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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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A VIDA DOS LIVROS

de 14 a 20 de dezembro de 2020

“Uma História da Leitura” de Alberto Manguel (Tinta da China, 2020) fala-nos do prazer da leitura e da relação que se estabelece entre leitores e livros, ultrapassando as barreiras do tempo e do espaço e permitindo o que Quevedo designou ‘conversas com os mortos’…

BIBLIOTECA VIRTUOSA
“Uma biblioteca antes de o leitor exercer uma escolha é como o caldo primordial de átomos do qual toda a vida emergiu. Está tudo ao alcance de uma pergunta: cada ideia, cada metáfora, cada história, a identidade de cada leitor individual. As escolhas que faço numa biblioteca, a seleção de livros que mais prezo, denunciam não só a minha visão do Paraíso, mas também a minha identidade. A verdade é que sempre senti que a minha experiência do quotidiano, assim como uma certa compreensão dessa experiência, me chega através das minhas leituras. Em criança aprendi sobre o amor lendo histórias d’As Mil e Uma Noites, sobre a morte com os policiais, sobre o mar com Stevenson, sobre a selva com Kipling, sobre a possibilidade de aventuras extraordinárias com Júlio Verne. A experiência tangível chegou, na maioria dos casos, muito mais tarde, mas quando chegou eu tinha palavras para a nomear”. Alberto Manguel recorda-nos, assim, algo que é familiar para quem gosta de livros e de bibliotecas. As coisas passam-se normalmente desta maneira. Começa-se a amar os livros como objetos. Entusiasmamo-nos com as suas capas, com as suas encadernações, depois chegamos às imagens que os ilustram e à curiosidade de perceber o que significam, nesse sentido os Dicionários e as Enciclopédias ilustradas constituem lugares extraordinários, porque as ilustrações e os sentidos estão por definição próximos, em seguida entusiasmamo-nos pelas capitulares, até às narrativas e ao seu fantástico desenvolvimento. Não por acaso, as capitulares ricamente decoradas enchiam os mais antigos códices e a última edição do livro de Manguel tem na capa uma capitular, um L, como não poderia deixar de ser… A paixão da leitura constitui um processo complexo, como acontece na História da Humanidade, tudo começa pela oralidade, ainda antes de nascermos, quando ouvimos a voz da nossa mãe, primeiro conversando connosco ou entoando uma melodia, depois contando uma história muito simples, sobre o tempo em que os animais falavam, e a pouco e pouco vamos entendendo o mundo através dessa voz, dessas narrativas, desses poemas. Para mim, os livros de ilustrações não foram o princípio, mas depressa entendi a sua extraordinária importância e por ainda hoje me deixo fascinar pelas histórias de quadradinhos. Se comecei a amar os livros como objetos, foi porque nasci rodeado de livros muito sérios, enchendo paredes até ao teto, que fui descobrindo como caixas de surpresas muito ordenadas… Era muito difícil chegar as livros mais altos, mas felizmente o que se designa como obras de referência estão sempre à mão, que o mesmo é dizer nas prateleiras de baixo.


VINTE ANOS DEPOIS
Alberto Manguel regressou a este seu livro vinte anos depois (como o tempo que Alexandre Dumas escolheu para reencontrar os mosqueteiros), e sentimos que a atualidade está plenamente viva. E lembra-nos o tempo em que pôde ser leitor para alguém que estava a perder a visão, como Jorge Luís Borges, e esses diálogos são demonstrações de como a leitura é a descoberta do mundo. Umberto Eco disse, por isso, que podemos viver pelo menos cinco mil anos, lendo, porque esse é o tempo da história da nossa civilização… Essa é a demonstração de como ler é cumprir o que Quevedo afirmou, fazendo da memória algo presente – como algo de sublime. Desde a sabedoria de Salomão até aos contos de Borges, estamos, afinal, a antecipar o encontro com Dante na antecâmara do Paraíso. No fundo, aprender a ler é entrar plenamente no mundo da vida. “A criança que aprende a ler é admitida na memória comum por via dos livros e descobre, assim, um passado partilhado que ele ou ela renova, em maior ou menor grau, a cada leitura». Lembro bem o momento em que minha mãe me ajudou a decifrar as primeiras páginas da “Cartilha Maternal” – e não esqueço os tempos exaltantes em que ajudei os meus filhos e os meus netos na aprendizagem fundamental da leitura. E só um poeta talentoso como João de Deus poderia ter criado um sistema tão atraente, eficaz e duradouro… É certo que todos os métodos são bons desde que os seus resultados sejam positivos, mas ficamos para sempre ligados ao que seguimos. Afonso X, o Sábio, escritor maior da nossa língua, disse um dia: “Bem e lealmente devem os professores mostrar o seu saber aos discípulos, lendo-lhes livros e fazendo-os compreendê-los o melhor que forem capazes…” E acrescentava o carácter insubstituível dessa relação, pessoal e íntima. “Uma História da Leitura” é um percurso multifacetado com mil circunstâncias e exemplos sobre o prazer da leitura. E se digo prazer é porque essa relação tem de ser cultivada. Não escolhi nascer na biblioteca de meu avô, professor de profissão entre outros ofícios. Concedo que tive condições especiais para essa paixão.


