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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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A VIDA DOS LIVROS

  

De 10 a 16 de novembro de 2025


A Exortação Apostólica “Eu Te Amei”, agora vinda a lume, põe-nos perante o problema da pobreza em toda a sua profundidade. O Papa Leão XIV coloca assim na agenda das suas prioridades os temas da paz e da justiça social, questões da maior urgência.


Com grande oportunidade, o Papa Leão XIV acaba de divulgar uma importante Exortação Apostólica sobre o cuidado da Igreja pelos pobres e com os pobres, intitulada Dilexi te, imaginando Cristo a dirigir-se a cada um desses pobres dizendo: Tens pouca força, pouco poder, mas «Eu te amei» ( Ap 3, 9)». O Papa Leão XIV, ao receber essa herança do Papa Francisco, que preparava este documento quando partiu, assumiu-o como seu, sentindo-se feliz nessa condição, acrescentando algumas reflexões no início do seu pontificado e partilhando o desejo do seu antecessor no sentido de que todos os cristãos possam perceber a forte ligação existente entre o amor de Cristo e o chamamento a tornarmo-nos próximos dos pobres. Na verdade, é necessário insistir neste caminho de santificação, porque no «apelo a reconhecê-Lo nos pobres e atribulados, revela-se o próprio coração de Cristo, os seus sentimentos e as suas opções mais profundas, com os quais se procura configurar todo o santo». A Exortação apostólica, datada do dia da memória litúrgica de S. Francisco de Assis, 4 de outubro de 2025, constitui um documento de grande relevância, sobretudo para o momento atual, uma vez que põe a tónica no reconhecimento do outro como complemento de nós mesmos, com especial relevância para os pobres. E nota-se uma especial preocupação em encontrar novas pistas no sentido de ligar a luta contra pobreza e a provação com o desenvolvimento humano e a busca da universal dignidade da pessoa humana.

O Papa Francisco, ao recordar a escolha do próprio nome, contou que, após a sua eleição, um Cardeal amigo abraçou-o, beijou-o e disse-lhe: «Não te esqueças dos pobres!». É a mesma recomendação feita pelas autoridades da Igreja a São Paulo quando subiu a Jerusalém para verificar a sua missão. E o Apóstolo pôde afirmar anos mais tarde: «foi o que procurei fazer com o maior empenho». Trata-se da mesma escolha de São Francisco de Assis: no leproso, foi o próprio Cristo que abraçou, transformando a sua vida. Assim, a figura luminosa do Poverello jamais deixa de ser inspiradora. E devemos recordar ainda as palavras de S. Paulo VI: «Aquela antiga história do bom samaritano foi exemplo e norma segundo os quais se orientou o nosso Concílio». Deste modo, «pode dizer-se que o compromisso em favor dos pobres e pela erradicação das causas sociais e estruturais da pobreza, embora tenha adquirido maior importância nas últimas décadas, continua a ser insuficiente; até porque as sociedades em que vivemos privilegiam, com frequência, linhas políticas e padrões de vida marcados por numerosas desigualdades e, por isso, às antigas formas de pobreza que (…) se procuram combater, acrescentam-se outras novas, por vezes mais subtis e perigosas». Compreende-se por isso que as Nações Unidas tenham colocado a erradicação da pobreza como um dos objetivos do Milénio.

Preocupam as graves condições em que vivem muitíssimas pessoas, devido à escassez de alimentos e água potável. Todos os dias morrem milhares de pessoas por causas relacionadas com a falta de alimentos. Nos países ricos, as estimativas relativas ao número de pobres são preocupantes. Na Europa, há cada vez mais famílias que não conseguem chegar ao fim do mês. As diferentes manifestações da pobreza estão a aumentar, não são únicas nem homogéneas, e manifestam-se através de múltiplas formas de empobrecimento económico e social, correspondendo a crescentes desigualdades. Acresce que «duplamente pobres são as mulheres que padecem situações de exclusão, maus-tratos e violência, porque frequentemente têm menores possibilidades de defender os seus direitos. E, todavia, também entre elas, encontramos continuamente os mais admiráveis gestos de heroísmo quotidiano na defesa e cuidado da fragilidade das suas famílias» - como afirmou o Papa Francisco na Encíclica Evangelii Gaudium. Contudo, «a organização das sociedades em todo o mundo ainda está longe de refletir com clareza que as mulheres têm exatamente a mesma dignidade e idênticos direitos que os homens. As palavras dizem uma coisa, mas as decisões e a realidade gritam outra, especialmente se pensarmos nas mulheres mais pobres», como recorda Fratelli Tutti.

