CRÓNICA DA CULTURA
Soltos

1.
Também nos chega o momento em que há que descansar
dos homens. O lume descansa no fogo e a água na água.
Criador e criação dormem
2.
E saibamos entender aquela força calma
de quem escreve um texto e o deixa abandonado
naquela página,
sem o voltar a ler, sem o enviar a nenhum lado.
Eis um lar
quando assim é toda a vida
3.
A solidão conhece bem os sentires dos sem porquê
e as razões de se dizer que ela, descalça,
sem entrar nem sair,
está
4.
Talvez sejamos pouco mais do que areias movediças.
A vida vai-se convertendo,
os deuses
acabam por entrar na fila
5.
E dizer tudo de um outro modo:
dizer um novo nome e semeá-lo
num oásis.
Depois,
colher os brinquedos, despir o bibe
e ser totalmente criança
Teresa Bracinha Vieira