Guilherme d’Oliveira Martins

Oiça aqui as minhas sugestões – Ensaio Geral, Rádio Renascença

CRÓNICAS PLURICULTURAIS

 

67. EM REBUSCA DO HÁBITO DA LEITURA


A escrita foi o coração da civilização, substituindo a fala.


Na língua oral, de trato quotidiano, uma vez lançada a mensagem, o processo está feito, extingue-se. 


Na língua escrita, a sua mensagem não morre, perdura, por maioria de razão se mais elaborada e usada na literatura.   


Há o provérbio latino, segundo o qual: verba volant, scripta manent, ou seja: o que se diz voa e perde-se no ar; o que se escreve permanece, tem a garantia da perenidade.


A linguagem oral é conjuntural, a escrita é estrutural. 


O livro foi o melhor amigo da escrita, a que acresce o jornal.   


A aprendizagem e o hábito da leitura, foram imprescindíveis para o progresso civilizacional.


A leitura procurava o livro (e o jornal) numa reciprocidade de benefícios e interesses. Livros e jornais eram o ícone da leitura (em especial o livro) e esta o seu arquétipo. Hoje a leitura tende a ser cada vez mais arqueológica, livros e jornais são menos procurados e lidos, a caligrafia e escrita manual é uma relíquia, tanto mais requintada se em tinta permanente.   


Surgiu o telemóvel, o novo ícone, cuja leitura agressiva, aleatória, chamativa, imediata, impulsiva, programada (a gosto) e velocista o universaliza, tornando os leitores mais primários, impulsivos e menos exigentes, prejudicando a leitura como hábito de pensar no seu sentido crítico e racional, não ajudando a meditar e pensar com vagar.


A velocidade contagiosa da internet difunde um sempre mais e mais da notícia de leitura curta, rápida e ao minuto, marginalizando outras, género comentário ou ensaio, porque não interessam ou não há tempo, argumenta-se, fomentando-se a informação acrítica, consumista, descartável, de pobreza vocabular, por vezes manipuladora e falsa.


A disrupção digital ensina que a aprendizagem e a leitura se devem submeter à velocidade, ao não aprofundamento, à banalização linguística, anulando a reflexão e o tempo para pensar.   


A palavra, por natureza, é racional, exige triagem, distância, raciocínio e sentido crítico, precisa ser escrutinada, pertence ao terreno da escrita e só nesta tem verdadeiro sentido, necessita de valer por si e não ser meramente submetida ao império amoral, autoritário, funcional e utilitário da tecnologia.  

 

27.11.2020
Joaquim Miguel de Morgado Patrício 

A VIDA DOS LIVROS

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  De 28 de setembro a 4 de outubro de 2020

 

Ao celebrarmos o centenário do nascimento de Ray Bradbury (1920-2012), o autor de Farenheit 451, de 1953, podemos neste tempo refletir sobre o sentido autêntico dos temas do destino dos livros e da força da memória.

 

CNC _ Ray Bradbury autor de Farenheit 451.jpg

 

CONTINUAREI A LER LIVROS

Há uns anos numa das suas crónicas Javier Marías afirmava isto mesmo, para demonstrar que o debate tantas vezes repetido sobre o fim do livro em papel deveria ser considerado com especiais cautelas e sem simplificações. Presenciamos uma evolução muito rápida e profunda sobre a comunicação. A comunicação digital sofreu nos últimos meses um extraordinário progresso, ditado pelo confinamento e pelos efeitos da pandemia. É verdade que muito do que se assistiu, já estava em curso, e se não tivesse havido antes avanços tecnológicos tão significativos, não teria sido possível com tanta rapidez, pôr as pessoas em diálogo, através das redes de informação e comunicação. As conferências “em linha”, os “webinars”, o ensino a distância tornaram-se uma realidade nova, com virtualidades e limitações. E as redes sociais prosseguiram, com as enfermidades conhecidas, com circuitos fechados e microcosmos empobrecedores, mas longe de terem esgotado as suas vantagens… E a leitura? Curiosamente, há sinais vários e até contraditórios, sobre a sua importância, bem como muitas dúvidas e perplexidades. Houve muitas interpretações sobre o sentido do conto “Bright Phoenix” (1947) e o livro que se lhe seguiu e o escritor passou uma boa parte do tempo a desmentir muitas das interpretações pseudopolíticas, dizendo apenas que idealizou e escreveu a obra na Universidade da Califórnia, na biblioteca Powell, com uma máquina de escrever alugada, com o objetivo de prevenir a sociedade de consumo para risco do fim dos livros e das bibliotecas e para um consequente suicídio da humanidade. Contra os riscos totalitários, contra o esquecimento da importância do tempo e da reflexão, o que animou Bradbury foi um profundo amor pelo livro, pela leitura e pelas bibliotecas – como fatores de liberdade. Muito do que afirmou no livro e em comentários subsequentes tornou-se uma realidade quase profética – e o certo é que, nesta última emergência pandémica, houve pequenos sinais (como o escritor também encontrou na sua narrativa) que apontam para que o livro e a leitura são fatores essenciais que asseguram a liberdade e a responsabilidade e podem prevenir contra a manipulação, a simplificação e a emergência de novas formas de servidão. Mas a grande vantagem do livro e da leitura está na demonstração da imperfeição humana. De facto, podem trazer-nos o melhor e o pior, a qualidade e a mediocridade, como na vida.

