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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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A FORÇA DO ATO CRIADOR

 

Sandra Blow - abstração pura e incompletude. 

 

'For me, as well as the natural interactions of colour and line, there is a biological factor in a painting, in which all the parts contribute to the functional whole, as our bodies do. When it 'lives' in that way, it is finished. In addition, there is a God-sent gift, a balance of magic.', Sandra Blow

 

Sandra Blow (1925-2006) pinta o intangível e o impalpável. As ideias imprecisas tomam forma através de colagens sucessivas. A sua pintura não está profundamente impregnada de textos, legendas e declarações. É, na verdade uma prática que não precisa de uma só palavra.

 

Durante mais de sessenta anos, ininterruptamente, Sandra Blow, solitáriamente, explorou as possibilidades da pintura puramente abstrata e criou uma pintura única.

 

Blow sempre afirmou que continua a retirar entusiasmo da experiência da arte que apreendeu ao passar um ano em Itália, no final dos anos quarenta. E assim, revela que as suas duas maiores fontes de inspiração são a arte (Renascimento, Alberto Burri, Nicolas Carone, escultura africana, Roger Hilton e Morris Louis) e a natureza (a estrutura das folhas e flores, o céu londrino sempre enquadrado, a vastidão das montanhas suaves).

 

Apesar do sentido de lugar e do pulsar da vida ser importante para a sua pintura, Blow nunca se refere concretamente a um céu ou a uma árvore específica. A sua arte abstrata deixa adivinhar uma presença generativa de um conteúdo (daquilo que está contido numa pintura), ao não ter um assunto identificável. A sua abstração pura comunica antes mesmo de ser compreendida.

 

Blow tenta alcançar uma exatidão e uma clareza surpreendente, sobretudo na forma como a pintura se encaixa - ao resolver problemas de equilíbrio, proporção, tensão e escala. E talvez, seja essa exatidão um meio para se sentir a verdade da pintura pura. 

 

Embora, certamente o trabalho de Blow contenha elementos do acaso, da eventualidade e do efémero, os problemas de equilíbrio e de proporção não existem isolados da experiência, da sociedade e do pensamento. Por isso uma pintura abstrata de Sandra Blow será sempre uma fonte de vitalidade instantânea e surpreendente.

 

O que interessa é que a pintura de Blow é física e está sempre exposta e recetiva à mudança. O que interessa é o que a pintura sugere a partir de um determinado momento. Para Blow, o mais importante ainda está para acontecer.

 

 

Ana Ruepp