Para além dos dados – que por vezes são “interpretados” tentando convencer que a situação dos pobres não é tão grave assim –, o quadro geral é bastante claro: «Há regras económicas que foram eficazes para o crescimento, mas não são de igual modo para o desenvolvimento humano integral. Aumentou a riqueza, mas sem equidade, e, por isso, nascem novas pobrezas. Quando se diz que o mundo moderno reduziu a pobreza, usa-se uma medida doutros tempos não comparáveis à realidade atual. Por exemplo, noutro tempo não ter acesso à energia elétrica não era considerado um sinal de pobreza nem causava grave incómodo. Contudo, «a pobreza sempre se analisa e compreende no contexto das possibilidades reais dum momento histórico concreto». Num documento da União Europeia de 1984, afirmava-se considerar «pessoas pobres os indivíduos, as famílias e os grupos de pessoas cujos recursos (materiais, culturais e sociais) são de tal modo débeis que os excluem de um tipo de vida minimamente aceitável no Estado-membro em que vivem». Todos os seres humanos têm, porém, a mesma dignidade, independentemente do local de nascimento ou das grandes diferenças que existem entre países e regiões.

De facto, os pobres não existem por acaso e a pobreza não é uma escolha, para a maioria deles. E não podemos dizer que a maioria dos pobres está nessa situação por falta de méritos. Não devemos aceitar uma falsa visão da meritocracia, segundo a qual só tem mérito quem tem sucesso na vida. Em lugar de uma ideia assistencialista, importa assumir uma ideia de diferenciação positiva, segundo a qual à igualdade de oportunidades deve acrescentar-se a correção das desigualdades. Não basta cuidar da equidade no ponto de partida, a realização da justiça deve ser permanente, correspondendo ao serviço dos outros e à partilha de cuidados e responsabilidades.


Guilherme d'Oliveira Martins

Oiça aqui as minhas sugestões – Ensaio Geral, Rádio Renascença

A VIDA DOS LIVROS

  

De  14 a 20 de julho de 2025


Destacamos hoje a comunicação do novo Papa Leão XIV às Igrejas Orientais, exprimindo um conjunto importante de orientações que merecem leitura atenta num momento de especial incerteza.

 

 

 Leia-se com atenção as palavras dirigidas pelo Papa às Igrejas Orientais por ocasião do respetivo jubileu em 14 de maio de 2025. Simbolicamente e tocando o tema fundamental da unidade e coerência dos cristãos, o Papa Leão XIV afirmou: «A Igreja precisa de vós! Como é grande a contribuição que o Oriente cristão nos pode oferecer hoje! Quanta necessidade temos de recuperar o sentido do mistério, tão vivo nas vossas liturgias, que abrangem a pessoa humana na sua totalidade, cantam a beleza da salvação e suscitam o enlevo pela grandeza divina que abraça a pequenez humana! E como é importante redescobrir, também no Ocidente cristão, o sentido do primado de Deus, o valor da mistagogia, da intercessão incessante, da penitência, do jejum, do pranto pelos pecados, próprios e de toda a humanidade (penthos), tão típicos das espiritualidades orientais! Por isso, é fundamental valorizar as vossas tradições sem as diluir, talvez por praticidade e comodidade, para que não sejam corrompidas por um espírito consumista e utilitarista». Nesta linha de pensamento, o Papa procura ir ao encontro das virtualidades de um verdadeiro diálogo centrado nos valores essenciais: «As vossas espiritualidades, antigas e sempre novas, são medicinais. Nelas, o sentido dramático da miséria humana funde-se com a admiração pela misericórdia divina, de tal modo que as nossas baixezas não provoquem desespero, mas convidem a acolher a graça de ser criaturas curadas, divinizadas e elevadas às alturas celestiais. É preciso louvar e dar graças incessantes ao Senhor por isto!».


