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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

CRÓNICA DA CULTURA

  

 

A

Antonio Gamoneda, meu muito privilégio 

 

III

 

Me llamo Maria

Me levanto, saludo

Enciendo las velas,

Me siento al piano

Que responde al nombre de Chopin

Pero

La exactitud de los dedos

No es nada más

Que

 

Obediencia

 

Y

 

Nada fija el instante

Que manda en todo

La flor indefensa

 

Cree que vale la pena

 

Así

 

IV

 

Me llamo Maria

Pregunto:

¿Todo lo que protege es también abismo?

En realidad, no lo sé

Pero todos ganamos nuestro diploma

No hay nadie que no tenga talento innato

Para la herida

 

Y

 

Nadie se salva

Dice el viejo poeta

Gran vitoria

 

De los sin dudas

 

Así

 

Teresa Bracinha Vieira

CRÓNICA DA CULTURA

  


A
Antonio Gamoneda, meu muito privilégio


I


Me llamo Maria

Mi ideal

Duerme como un niño

No obstante, de noche conversamos

En nuestra propria lengua inventada

De verdad

 

Más claridad es imposible

 

Y

 

El mar toma la playa por asalto

La sal coloniza la tierra

De repente el abrazo

De armisticio

 

Así

 

II

 

Me llamo Maria

Leo todo el tiempo

Aquí está el mundo y las parejas

En el aprendizaje de su arte

Primero flexible,

Después

 

Incorpóreo

 

Y

 

Sin embargo

Desde el fondo de la prisión

Náufrago

 

El futuro

 

Así

 

 Teresa Bracinha Vieira

KAFKA 1

  


“CARTA AO PAI”


É como quando uma pessoa tem de subir cinco degraus baixos e outra pessoa apenas um degrau, mas que é tão alto quanto os outros cinco juntos; a primeira pessoa não irá superar os cinco degraus, como ainda mais cem, mais mil, terá levado uma vida longa e muito extenuante, mas nenhum dos degraus que subiu terá tido um tão grande significado como para a segunda pessoa teve o único degrau, o primeiro, enorme, impossível de subir para as suas forças, para o qual não consegue subir e muito menos ultrapassar.

E ainda neste livro afirma Kafka:

Ter-me-ia sentido feliz por te ter como amigo (…), chefe, tio, avô. Só que como pai foste forte de mais para mim (…) tive de aguentar o embate completamente sozinho, sendo eu fraco de mais para isso.

Quantas vezes, o pavor de termos tido na nossa vida, um homem ou uma mulher enormes, severos e de supostas palavras meigas, mas incapazes de um amor bondoso e solto, nos impede de lutar pelos sentires que ansiamos?

De nós quiseram obediência e múltiplos deveres, independentemente da dor que sentimos e sentiremos, de que, para eles, representámos pouco, sempre pouco face ao amor que lhe dedicámos, não obstante a sua tirania abusada sobre nós.

Falo de seres de corporalidade de sentires abafante, castrante mesmo, no modo de uso de nos quererem.

Julgo que esta carta ao pai que Kafka escreveu, pode ser uma carta a qualquer ser que muito amamos, e, em quem depositámos uma confiança ilimitada e nos deu como resposta uma inexpressão concluída.

As absolutas insensibilidades entre pais e filhos, entre maridos e mulheres, entre irmãos, ou entre amigos, surgem, sobretudo, devido à necessidade que têm certas pessoas de utilizar uns sobre os outros.

A carência que estas pessoas têm de utilizar um vexame complacente que é um real poder que ajuíza o mundo dos outros, tem como finalidade a prova de que só exista a espécie de amor deles, e que o agradecimento por tal sentir seja sempre inequívoco sob pena de.

Observar regras, submissões, sentir a perceção total do desamparo, e acreditar que no final só as mães darão mão, é máquina oleada e falsificada.

Depois, depois, não há reconciliação possível. O sentimento de culpa bem manejado, faz carreira de êxito face à incapacidade de se soltarem duvidas.

São afinal gente inimiga do amor, são aqueles que nunca libertam sem negócio.

Muito desesperada se torna a vida quando com estes seres se partilha pão ou cama, sobretudo, se se procura o sentido da família ou um outro distinto amor.

Tardiamente se descobre que os elementos de violência destas gentes, não são, nem foram, inocentes, pois que afinal não queriam que deles escapássemos, já que no seu controlo sobre nós, residia o único modo de quererem a vida.

Pais e esposos e mulheres e irmãos e amigos, também fazem carreira à custa alheia. 

Afinal, quantas vezes, a espécie de sossego chega tarde, muito tarde, num jogo de paciências de interpretação já muito amputada.

