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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE MARIA ANDRESEN 

  


Costa Oeste


Ouvia o mar – quando o sono demorava – espalhando-se
em humidade salgada em todo o ar da casa, até aos lençóis da cama:
como em tudo na casa, há mar na cama
De manhã auscultarei a bruma, a promessa do sol
auscultarei as vagas, o seu porte, porque eu amo o poder do mar
Atravessaremos o pinhal, o forte cheiro das raízes molhadas, a áspera
proximidade da vegetação de duna – chorão, camarinhas, lírios de areia
e as suas gotículas de água
Iremos comprar pão à Serra, tomar café e ler o jornal entre moscardos
Ah mas ao fim da tarde, ao pôr do sol, é que o cheiro da duna rescendia
de uma tal vida… ! Depois das travessias do sol e das nortadas
O que eu não sabia…
(meu Deus eu não sabia nada)


in Lugares, 2010


West Coast


I could hear the sea – when sleep took its time – spreading
in salty humidity all over the house, even onto the bed sheets:
as with everything else in the house, there’s sea in the bed
In the morning I’ll see about the mist, the promise of sun
I’ll check out the waves, their height, for I love the power of the sea
We’ll walk across the pinewood, strong smell of wet roots, rugged
nearness of the dune’s vegetation – weeping willow, bear berry shrubs,
sand lilies, their droplets of water
We’ll buy bread up on the Serra, have coffee and read the paper with the flies
Ah, but when afternoon ends, when the sun sets and the dune’s scent springs
into such life…! After striding the sun and the north wind
So much I didn’t know…
(Good God I knew nothing)


© Translated by Ana Hudson, 2010
in Poems from the Portuguese

POEMS FROM THE PORTUGUESE

POEMA DE MARIA ANDRESEN


VERÃO ANTIGO


há um odor, um cheiro
entre ti e tojo - figueira


cigarra amendoeira
o passo amedrontado o sol


um cão sentado a mão
um gato leve lento


o crescimento
o mover da tarde


tão álacre o mundo
a espantada fome
a mão


o caminho do farol
pela poeira


in Lugares, 2010


LONG GONE SUMMER


there is a smell, a scent
between the gorse and you - the fig tree


almond cicadas
the sun’s uncertain step


a sitting dog a hand
a cat light and slow 


growing up
the  advancing afternoon  


so eager the world
astonished hunger
the hand


the way to the lighthouse
through the dusty earth


© Translated by Ana Hudson, 2010
in Poems from the Portuguese