Contudo, o Sumo Pontífice não se limita à afirmação de grandes princípios. Encara frontalmente a grave situação internacional e o tema das guerras em curso, afirmando: «Farei todos os esforços para que esta paz se propague. A Santa Sé está disponível para que os inimigos se encontrem e se fitem nos olhos, para que aos povos se devolvam a esperança e a dignidade que merecem, a dignidade da paz. Os povos querem a paz e eu, com o coração nas mãos, digo aos responsáveis dos povos: encontremo-nos, dialoguemos, negociemos! A guerra nunca é inevitável, as armas podem e devem ser silenciadas, pois não resolvem os problemas mas só os aumentam; pois ficará na história quem semeia a paz, não quem ceifa vítimas; pois os outros não são sobretudo inimigos, mas seres humanos: não vilões a odiar, mas pessoas com quem falar. Rejeitemos as visões maniqueístas típicas das narrações violentas, que dividem o mundo entre bons e maus. A Igreja não se cansará de repetir: silenciem as armas! E gostaria de dar graças a Deus por aqueles que, no silêncio, na oração, na oferta, tecem fios de paz; e aos cristãos - orientais e latinos - que, sobretudo no Médio Oriente, perseveram e resistem nas suas terras, mais fortes do que a tentação de as abandonar. Aos cristãos deve ser dada a oportunidade, não apenas palavras, de permanecer nas suas terras com todos os direitos necessários para uma existência segura. Por favor, que se lute por isto!»


O apelo feito de um modo veemente não se limita a dirigir-se intra muros, procura ser ouvido “urbi et orbi”. «Que as vossas Igrejas sirvam de exemplo e os Pastores promovam com retidão a comunhão, especialmente nos Sínodos dos Bispos, para que sejam lugares de colegialidade e de autêntica corresponsabilidade. Que haja transparência na gestão dos bens, que se dê testemunho de humilde e total dedicação ao povo santo de Deus, sem apego às honras, aos poderes do mundo e à própria imagem. São Simeão, o Novo Teólogo, indicava um bom exemplo: «Assim como alguém, lançando pó sobre a chama de uma fornalha ardente, a apaga, do mesmo modo as preocupações desta vida e toda a espécie de apego a coisas mesquinhas e sem valor destroem o calor do coração aceso nos primórdios» (Capítulos práticos e teológicos, 63). O esplendor do Oriente cristão exige, hoje mais do que nunca, a libertação de toda a dependência mundana e de quaisquer tendências contrárias à comunhão, para ser fiel na obediência e no testemunho evangélicos». Esta passagem é muito significativa, uma vez que, além do apelo a que haja uma influência positiva no sentido da paz, também se definem caminhos claros de colegialidade e de corresponsabilidade. Por outro lado, trata-se de construir uma Igreja pobre e com sobriedade, sem apego às honras e ao luxo, apta a contribuir para uma administração justa dos recursos que nos são atribuídos em comum, em lugar de uma economia que mata. Nota-se, assim, que são dados sinais claros e inequívocos sobre as orientações necessárias do novo pontificado: gestos concretos no sentido da construção da paz, da mobilização da sociedade com tal objetivo, do respeito inteiro pelo bem comum, da participação de todos com um papel acrescido da mulher, do espírito de serviço, do cuidado e da atenção ao próximo, da colegialidade e da corresponsabilidade no aprofundamento do método sinodal.


Personalidade diferente da de Francisco, o Papa Leão XIV apresenta um programa de continuidade e de reforma segundo uma atitude, que se deseja de coragem e determinação, no sentido do combate pela justiça e pela paz, com a tomada de consciência de que há passos concretos que terão de ser dados ao encontro dos grandes desafios da sociedade contemporânea, com preservação da unidade e da coerência e salvaguarda da dignidade humana para todos. Será um caminho difícil que exigirá o despertar das consciências para a ponderação de fatores contraditórios numa sociedade receosa e dividida entre a indiferença e a ilusão, entre a certeza e a imperfeição.  


Guilherme d'Oliveira Martins

Oiça aqui as minhas sugestões – Ensaio Geral, Rádio Renascença

A VIDA DOS LIVROS

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  De 9 a 15 de junho de 2025

 

"O Sonho de uma Nova Manhã – Cartas ao Papa" de Tomás Halik é uma reflexão tanto mais oportuna quanto corresponde ao início de um novo pontificado, num mundo de grandes incertezas.

 

