao invés de tudo.
Compartilhamos 98,6% de nosso DNA com os chimpanzés, mas o mundo sabia muito pouco sobre eles até que Goodall, a cientista britânica chegou a Gombe (Tanzânia), em 1960 e seis décadas depois, cada fórmula de verdade decifrada, ajudaram o mundo a refletir o quanto se ampliarmos a visão do grão, sempre outros pormenores se mostram imprescindíveis ao mistério do mundo; o quanto um constructo conforme à indagação nos ajuda a refletir sobre o que é ser humano e como contribuir para um mundo mais sustentável e consciente.
Questionada em 2010 se acreditava em Deus, a antropóloga respondeu:
"Não sei quem é ou o que é Deus. Mas acredito num poder espiritual maior. Sinto em particular quando estou na natureza. É algo maior e mais forte do que qualquer outra coisa. Sinto-o e isso é suficiente para mim".
“Eles buscam o contato físico para aliviar o nervosismo ou o estresse. É muito parecido connosco."
E acrescenta:
"Foi muito chocante descobrir que, como nós, eles podem ser brutais e até mesmo travar uma espécie de guerra. Eles também podem amar de forma altruísta. Eles mostram os dois lados da natureza".
Jane Goodall descobre também que o fabricar e o próprio uso de ferramentas não é atributo exclusivo dos humanos e a essa constatação respondeu Louis Leakey:
TEMOS DE REDEFINIR FERRAMENTA; REDEFINIR HOMEM
Digo, com profunda humildade que a grande viagem e o grande despertar dão-nos o limiar de expressão, de motivação para desencadear um comportamento e um paralelismo com a própria oferenda ritualizada, oferenda que simboliza intuições propiciatórias em sucessivos movimentos de intenção.
De registar que Jane Goodall chegou a ser acusada de antropomorfismo, o pior dos pecados etológicos.
Enfrentou igualmente a comunidade científica por ser jovem e por ser mulher.
Constatou o quanto os humanos se não redefinem no seu interior, o quanto não saem do seu pedestal para entender que outros seres também têm emoções, são inteligentes, sentem empatia e dispõem de um sistema social próprio.
Compartilhando alimento
Jane Goodall, bem tem conhecimento que os primatas que desejam a paz, têm de desviar a arma da direção do seu adversário: movimento e forma têm um significado conhecido de todos, enfim.
Em rigor, adotar um sistema de escala de dominâncias isolando indivíduos, exprime zonas claras de intolerância e desencadeadoras de medos que apenas submetem e humilham para comandar.
Eis os grandes fragmentos da vida social humana.
Eis como os fenómenos da catação inspiram as hierarquias sociais a um estatuto que as conduz aos objetos em disputa que lhes darão credibilidade e poder, e sem pudor, os excessos de visualização dos humanos expõem-se como se se não tratasse de verdadeiros comportamentos agressivos.
“O que você faz, faz a diferença, e você tem que decidir que tipo de diferença você quer fazer.” (Jane Goodall)
O desafio é o da visão lúcida! Sempre foi! E só a partir daqui se iniciam as mudanças do todo que igualmente sempre foi composto por partes que se influenciam mutuamente.