 

COMO ERRADICAR O ANALFABETISMO?

O primeiro país a erradicar o analfabetismo foi a Noruega, porque a igreja reformada luterana proibiu o casamento de mulheres analfabetas, para que todos pudessem ler a Bíblia. Assim passou de 80% de analfabetos no início do século XIX para zero por cento, geração e meia depois… Quando em 1990 a UNESCO proclamou o objetivo da “Educação para todos” deu especial ênfase à educação das mulheres – e onde os programas têm sido postos em prática a generalização da leitura tem permitido combater a fome, a doença e a miséria. Ler um poema, contar uma história, cultivar a memória, conhecer os programas de vacinação, as bulas dos medicamentos e as regras da maternidade responsável, salvam vidas humanas. Compreendo o amor de Bradbury aos livros e à leitura, sendo suspeito porque nasci e tenho vivido rodeado de livros, mas não se trata apenas de um gosto egoísta pelo calor e pelo cheiro dos livros. Trata-se do cerne da cultura. Os livros, porém, como as pessoas são diferentes, com qualidades e defeitos. Quando em pequeno me ofereciam um livro novo, desembrulhava-o, a tinta nova inebriava-me e recebia-o como uma visita. Já disse tantas vezes que os Dicionários e as Enciclopédias foram a minha perdição na biblioteca de meu avô. Passei dias esquecidos com eles. Aí conheci Garrett e Herculano, mas também Plutarco, o grande mestre da biografia na coleção inesquecível dos “Cadernos Culturais” da Editorial Inquérito, de Eduardo Salgueiro. Aí encontrei uma verdadeira enciclopédia ao alcance da mão – Licurgo, Sólon, Péricles, Cícero. Mas nos cadernos havia também António Sérgio, Sílvio Lima, José Régio, Nemésio, Casais Monteiro. Foi Agostinho da Silva (bom amigo, graças a Mário Soares) que me deu a conhecer Fernando Pessoa, na coleção de filosofia dos Guimarães. Só mais tarde encontrei Eduardo Lourenço, graças a António Alçada na “aventura da Morais”. Era o tempo dos pequenos cadernos. Os da “Seara Nova” traziam-nos a melhor literatura. O amor da poesia vem de lermos e decorarmos. Ah! Os clássicos: Camões, Vieira, Bocage (tão esquecido), Cesário, Antero, Camilo Pessanha, Sebastião da Gama, Daniel Filipe… E há o gosto pelo teatro, e em especial por Gil Vicente. Maria Germana Tânger ensinar-me-ia a dizer e não a declamar. E Rómulo de Carvalho leva-nos até à “Ciência para Gente Nova”. A “História do Átomo” ou a “História dos Balões” foram lidas e relidas com um prazer enorme… Depois as enciclopédias francesas, a começar no imprescindível Larousse com as ilustrações de uma edição do princípio do século XX. E o vício dos pequenos livros continuou com o “Que sais-je?”. Era puro prazer, e a exigência correspondia, no fundo, ao conhecimento pela narrativa, que nos permitia entender questões complexas – e aprendi que a clareza é a melhor pedagogia, por passos sucessivos e seguros…

 

LER DE COR

Devorávamos livros porque eram pequenos e acessíveis. E ganhávamos treino para ler Júlio Dinis, Camilo e Eça – e tudo o mais… Poderia dar mil exemplos. O design dos livros originava verdadeiras obras de arte – Sebastião Rodrigues, Daciano Costa, Emmérico Nunes, Fernando Lemos, Mily Possoz, Paulo-Guilherme, José Brandão… De que falo, afinal? Do amor da leitura e dos livros, que é algo dificilmente definível. Hoje o vício de leitura chega, naturalmente, às versões digitais e aos e-books. Ler é ler e para quem tem o vício, ele chega a toda a parte. Sei que as publicações em papel terão um futuro condicionado. Mas os livros continuarão a ser fundamentais. Vai mesmo nascer um tempo em que a digitalização das obras e a sua disponibilização ao grande público criará um interesse redobrado pelas edições em papel de qualidade. Haverá livros de que não poderemos prescindir, aptos a ser folheados e sublinhados. E haverá obras de referência disponíveis através das redes digitais. E continuaremos a ter a biblioteca como mito, segundo o entendimento de Alberto Manguel. De facto, “a Biblioteca de Alexandria foi concebida para fazer mais do que somente imortalizar. Devia registar tudo o que tivesse existido e pudesse ser registado, e esses registos deviam originar mais registos, num infindável rasto de leituras e glosas, que produziriam, por sua vez, novas glosas e novas leituras. Devia ser uma oficina de leitores, não apenas um local onde os livros fossem preservados para todo o sempre”… (A Biblioteca à Noite, Tinta da China, 2016).  