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O autor escreveu estas cartas no final do pontificado do Papa Francisco e o certo é que ganharam uma evidente atualidade, pelo que nelas se lê e pelo sentido prospetivo que contêm. A eleição do Papa Leão XIV obriga à consideração de um novo tempo, por diversas razões. Antes de mais, a herança do Papa Francisco exige a ponderação de um método sinodal que ficou delineado quanto ao futuro próximo e que deve continuar. Há um conjunto de exigências que correspondem a desafios múltiplos e complexos, desde a resposta à reorganização da Cúria, à recuperação da credibilidade afetada pelos escândalos morais, passando pela resposta da Igreja Católica, como realidade global, relativamente à crise das vocações, ao papel das mulheres e à mobilização de todas as energias disponíveis. O novo Papa declarou-se missionário, e importa encontrar as melhores respostas relativamente a esse perfil de ação. E importa não esquecer ainda que a leitura dos sinais dos tempos faz-nos regressar ao pressupostos da encíclica “Pacem in Terris”. Num mundo dominado pela incerteza e pela violência, são pedidas ao “Povo de Deus” diligências concretas para que haja avanços no diálogo e na mediação para que a paz não seja uma palavra vã. Em simultâneo, importa tomar-se consciência de que o desenvolvimento humano obriga a recusar a inércia da indiferença, bem como exige a definição de prioridades que correspondem à resposta ao vazio de valores éticos, à situação dramática das desigualdades e injustiças e à dramática crise ambiental.

 

Tomás Halík imagina um Papa surgido num novo tempo, com o nome de Rafael: «um dos temas-chave nas minhas conversas com o papa Rafael é a questão de como passar da reforma, no sentido de apenas mudanças exteriores na forma, à transformação interior do ‘coração das coisas’. Como, no processo de reforma, não perder, mas sim descobrir algo novo e revitalizar aquilo que constitui a identidade cristã, aquilo que é para ela o ‘sal da terra’ e o fermento do pão fresco para os dias de amanhã?» Se falamos de transformação, temos de entender a ideia de metamorfose, que a natureza nos ensina. Há um caminho. Por isso, o método sinodal faz sentido como gradual reflexão e como ação com consequências práticas. «Os movimentos de renovação da Igreja têm de ser avaliados, na medida em que contribuem para que tudo o que é humano na Igreja esteja cada vez mais aberto a esta dinâmica transformadora da presença de Deus. Jesus, na sua famosa parábola, fala sobre o grão que tem de morrer para dar fruto». Mas quem somos? Vivemos numa circunstância perigosa. Pessoas com identidades pessoais fracas e incertas facilmente sucumbem ao mercado das seitas, de ideologias fundamentalistas, fanáticas e totalitárias. Por outro lado, os meios e os fins confundem-se e perde-se o sentido de um tempo que não se esgota no imediato e no instrumental.

 

Charles Péguy e Jacques Maritain falaram dos polos político e profético da vida – ambos são indispensáveis, no primeiro, cuidamos da relação entre as pessoas na cidade; no outro, procuramos sentido para além do imediato. A vida faz-se dessas duas referências. Daí que a sinodalidade seja não apenas “a necessidade de caminharmos juntos e de pensarmos juntos, mas também a oportunidade de percebermos ao longo desse caminho a compatibilidade entre temas que são, muitas vezes, discutidos separadamente. Cada passo no caminho para uma compreensão mais profunda de um dos grandes temas teológicos traz uma nova luz sobre os outros”. Não podemos viver sem transcendência e a liberdade de consciência permite distinguir e completar os planos, de modo que a dimensão espiritual não ponha em causa o espaço plural da polis. E assim Teilhard de Chardin está presente na lição de “Fratelli Tutti”, considerando “a cooperação, a parceria e o apreço mútuo como motores do desenvolvimento em vez da luta pela sobrevivência”. A idade do Espírito Santo de Joaquim de Flora deve, assim, ser lida não como um contraponto relativamente à presença do Pai e do Filho, mas como uma continuidade. O Pentecostes é natural presença do Espírito na História. Afinal, como ensinou o Mestre Eckhart, “o homem exterior tem um deus exterior e o homem interior tem um Deus interior”. Como realidades do mundo da vida, “religare” e “relegere” constituem o fenómeno religioso como natural no seio da humanidade, fator de coesão e de reflexão, de ligação e de confiança. Somos uma comunidade de peregrinos, a quem se pede que saibamos escutar-nos uns aos outros. “A igreja tem a obrigação de ser a voz daqueles que não têm voz e tem de interpretar a mensagem que nos é dirigida e nos é transmitida por Deus fora das fronteiras da fala humana”.