Esta “Carta Ao Pai” escrita por Kafka, descreve esferas de influências de sentires onde não faltam provas de que a culpa é um obscuro caminho de mando, que leva a calar coisas difíceis de confessar até no jogo da circunstância.

 

Teresa Bracinha Vieira

 

Obs. Texto revisitado.

CRÓNICA DA CULTURA

Não basta ler Arendt, necessário se torna compreender a diferença entre o falso e o verdadeiro, facto e ficção.

 

Na cratera do vulcão do mundo em que vivemos, reside um grave recuo do humanismo que devemos estancar.

Damo-nos conta de processos de desintegração intelectual a todos os níveis e as elites não aprendem com os fracassos desde que a ruína tomou posse da sua história.

Não se aguarda sequer um projeto de alternativa clara.

Tal como as florestas dos trópicos quando confrontadas com a brutalidade que as desprezou, o sistema que suporta os seres, arrisca tornar-se não-renovável.

Não basta ler Arendt, necessário se torna compreender a diferença entre o falso e o verdadeiro, facto e ficção.

Nos anos 30 o que tornava as pessoas recetivas às notícias falsas, fora a solidão como bem analisou Arendt: «a experiência de não pertencer de todo ao mundo, que está entre as experiências mais radicais e desesperadas do homem». Afinal, este, o tipo de solidão que se continua a sentir e, curiosamente, numa sociedade ligada em rede, exatamente quando «a banalidade do mal» referida por Arendt é hoje realidade cunhada nos quatro cantos do mundo.

Vive-se no estilo de vida burocrático desta modernidade que faz das pessoas engrenagens de máquinas administrativas, desumanizando-as.

Rebobina-se a história com o objetivo de um controlo mental pandémico através da desinformação, numa investida única de uma estupidez que não encontra resistência.

Julian Huxley em 1957 usou pela primeira vez o termo «transumanismo», que definiu como: «O homem a permanecer homem, mas a transcender-se a si mesmo, ao tomar consciência de novas possibilidades da e para a sua natureza humana.» Nos anos 80, nomeadamente, as pessoas que trabalhavam em nanotecnologia e IA, reformularam o transumanismo numa tentativa de adaptar o humanismo a um mundo de novas possibilidades, problema a que estas mesmas pessoas se esquivaram de resolver.

Francis Fukuyama declarou ser o transumanismo «a ideia mais perigosa do mundo» e acrescente-se que no seu raciocínio esteve também presente que, ao se criar desigualdades biológicas - exemplificando através dos braços biónicos -, enfraquece-se a universalidade da essência humana, e, portanto, igualmente o mesmo sucede à nossa pretensão a direitos universais iguais.

Contudo, a liberdade é possível em conjunto com progressos tecnológicos, e o transumanismo tornou-se residualíssimo no seu movimento.

Tem-se levantado o debate do pós-humanismo e a criação de pós-humanos, tendo em conta o mundo da engenharia genética, sendo indispensável não esquecermos que ele pode ter um poderoso contributo se a ética o não descuidar. Ainda que a questão se mantenha:

Como preservarmos o que faz de nós humanos? Como preservarmos o humanismo sem as reduções que o tornaram essencial?

Encontraremos capacidades de cooperação e inovação face a um futuro promissor, sem aceitarmos a deportação para o gargalo da cratera do vulcão, que suga o humanismo que projeta futuros de inequívoca luz?

Não passará tudo pelo sentir da solidariedade por oposição «ao eu único.»?

Ou ainda como não destruir os sinais do que somos, sem termos de nos preparar para contar histórias, como se vencidos já fomos?


Teresa Bracinha Vieira

CRÓNICA DA CULTURA

Quando os livros são moinhos

  


Como se fora criança, nas suas primeiras experiências a descoberta sempre constituiu hábito e normalidade; diria mesmo que vivia num estado musical de revelação, de aparição de realidades que nada tinham de músculo miraculoso.

E lia.

A escola estava ali: nos livros que a impediam de morrer aos poucos; nos livros que lhe entendiam o rosto e lhe respondiam também aos conteúdos da idade.

Por ora, por entre os livros que lia, era «o Amolador» aquele que mais redonda companhia lhe fazia.

As palavras deste livro eram chispas arrancadas a distâncias que apenas intuía e que desvendavam lendas com cheiro a pão caseiro. E era aí, aí mesmo que queria chegar: ao pão do qual um dia não acordaria mais.

Em rigor, a sua relação com a contratação sentimental que a unia à leitura, nunca lhe subtraíra a clareza.

Nunca me pareceu que falasse de morte, mas antes de um outro final.

Os tempos e o acontecer, eram, às vezes, uma correria tributária de tendências, e por essa razão se espreitava de dentro para dentro e logo via o claro sem qualquer condição enfermiça.

Truques. Truques do ofício de se entender.