 

Guilherme d’Oliveira Martins
Oiça aqui as minhas sugestões – Ensaio Geral, Rádio Renascença

 

A VIDA DOS LIVROS

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  De 13 a 19 de abril de 2020

 

Marcel Proust escreveu um pequeno ensaio intitulado Sobre a Leitura, (trad. José Augusto Mourão, Vega, 1991) que merece ser lido com atenção, nestes dias de confinamento.

 

Sobre a Leitura.jpg

 

LIVROS PREFERIDOS

“Talvez não haja dias da nossa infância mais plenamente vividos que aqueles que julgamos deixar sem os viver, aqueles que passámos com um livro preferido”. Foi Marcel Proust quem o disse no seu pequeno ensaio que serviu de prefácio à tradução que fez de Sésame et ses Lys, de John Ruskin, sob o título “Journées de Lecture” Não por acaso, foi Ruskin quem considerou a leitura como o grão de sésamo, pão para o espírito e remédio contra a ignorância dos povos, tesouro escondido da arte de educar. Não falamos, porém, de algo abstrato, mas de uma realidade que tem a ver com a essência das artes e que corresponde ao facto de as gerações comunicarem entre si pela cultura ao longo dos séculos. Umberto Eco dizia, por isso, que a diferença entre quem lê e quem não lê, está em que uns viverão no máximo algumas décadas, enquanto os que leem podem “viver” o correspondente a cinco mil anos, que é a idade da civilização. E que é ler? Não apenas o ato de nos isolarmos num mágico encontro, mas o de podermos usufruir do prazer da transmissão sempre renovada no tempo da palavra. Sabemos que foram os “aedos” da antiguidade que transmitiram aos povos oralmente os grandes poemas… Mas não precisamos de ir tão longe. Basta lembrarmo-nos dos contos tradicionais que ouvimos na nossa infância da boca dos mais velhos. Não esqueço as diversas versões desses relatos que ouvi a uma das minhas avós – a ponto de pedirmos este ou aquele desenlace, de acordo com o que antes tínhamos ouvido. Tenho nos meus ouvidos a voz de minha Mãe a recriar as fábulas tradicionais… E recordo a leitura compassada do dia-a-dia de um ano escolar descrito por Edmundo de Amicis, em “Il Cuore” (“Coração”), obra realizada para ajudar as escolas na unificação italiana. Nunca esquecerei “O pequeno escrevente florentino” e as palavras desse extraordinário relato de solidariedade filial: “Era um gracioso florentino de doze anos, negro de cabelos e alvo de rosto; filho mais velho de um empregado dos caminhos-de-ferro que, tendo muita família e pequeno ordenado, vivia com dificuldades. O pai estimava-o muito, e era bom e indulgente com ele em tudo, menos no que se referia à escola. (…) E por muito que o rapaz estudasse, o pai exortava-o sempre a estudar mais”… No entanto, Júlio, assim se chamava ele, ajudava, às escondidas, o pai a adiantar o trabalho noturno de escrever os endereços em cintas para uma editorial. Mas a falta de sono começou a afetar o aproveitamento do jovem estudante. E o pai não percebeu que se tratava do resultado da generosidade do filho… O relato era seguido com atenção. Aquele como os outros. A cada palavra correspondia uma imagem impressiva – de afeto e angústia.

 