 

A noção de ecumenismo alarga as fronteiras e chega à compreensão franciscana da “Laudato Si’”. Tomás Halik crê, assim, sinceramente numa renovação sinodal, numa partilha de responsabilidades, num encontro de todas as mulheres e homens de boa vontade. Não se trata de alimentar qualquer ilusão, mas de compreender quem é o nosso próximo e de fazer da atenção e do cuidado a nossa ordem do dia. E esta renovação sinodal “inclui o aprofundamento do respeito mútuo e do diálogo entre três componentes da Igreja; a hierárquica (representando a continuidade da tradição), a democrática (representando o sensus fidelium, a experiência da fé de todo o povo de Deus) e a carismático-profética (representando a presença do Espírito de Deus). Se a Igreja realmente enveredar por esse caminho, a relação entre a fé do indivíduo e a fé de uma Igreja assim entendida será muito mais dinâmica, mais rica, e mais profunda. Não se tratará de uma obediência de tipo militar, mas de uma escuta comum, de um enriquecimento mútuo, uma complementaridade, uma busca comum, uma viagem comum a profundidades inesgotáveis”. Eis a atualidade de uma obra que nos põe perante os desafios fundamentais do mundo contemporâneo.

 

Guilherme d'Oliveira Martins
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CRÓNICAS PÁRA E PENSA

 

  
    Fotografia de Christopher Furlong/Getty Images


As primeiras palavras do Papa Leão XIV 
na sua primeira bênção Urbi et Orbi
8 de Maio de 2025 


A paz esteja com todos vós!

Caríssimos irmãos e irmãs, esta é a primeira saudação de Cristo Ressuscitado, o Bom Pastor que deu a vida pelo rebanho de Deus. Eu também gostaria que esta saudação de paz entrasse nos vossos corações, chegasse às vossas famílias, a todas as pessoas, onde quer que estejam, a todos os povos, a toda a terra. A paz esteja convosco!

Esta é a paz de Cristo Ressuscitado, uma paz desarmada e uma paz desarmante, humilde e perseverante. Ela vem de Deus, Deus que nos ama a todos incondicionalmente. Ainda conservamos nos nossos ouvidos aquela voz fraca, mas sempre corajosa, do Papa Francisco que abençoava Roma!

O Papa que abençoava Roma concedia a sua bênção ao mundo, ao mundo inteiro, naquela manhã do dia de Páscoa. Permitam-me prosseguir com essa mesma bênção: Deus ama-nos, Deus ama a todos vós, e o mal não prevalecerá! Estamos todos nas mãos de Deus. Portanto, sem medo, unidos, de mãos dadas com Deus e entre nós, sigamos em frente. Somos discípulos de Cristo. Cristo precede-nos. O mundo precisa da sua luz. A humanidade precisa dele como ponte para ser alcançada por Deus e pelo seu amor. Ajudai-nos também vós, pois, uns aos outros, a construir pontes, com o diálogo, com o encontro, unindo-nos todos para sermos um só povo, sempre em paz. Obrigado, Papa Francisco!

Quero também agradecer a todos os meus irmãos cardeais que me escolheram para ser o Sucessor de Pedro e caminhar convosco, como Igreja unida, sempre procurando a paz, a justiça, procurando sempre trabalhar como homens e mulheres fiéis a Jesus Cristo, sem medo, para proclamar o Evangelho, para sermos missionários.

Sou um filho de Santo Agostinho, agostiniano, que disse: «Convosco sou cristão e, para vós, bispo». Neste sentido, podemos todos caminhar juntos rumo àquela pátria que Deus nos preparou.

À Igreja de Roma, uma saudação especial! Devemos procurar juntos como ser uma Igreja missionária, uma Igreja que constrói pontes, dialoga, sempre aberta para receber, como esta praça com os braços abertos, a todos, a todos aqueles que precisam da nossa caridade, da nossa presença, do diálogo e do amor.

(em espanhol)

E se também me permitem, uma palavra, uma saudação a todos aqueles, e em particular à minha querida diocese de Chiclayo, no Peru, onde um povo fiel acompanhou o seu bispo, compartilhou a sua fé e deu muito, muito para continuar a ser Igreja fiel de Jesus Cristo.

A todos vós, irmãos e irmãs de Roma, da Itália, do mundo inteiro, queremos ser uma Igreja sinodal, uma Igreja que caminha, uma Igreja que procura sempre a paz, que procura sempre a caridade, que procura sempre estar próxima, especialmente daqueles que sofrem.

Hoje é o dia da Súplica a Nossa Senhora de Pompeia. Nossa Mãe Maria quer sempre caminhar connosco, estar próxima, ajudar-nos com a sua intercessão e o seu amor.

Agora, gostaria de rezar convosco. Rezemos juntos por esta nova missão, por toda a Igreja, pela paz no mundo e peçamos esta graça especial a Maria, nossa Mãe.

Ave-Maria...

(Texto original em italiano)


Anselmo Borges

Padre e professor de Filosofia
Escreve de acordo com a antiga ortografia