E aprendiz de livros, neles se deixava desmaiar num algo parecido a um extremo bem-estar.

Por eles, não seria enjeitada nunca ao caminhar de alma descalça, afinal, ato de seu delírio incolor e só e horizonte.

 

 Teresa Bracinha Vieira

CRÓNICA DA CULTURA

  

 

«Era velhíssimo na adolescência, adolescente na maturidade e toda a gente me acha simultaneamente infantil e soturno. (...) Em cinquenta anos, não notei indícios de um destino manifesto ou de um destino humildemente necessário.»

Ao escutar afirmações como esta tornei-me leitora assídua e atenta de VPV.

Em 1964, entrou para O Tempo e o Modo como contributo a fazer a ligação da Igreja às causas da liberdade e da justiça e remir as conivências com o regime ao lado de Alçada Baptista e João Bénard da Costa.

Deste período muito escutei mais tarde falar da sua inteligência e acutilância na capacidade de análise, usando a língua portuguesa com mestria invulgar. O Tempo e o Modo viria a ser um lugar onde estava porque estava com seus amigos.

VPV historiador e grande cronista, vigoroso no raciocínio mordaz, sempre entendeu que em Portugal nos faltava o pudor que a História ensina, país este em que o menor sinal de boa-fé apenas aproveita aos patifes.

Referia muitas vezes que por aqui a épica do faz-de-conta, fazia viver a pontuação como o grande modo de ter ideias construídas, saltando as letras da escrita pelos entredentes autoritários das vírgulas afinal incapazes de conhecer os pontos de interrogação.

A adesão ao projeto d’ O Independente foi muito importante e decisiva para aquele Jornal. Paulo Portas reconhece VPV como um magnífico colunista, grande amigo e uma das pessoas mais inteligentes que conheceu.

Neste brevíssimo ponto sobre VPV, de referir que entendi os seus imensos recursos ao cinismo, como um faro para algo que não está na vida, já não ou ainda não, como já se escreveu.

Li este livro pela mão da “Contraponto” - Uma longa viagem com Vasco Pulido Valente- num verdadeiro e tentador repente. 

 

Teresa Bracinha Vieira

CRÓNICA DA CULTURA

Por uma Nesga Soberana

  


A Manca era uma mulher amputada. Fora ferida em tempos. Andava numa guerrilha e um dia abriu guerra ao mundo quase todo. Depois colocou-se no melhor ponto de vigia. Nada aconteceu que se visse, mas saiu de lá manca.

A verdade, é que nunca mais ninguém lhe perguntou se, a ela, a vida lhe tinha acenado das planuras agrestes do medir-forças. Ainda assim todos os outros ficavam na penumbra do suposto acontecido. Os outros eram gente a correr, gente bifurcada, gente que jogava o jogo do eventual último jogo do entendimento. Submissos e ainda assim, xaroposos, agitavam os poderes, rindo em gargalhadas sem higiene.

A manca, alcunha de vida, escutava as distâncias, o tango do tempo, o som das culatras de muitas espingardas.

Também naquela tarde a sua memória se reviu nos rostos, nos timbres, no belo amor que abre os braços, nos insensatos labores que recompensam, nas puras noites e nos mares brancos e verdes e turquesas que não permitem a maré baixa ao peito.

Mergulhada na vida e distraída da morte, sem pensar numa escrita que a impedisse da própria perda, escreveu, volteando o ar: eu sou uma promessa antiga.

Quando rompeu a manhã, ainda escrevia: Eu sou o meu transtorno, o meu carimbo, o meu teatro, o meu romance, a noite e o dia a falar horas a fio debaixo de um manto de caramanchão; eu sou a que recebe o beijo em casa e que me desincumbe de mancar e enfim volto ao meu acampamento. Aquele, no qual faço o balanço das baixas e dos danos, aquele que me entende desativada, aquele que me olha como uma desforra e ainda assim dobra-se para me amparar do solo. Aquele que me vê partir na bolha de uma lágrima e espreita a minha surpresa surpreendida face a face ao olhar de um pássaro.

Nem forma, nem nítida face, nem visita, nem assalto, nem daqui, nem dali, afastada apenas de quando em quando de mais uma manhã que nascia, e já a Manca se preparava incauta e atenta a um eventual último passo.

Um dia, um dia colocou num boião alquímico o limite que afinal lhe não pertencia. Uma vez mais divergia e fechava na sua concha as raras e puras pérolas, essas mesmas onde se incumbam os afetos sem “se”.

Essas mesmas que por um olhar amado na clareira de um feriado fazem corar o coração.

Então, sob um céu tão baixo que lhe acenava como uma escada, refletiu que os canteiros também se regam na terra dos mal-entendidos e das rosas colhidas, e não obstante o cansaço, levantou um voo não manco e deu a mão ao cortejo das dúvidas, de novo, por uma nesga soberana.