LEITURA EM VOZ ALTA

A leitura em voz alta, com as palavras claras e bem compassadas envolvia ainda a recordação de poemas inesquecíveis ou de passagens de Sermões do Padre António Vieira. Posso dizer que o prazer da leitura começou pela audição desses textos ou pela sua memorização. De Camões, havia uma pequena edição do centenário de 1880, que permitia ler e ouvir a bela expressão de um português tão belo e tão próximo… “Alma minha gentil que te partiste”; “Aquela triste e leda madrugada”; “Sete anos de pastor Jacob servia”; “Perdigão perdeu a pena / Não há mal que lhe não venha”; “Erros meus, má fortuna, amor ardente”… E havia ainda o “Romanceiro” de Garrett e a “Nau Catrineta”, num relato de tentação e ventura – “Lá vem a Nau Catrineta / Que tem muito que contar! / Ouvide, agora, senhores, / Uma história de pasmar”… E Antero de Quental tinha um lugar especial no culto da memória familiar (“Num sonho todo feito de incerteza / De noturna e indizível ansiedade”…) – para não falar de João de Deus, Cesário, Camilo Pessanha ou Fernando Pessoa… Felizmente, ao chegar ao Liceu de Pedro Nunes, encontrei em Maria de Lourdes Lapas de Gusmão, uma cultora fantástica da leitura em voz alta. E com que prazer chegávamos à segunda-feira, para ouvirmos e lermos a “Odisseia”, mergulhando na mitologia grega e na viagem iniciática de Ulisses. A leitura em voz alta permitia podermos lidar naturalmente com a sintaxe, o Dicionário e os segredos da etimologia. Era a edição de João de Barros, da Sá da Costa, contada às crianças e lembradas ao povo. E continuámos com a “Eneida” e seguimos para “As Minas de Salomão” na companhia inconfundível de Alão de Quartelmar, devidamente reformulado por Eça de Queiroz.

 

LEITORES COMPULSIVOS E NÃO TANTO…

Voltando ao ensaio de Proust, o prazer da leitura em voz alta e a aprendizagem de cor de textos referenciais, leva ao gosto de ler no exercício pessoalíssimo de recato e de silêncio, como um “prazer divino”, tantas vezes inoportunamente suspenso pelo “jogo para o qual um amigo vinha buscar-nos na passagem mais interessante, a abelha ou o raio de sol incomodativos que nos obrigava a levantar os olhos da página ou a mudar de lugar, a merenda que nos tinham obrigado a levar e que deixávamos ao lado sobre o banco, sem lhe tocar, enquanto por cima da nossa cabeça, o sol diminuía de força no céu azul, o jantar por causa do qual tinha sido preciso voltar para casa e durante o qual não pensávamos senão em ir lá para cima para terminar logo a seguir, o capítulo interrompido…”. Quantos de nós não sentimos isto mesmo. E quanto a leitores compulsivos, é superior às suas forças poder resistir a esse prazer incontido. Dir-se-á que hoje cada vez menos se lê. Não é assim. Há motivos de preocupação, mas não devemos simplificar. Há excelentes leitores, ao lado dos renitentes. Essa é a experiência corrente. Conto os exemplos mais diversos, a começar nos leitores compulsivos, para quem se aplica o que nos diz Marcel Proust, e os pouco motivados. O meu conselho é sempre de que a leitura do puro prazer não pode confundir-se com sacrifício. Do que falamos é da leitura que nos dá gosto e que permite entender melhor o mundo e a vida… Ler é um sinal de atenção e de cuidado. A leitura atenta permite tomar contacto com a cultura e as artes e ter informação sobre a realidade que nos cerca – desde a comunidade em que vivemos às bulas dos medicamentos. Temos de ser exigentes. Tanto se salvam vidas com a leitura motivadora de um poema como com a leitura de boa informação médica ou cívica. Não há, porém, receitas para criar leitores. Criam-se bons leitores pelo bom uso da língua e de uma comunicação clara, compreensível, correta e atraente. E se falamos de boa leitura, não esquecemos o teatro e o canto. Temos de conhecer os clássicos, para que o verbo e o vocabulário sejam rigorosos, mas simples. A leitura e as artes estão intimamente ligadas. A desvalorização da retórica e da oratória e o desconhecimento dos melhores cultores da língua são sinais de pobreza cultural. Por isso, é importante cultivar a leitura em voz alta e a aprendizagem de cor de belos textos ou poemas. Precisamos de saber colocar a voz e de prevenir e não cometer erros gramaticais. Não se trata de formar gramáticos, mas de assegurar uma boa cidadania, para que sejamos compreendidos por todos.

 

Guilherme d'Oliveira Martins
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A VIDA DOS LIVROS

De 3 e 9 de junho de 2019

 

 

«Dicionário do Livro – Da Escrita ao Livro Eletrónico» de Maria da Graça Pericão e de Maria Isabel Faria (Almedina, 2008) constitui um repositório muito completo, de consulta indispensável, que permite uma boa compreensão das perspetivas passadas, presentes e futuras sobre o livro e a leitura.

