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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

CRÓNICA DA CULTURA

PERGUNTA

  


A invenção da imprensa possibilitou, nomeadamente, a circulação de ideias em linguagem que grandes grupos de pessoas entendiam, causando também fraturas que gerariam novas formas de pensar, a vários níveis, tal como política e socialmente, por se fazerem interagir umas às outras.

Bem mais depressa do que alguma vez imaginado, surge a ajuda de máquinas, numa revolução silenciosa, e as novas ideias passam a ser divulgadas sem que as então autoridades do mundo - fossem governos ou igrejas - pudessem vir a controlar.

Eis uma corpulenta start-up.

De notar, que, às proliferações das novas tecnologias, lhes foi permitido o não banir de ideias consideradas adversas e que circulam em plena auto permissão dos recentes conquistadores das noviças sociedades instaladas.

A diversidade e a fragmentação, igualmente, veem chegar uma nova era que consegue mesmo amputar profundas liberdades - enquanto conhecimento histórico - criando múltiplos espaços de existência residual ou paralela da mesma.

Outros deuses e outras histórias desenvolvem a nova complexidade social, quando ler um jornal já passou a corresponder - na pressa dos mundos de hoje - a culturas alicerçadas em civilizações propositadamente desguarnecidas e que se encontram bem distantes das que reagem, delegando nas máquinas, o fim e os preliminares das opções.

Na verdade, os motores de busca agregam informação, qual catálogo de comportamento humano pré-definido, incorporando esta realidade, a alteração da identidade humana e da sua experiência.

Cabe, então, perguntar: em que valores se desenvolve uma criança e o que significará para ela o interpretar da prodigiosa invenção da imprensa, daquela que ainda transmitia empatia e curiosidade?

  


Teresa Bracinha Vieira

PERGUNTA

 

Ao longe o encontro

Com a ilha escarpada

Sob um céu de presságio

Aguardava-me em jeito de chamamento.

E mal olhei para o disco do sol

Um cobre fundente descrevia-me

A rua dos heróis antigos.

Tentei atravessar o enigma

E abraçar a violenta e vã esperança

Na qual retomara sozinha o meu percurso.

 

Quem era? Quem deveras queria o que ainda não cruzara?

O que procurava sem notícia?

E assim continuava esta longa jornada de chegar até mim.

 

Quando jovem superara muitos tons de fogo

E nunca mais sendo o que fora

Naquele fim de terra agora

Um outro eu

Aquele que na errância perseguia

O sentido do seu viver

Do seu tão longo caminhar

 

 

Teresa Bracinha Vieira

Junho 17