 

 Teresa Bracinha Vieira

CRÓNICA DA CULTURA

CONTO II - ANTE-VISÃO

  

 

Sentia receio deste envelhecer que lhe acontecia.

Via as datas como se ainda não tivessem tido até àquele momento qualquer realidade.

Se chegasse ao ano 2000 que idade teria? Como organizaria o seu quotidiano se fosse viva? E olhava-se ao espelho, admirada, e a querer compreender que o que via, a deveria ajudar a situar-se em relação ao tempo.

Também se espantava com as crianças a brincar nos parques infantis por sentir tão longe de si essa verdade.

O envelhecer ultrapassava a sua imaginação.

E olhava para a mãe, e achava-a sem idade. Aqueles olhos dela, aquele sorriso tolerante quando a visitava e que bem dizia que, pois, agora o tempo era pouco para tanto viver, ela também já fora assim. E, penteava-lhe o cabelo macio, daquela vez e da outra.

Às vezes, num estado de indolência agradável, mesclava memórias entre eixos que se interseccionavam e, todavia, não a esclareciam no tempo e no espaço que vivera.

Igualmente constatava que a idade lhe trazia um habitat do «eu» cheio das presenças dos seres ausentes.

Era uma nova forma de solidão que descobria ao confrontar destino no presente e no passado.

A passagem do tempo dava-se dentro e fora de si, e tinha medo de se perder nas múltiplas facetas da realidade que é preciso agarrar, pois tudo a conduzira ao dia de hoje.

Experimentava acima de tudo um vigoroso repúdio face à hipótese de suportar novas dores.

Um imenso cansaço atordoava-a de quando em vez, e a morte com deus morto, perdera a crença na companhia.

Mas sim, a velhice era emprego certo de contrato atípico.

Bem intuía agora, que antes de desaparecer para sempre, teria de fazer frente ao fim de um medo que adivinhava traiçoeiro, esse mesmo que já não lhe deixaria memória.

 

 

Teresa Bracinha Vieira

CRÓNICA DA CULTURA

Conto I - SÓ EU ME FALTAVA A MIM

  

 

Casar era a única solução

porque era como se se deixasse para trás tudo o que vivia a sacrifício dos sonhos.

Casar era a possibilidade de se mudar para uma perspetiva

e poderia ser ainda

a força de um comboio que fugiria como um louco da vida sem viagem.

Na televisão, os filmes não condenavam os beijos de verão, auspícios de bodas.

Na televisão, os filmes não sofriam daquela indignação moral que proibia as religiosas de amarem como as bailarinas.

Assim, quando se jogava a petanca, apurava-se a certeza de que bastava perder-se a ingenuidade, se se entendesse, de uma vez, que os pais a desejavam mesmo era casada; bem entregue a quem não lhe levantasse a mão.

Levantar a mão, não. Isso não. Os bens nascidos sabiam que isso era muito feio e os filhos futuros ficariam traumatizados, se vissem.

Assim, casar, fora a única solução, apesar de já sentir cansaço no desejo de agradar sob a bolha de uma outra impotência e ainda

ouviu um dia: tu vê lá o que me fazes! não existem divórcios na nossa família. Não me dês esse desgosto, essa vergonha, mata-me!

A sensação de que atras dela um livro se escrevia sozinho fê-la pensar que agora a vida deveria ser

como apanhar uma dose de boleia da televisão a cores e não adormecer com a mira técnica em fundo.

E não adormeceu.

Agora começava a nascer-lhe uma nova espécie de desejo; o de pensar em si, fora do casal e da família.

O Maio de 68 continuava nas origens.

Agora a terra seca cheirava inequivocamente a tomilho.

Sentara-se à beira do riacho, naquela aldeia que tratava por tu as dores do dar à luz no desbulhar do milho e sem queixa, já que ainda por ali assim era e

o tempo dos filhos devia substituir o tempo dos mortos: a seco e nada mais. E tudo tão parecido com a sua família, afinal.

E a sensação eufórica

de que conseguiria chegar até onde o livro que tinha nas mãos lhe propusera.

Quanto desejo de aprender e realizar coisas novas

está? Ouves-me? Sim, o barulho é da taberna de onde te telefono. Ouves-me? Claro que tenho comigo a esferográfica. Estou aí domingo. Em qual? Ainda não sei.

À medida que a sua memória se despia da humilhação do até então não verbalizado, o presente era cada vez mais um campo de agir:

o inverno interminável entrara pela esferográfica e saía agora papel fora numa entrevista à vida

 

àquela mesma da qual perdera enfim

 

o medo de largar tudo antes que tolerasse

 

Teresa Bracinha Vieira