 

Dicionário do Livro – Da Escrita ao Livro Eletr

 

UMA FUNÇÃO INSUBSTITUÍVEL
O tema do futuro do livro tem sido muito glosado e nem sempre com o uso de bons argumentos. Há muitas vezes simplificações que esquecem o essencial. Em primeiro lugar, o livro e a leitura são peças fundamentais na aprendizagem – e o certo é que não há desenvolvimento humano sem leitura e aprendizagem. Questão diferente é a de nos perguntarmos sobre o futuro do livro impresso. Nesse ponto, importa fazer distinções e compreender a diversidade de problemas. O livro impresso coexistirá com outros suportes de leitura. Ler no “kindle”, no “tablet” ou num livro de bolso, num livro de capa dura ou em qualquer suporte digital terá a ver com a comodidade de cada um. O livro continuará, no entanto, a ter uma função insubstituível. Aliás, é preciso dizer-se que, em virtude do aumento da escolarização, há mais livros e mais leitores, mas é essencial que haja uma boa formação na leitura. Faz parte da educação cívica ler bem, saber comunicar e apreender na leitura a diversidade cultural e a complexidade. A cultura como criação e a boa aprendizagem exigem boa leitura. Por exemplo, no caso das Enciclopédias e das obras de referência deixa de fazer sentido termos os livros encadernados nas nossas estantes – desatualizam-se rapidamente, as casas não têm espaço e o suporte digital permite uma consulta mais fácil. Quanto aos jornais diários em papel, têm os dias contados. Tornar-se-ão dispensáveis porque a internet permite uma comunicação mais fácil a todo o momento, com custos económicos mais acessíveis. Pelo contrário, as revistas ou alguns semanários com textos mais longos, ensaios de qualidade e com uma apresentação gráfica apetecível vão ter mais importância – seja em papel, seja no digital.

 

 

MELHOR INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO
Ler mais e melhor tem a ver com a transformação da informação em conhecimento e do conhecimento em sabedoria, para nos lembrarmos do célebre poema de T. S. Eliot. Não podemos esquecer, contudo, o difícil tema das livrarias, onde seja possível encontrar os livros que desejamos ou de que precisamos. Num depoimento sobre a experiência da livraria “Ler Devagar”, tive oportunidade de dizer: «Temos a presença e o calor, muito próprio dos livros, temos as estantes a chamarem-nos, e temos a extraordinária possibilidade de ir pegando nos livros, provando-os, folheando-os. Desde de que me conheço, sinto um prazer especial em deambular entre estantes e livros. E nas longas viagens que tenho feito, a lembrança está ligada a livros, a bibliotecas e livrarias. Tudo começa por planear ou preparar uma viagem, reunindo livros – mais do que roteiros: diários, itinerários, narrativas… Depois há uma escolha criteriosa para levarmos connosco alguns livros, pequenos, maneirinhos, para não serem empecilho, que nos irão libertar do tédio. E num pequeno caderno temos de fazer uma lista das livrarias a visitar… Uma viagem que valha realmente a pena tem de ter como um dos destinos da peregrinação um mundo de livros. Infelizmente, as livrarias a sério são cada vez mais raras. E se uso a expressão “a sério” é porque é preciso contarmos com o livreiro e com a possibilidade de podermos deambular entre os livros, não apenas com o que acaba de sair, posto a eito, como se estivéssemos numa loja de conveniência. E a dificuldade que há hoje para encontrar a livraria onde haja escolha e onde se sinta alma é um sério motivo de desalento. Eis por que razão «Ler Devagar» é um exemplo. Há alma, há diversidade, há clássicos e modernos, há surpresas, há possibilidade de fazer uma viagem entre os livros e pelos livros…». Lembro este depoimento, uma vez que o livro e a leitura precisam de espaços de encontro e de procura, que ocupem o lugar ancestral das velhas tertúlias. E não posso esquecer o papel fundamental das Bibliotecas Escolares – como centros de recursos e pontos de encontro e de diálogo interdisciplinar e cívico. Aliás, insistindo na formação cívica, há melhor aprendizagem com melhor leitura e melhor comunicação – já que a democracia precisa de reflexão e de tempo. A rapidez e a simplificação suscitam as notícias falsas, bem como o populismo e a demagogia. É preciso combater a tirania do imediato e da ausência de reflexão e de mediação. Daí a importância da leitura. Um mundo complexo não pode confundir as pessoas com números ou lidar com os cidadãos como se fossem seres manipuláveis. O livre arbítrio depende da autonomia individual e do sentido de responsabilidades. Só o tempo permite a ponderação e a prevenção da demagogia. As instituições precisam, para funcionar bem, de se instituir em forças mediadoras. A qualidade da democracia depende da representação e participação dos cidadãos, da existência de corpos intermédios atuantes e legítimos e de uma limitação justa e legítima do poder. Num mundo complexo é preciso que a simplificação não ponha em causa a justiça nas decisões. Não se esqueça que muitas instituições antigas e prestigiadas por esse mundo fora exigem que as decisões importantes sejam tomadas depois de os responsáveis terem pelo menos uma noite de reflexão. Dormir sobre os assuntos é garantir a ponderação, que é o contrário de pedir votos instantâneos e sem limites. Numa palavra, o livro e a leitura são peças essenciais numa sociedade civilizada, capaz de combater a tirania e a ignorância – e de dar prioridade ao tempo e à reflexão. 

