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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

PERIVALDO LÚCIO DANTAS

Foi-se embora hoje de entre nós, impaciente de encontrar sua mãe lá num céu exclusivo onde a colocara desde sempre.

 

Mesmo mendigo nas ruas de Lisboa, convocou a vida e nela se sinistrou: «deixa a vida me levar que ela leva eu», cantarolava. E sempre dizia «vou morrer devagar, falamos mais tarde».

 

A palavra “solidão” franzia-lhe até as pupilas dos olhos num querer dizer “agora já sei”, e ligava como podia os encontros do tempo. Lúcio Dantas, de nome Perivaldo o que agarrava o esférico como quem doma o mistério. Perivaldo que tanto sofria com a solidão, deixou-nos sozinhos neste atoleiro.

 

PERIVALDO
 

A solidão é vagabunda no meu peito

E recorda-me de agulhão a vida feliz

Com minha mãe

Única visita na minha saudade

A porreta dona Antonieta

Plumazinha de tanta força

Que me ensinou que quando a coisa me assustasse

Enfrentar o fim

Não seria realidade que pudesse sequer atrasar

Antes jogar, driblar e levantar-me mesmo sem saber

Então, depois ou agora

Para onde quero ir

 

 

Teresa Bracinha Vieira

28.07.17