 

 

Guilherme d'Oliveira Martins
Oiça aqui as minhas sugestões - Ensaio Geral, Rádio Renascença

A VIDA DOS LIVROS

De 15 a 21 de abril de 2019

 

A leitura da última obra de António Carlos Cortez, Voltar a Ler – Alguma Crítica Reunida (Sobre Poesia, Educação e Outros Ensaios) (Gradiva, 2019), permite-nos tomar contacto com um conjunto polifacetado de textos, com uma sólida complementaridade e uma coerência que merecem ser elogiadas.

 


A IMPORTÂNCIA DA LEITURA E DA LITERATURA
Alguém que já se afirmou como poeta, surge neste livro, essencialmente, como crítico, como pedagogo e como cidadão preocupado com a vida cultural. Tive o grande gosto de participar na apresentação pública do livro, com o autor, Lídia Jorge e Isabel Soares, e pudemos partilhar em análises sucintas o sentido crítico e pedagógico que António Carlos Cortez empresta aos textos que agora reúne, produzidos em colóquios, jornais e revistas, e que, em boa hora, vêm a lume num tomo que é mais do que uma reunião de participações avulsas, já que nos revela não só uma panóplia de diversos autores relevantes do nosso panorama literário, mas também uma análise crítica sobre o reconhecimento da importância da leitura e da literatura no tempo atual. Dir-se-ia, assim, que o “voltar a ler” tem um triplo significado: como releitura de textos publicados pelo autor ao longo do tempo; como apelo à reflexão e ao tempo da crítica, num momento tão dado à superficialidade e ao imediatismo; e como uma séria invetiva contra a mediocridade e contra o esquecimento e a indiferença relativamente ao livro e à leitura. Começando por falar-nos da urgência da literatura, António Carlos Cortez divide o livro em três partes: sobre os ensaístas, sobre voltar a ler (a propósito de poetas portugueses modernos e contemporâneos) e sobre educação e cultura. Estamos perante um rol muito rico, em que os ensaístas e os poetas nos levam a compreender o que António Ramos Rosa nos ensina; “a significação de um poema especificamente moderno depende tanto dele como de nós e que é precisamente desta colaboração profunda entre criador e leitor que uma significação pode surgir e atualizar-se”. E quando se fala do poema, podemos facilmente chegar ao ensaio, que participa da mesma força criadora e do mesmo sentido crítico relativamente à urgência da literatura. De facto, “um crítico literário ‘tem de ser um homem total, um homem de convicções e de princípios, e com conhecimento e experiência de vida’, diz-nos T.S. Eliot (…) e é por se falar de literatura e, transversalmente, de Humanismo ou de valor das Humanidades, que estes textos podem ser lidos como partilha dessas convicções e princípios, propondo ao leitor uma espécie de pacto ou de aperto de mão que define a própria relação entre quem lê e aquele que é lido”.

 

TEMAS E AUTORES
Texto a texto, encontramos referências de memória e de vida, num permanente apelo aos textos e aos seus ritmos: Antero de Quental, Mário de Sá-Carneiro, Fernando Pessoa, Mário Dionísio, Sophia de Mello Breyner, David Mourão-Ferreira, Mário Cesariny, Eugénio de Andrade… Mas chegamos ainda a Fernando Echevarría, Fernando Guimarães, Ruy Belo, Herberto Helder, João Rui de Sousa, Fiama Hasse Pais Brandão, Gastão Cruz, Armando Silva Carvalho, Manuel António Pina. E ainda encontramos naturalmente, como numa encruzilhada luminosa da República das Letras: Camões, Vasco Graça Moura, Eduardo Lourenço, Vítor Aguiar e Silva, Cleonice Berardinelli, Manuel Gusmão, Fernando Cabral Martins, Richard Zenith ou Paula Morão… E sente-se a cada passo a lição de Jacinto do Prado Coelho ou de Jorge de Sena, expressa por Fernando J.B. Martinho: “um dado acontecimento literário na diacronia da nossa historicidade tem sempre de ser compreendido à luz de um quadro mais vivo de marcos e referências”. O poeta e o ensaísta não estão sós, o mundo e a vida alimentam-nos, o que permite entender a pergunta bem presente na torre de Montaigne: Que sais-je? Uma pergunta, mais do que respostas - é esse quadro vivo que o autor procura desvendar, não a partir de elucubrações fantasiosas, mas sim segundo uma compreensão rigorosa dos textos. Que é a crítica senão o respeito escrupuloso pelo dito e pelo escrito? Afinal, qual é a melhor pedagogia das humanidades senão o apelo à leitura direta dos originais sem a falsificação dos intermediários ou dos resumistas… E chegamos à necessária pedagogia. Vítor Manuel de Aguiar e Silva ensina-nos que “é o texto poético que deve concentrar a relação ensino-aprendizagem nas aulas de língua materna, dando às crianças e jovens a memória histórica que lhes falta”. Não é preciso dizer muito mais, sendo que, no entanto, aqui está dito o que é mais difícil na função motivadora do mestre em humanidades. Não se trata de fechar a literatura sobre si mesma ou sobre simplificações, mas de abrir horizontes para vários saberes – entendendo o que Eliot dizia sobre o conhecimento perdido na informação, e a sabedoria perdida no conhecimento. Sophia insistia que não podemos distinguir as redondilhas de um alexandrino se não entendermos o movimento e o número, a arte e a ciência. Eduardo Lourenço, fio de Ariadne vigilante, afirma-nos por isso que “a poesia é a realidade enigmática e luminescente como a Esfinge ou como a face de um antigo deus”. E não se trata de um jogo de palavras, mas da compreensão exata de que só a visão crítica dos mitos nos permite perceber a relação entre vida e destino. E o poético “é o inefável que procura concretizar-se pela ação artística, espelho da História”. Daí a tentativa de Lourenço para construir “a dialética mítica da poesia moderna portuguesa”, subjacente à psicanálise do destino português. E assim a “Mensagem” de Pessoa passou a ter de ser lida de outro modo, como um Espelho mágico decifrador de estranhos enigmas…

 

LER E VOLTAR A LER
E eis-nos chegados a Antero de Quental, supremo interrogador dos nossos enigmas. Pode dizer-se que em Voltar a Ler a referência central pode ser esta carta do genial poeta a Jaime Magalhães de Lima: “A natureza tinha-me talhado para romântico descabelado, pessimista, satânico, que sei eu? Mas tinha-me dado, ao mesmo tempo, por singular contradição, razão e sentimento moral para muito mais e melhor. Daí o conflito, a guerra civil, a luta interior. Essa luta foi a minha vida, e é o que explica a aparente singularidade (que reconheço ser grande) e a esterilidade dela. O que venceu em mim foi a razão e o sentimento moral; mas a imaginação e a paixão, embora vencidas, não se submeteram. Ora não é essa a razão, mas a imaginação e a paixão que fazem o poeta (…) os últimos vinte sonetos do meu livrinho são uma coisa nova, a nota cristalina duma poesia nova, de verdadeira poesia (ouso dizê-lo) do futuro”. O percurso biográfico, o caminho do poeta confirma como a literatura é chave da arte de aprender. De facto, a poesia concilia palavra e pensamento, sendo para Antero (com a sua tragédia) “a possibilidade de viver” uma “partícula de pó das estrelas num paraíso perdido que só a Poesia, suprema arte pode tornar real”… Eis por que razão António Carlos Cortez tem razão no apelo fundamental que faz: “Discutindo-se o lugar do livro na escola, raramente se diz o que muitos sabem: a única estratégia de combate contra a ‘nova ignorância’ (no fundo velha, se virmos bem…) passa por trazer de novo o livro para a Escola e a Universidade…”   

 


Guilherme d'Oliveira Martins
Oiça aqui as minhas sugestões - Ensaio Geral, Rádio Renascença

LIVROS DE 2018

 

Como habitualmente o CNC escolhe os Livros do Ano, sempre esperados ansiosamente…

 

ROMANCE
«A Última Porta Antes da Noite» - António Lobo Antunes (D. Quixote).

«Princípio de Karenina» - Afonso Cruz (Companhia das Letras).
«Memórias Secretas» - Mário Cláudio (D. Quixote).
«Ensina-me a Voar sobre os Telhados» - João Tordo (C. das Letras).
«O Invisível» - Rui Lage (Gradiva).
«Luanda, Lisboa, Paraíso) – Djaimilia Pereira de Almeida (C. das Letras).
«O Fiel Defunto» - Germano Almeida (Caminho).
«Sua Excelência, De Corpo Presente» - Pepetela (D. Quixote).
«Obra Completa» – I a III – Maria Judite de Carvalho (Minotauro).

 

POESIA
«Obra Poética – I» - António Ramos Rosa (Assírio e Alvim).

«Estranhezas» - Maria Teresa Horta (D. Quixote).

 

MEMÓRIAS
«Aperto Libro (Páginas do Diário- I – 1977-1990)» - Eugénio Lisboa (Opera Omnia).

 

ENSAIO
«O Algarve Económico Durante o Século XVI» - Joaquim Romero Magalhães (Sul, Sol, Sal).
«O Século dos Prodígios – A Ciência no Portugal da Expansão» - Onésimo Teotónio de Almeida (Quetzal).

 

TRADUÇÕES
«Berta Isla» - Javier Marias (Alfaguara).
«Aos Ombros de Gigantes» - Umberto Eco (Gradiva).
«Pensamentos» - Giacomo Leopardi (Edições do Saguão).
«Escolha Coletiva e Bem-Estar Social» - Amartya Sen (Almedina).
«Onde Estamos? Uma Outra Visão da História Humana» - Emmanuel Todd (Temas e Debates – Círculo de Leitores).

 

A todos desejamos um Bom Ano, com Saúde e boas leituras!
CNC