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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

LONDON LETTERS

 

The Humanitarian R2P, Higher Loyalties and The CHOGM, 2018

 

Agir ou ignorar? As nações nos dois lados do Channel reinventam-se na globalizada guerra síria ao decidirem por cirúrgica intervenção bélica ao lado dos USA, fundamentada no humanitarismo da responsability to protect. A Prime Minister Theresa May invoca também o “national interest” ao explicitar as razões da participação militar em debate na House of Commons.

Chérie! À bon entendeur, salut! O UK envolve quatro RAF Tornados no raide contra o arsenal químico do President al-Assad na sequência do assalto a Douma, O reino está agora em estado de alerta face a esperada ofensiva cibernética contra infraestruturas críticas por retaliação do aliado russo, — Umm. The return to the old cat and mouse game. Já Berlin ameaça o Kremlin, com a Bundeskanzlerin Angela Merkel a avisar que o Nord Stream 2 Pipeline através do Baltic Sea só avança com reconhecimento de Ukraine como “a transit country for gas to Europe.” Washington e Moscow dispersam as atenções. Na promoção de livro incendiário, o ex diretor do FBI James Comey afirma que o President  Donald J Trump é “morally unfit” para exercer o cargo. O visado em A Higher Loyalty riposta que o G-man por si exonerado é a “slimeball.” Escrita fatalmente incómoda pertence a Mr Maxim Borodin, porém, o mais recente jornalista russo a morrer em estranhas circunstâncias após relato sobre os mercenários do Wagner Group. London acolhe o Commonwealth Heads of Government Meeting e o Prince Harry of Wales é feito Commonwealth Youth Ambassador.


Os dilemmas do allowing & doing The War regressam ao debate público.

 

Fine climate at Central London, with birds, blooms and a beautifull sunshine. As gentes denotam o not worrying too much about the uncertainties of the British weather quando o Mall se preenche com as 53 bandeiras do Commonwealth Summit para a reunião intergovernamental de uma royal republic of 2,4 billions citizens around the globe por cá conhecida como The 2018 CHOGM. Também as House of Parliament retomam os trabalhos, com uma first full session até altas horas da noite a que não falta sequer colorida demo na novamente movimentada Westminster Square. Aliás, vem do exterior o mais persuasivo dos argumentos para assistir à acesa querela havida nos Commons sobre a operação síria da tríade ocidental. ― "For goodness’ sake, he is A DOCTOR!" O «bom doutor» a que a ativista se refere é Mr Bashar al-Assad, em episódio de protesto digno dos Monty Python e que evidencia a cândida incredulidade pacifista do grupo Stop the War face à alegada responsabilidade do regime de Damascus no ataque com gás a Douma. Já na câmara soa o aço na esgrima entre apoiantes e críticos do lançamento dos mísseis nas margens do Jordan River. A Prime Minister presta contas durante mais de três horas e responde robustamente a questões colocadas por 140 MPs. A Loyal Opposition acaba a ganhar novo emergency debate para amanhã, sob proposta de um War Powers Act apresentado por RH Jeremy Corbyn com exigência de consulta e voto parlamentar prévios a qualquer ação militar. Algo que, na prática, aspira revogar a presente e executiva Royal War Prerogative e que o Tory MP Andrew Bridgen logo reintitula como “No War Powers Bill.”

 

Se as condições do recurso à força são abertamente questionadas, nos fundamentos e na finalidade, já o Her Majesty’s Government invoca o interesse nacional e a importância de se punirem quantos violem a proibição mundial das armas químicas ― seja nas ruas de Salisbury ou nas de Douma. No longo debate ecoam as tensões entre a Russia e The West a par dos riscos de escalada militar entre as potências regionais do Levante. Downing Street hasteia o estandarte humanitário e a responsabilidade de proteger os sírios numa guerra civil que entra no oitavo ano com um passivo de aproximadamente meio milhão de mortos, 14 documentados ataques químicos e 11 vetos russos no UN Security Council a bloquearem the diplomatic road. Mrs May enuncia a base legal da aliança UK-France-US contra o regime de Damascus: "It required three conditions to be met. First, there must be convincing evidence, generally accepted by the international community as a whole, of extreme humanitarian distress on a large scale, requiring immediate and urgent relief. Secondly, it must be objectively clear that there is no practicable alternative to the use of force if lives are to be saved. Thirdly, the proposed use of force must be necessary and proportionate to the aim of relief of humanitarian suffering, and must be strictly limited in time and in scope to this aim.” Reagindo ao ruidoso criticismo das oposições, em particular à declaração de RH Red Jezza de esta ser “an action legally questionable,” a senhora insiste uma vez e outra que “we have done this because it was the legally and morally right thing to do."

 

A Prime Minister ventila princípios da guerra justa, a jus bello que por cá recorrentemente choca com clássico ‘flower power’ da Urnicopia que hoje milita no topo do Labour Party e no caso árabe se cruza com uma audível propaganda machine. Ora, 25 anos depois do fim oficial da Cold War, aquém das desventuras arenosas na Irak War mas a par da interposição bem sucedida no Kosovo, a atual polarização política contém ainda cicatrizes de um passado recente que cabe recordar para perceber o risco que o May Government corre no debate parlamentar de amanhã caso ali seja censurado por via de adversarial voto pacifista ou oportunista. O intervencionismo militar de caráter humanitário sofreu um sério revés na House of Commons, em 2013, às mãos do anterior líder trabalhista. Mr Ed Miliband logra então impedir, because of the opposition in the legislature, que o UK participe em similar ação do Cameron Tory Govt ao lado dos US, assim desmobilizando também o President Barack Obama na sua “red line on Syrian chemical use.” O rasto dos efeitos está à vista, em renovadas disputas nas esferas de influência, globais e regionais, num país de altas montanhas e vastos desertos, na borda do Mediterranean Sea, cujas fronteiras tocam Turkey, Israel, Irak, Lebanon e Jordan. Por perto estão, geograficamente claro, a Saudi Arabia e o Iran.

 

Desconhecendo-se quais os objetivos estratégicos da intervenção ocidental no vespeiro jihadista que é o Middle East e não vislumbrando por lá líder decente que caiba publicamente apoiar, ainda assim exigindo-se a quem pode que proteja os martirizados inocentes pelos quais o Pope Francis apela à consciência universal, última nota para históricos desastres que marcam os dias abrilinos, A 15 April 1912 afunda-se o Royal Mail Ship Titanic. O unsinkable transatlântico da White Star fazia a sua maiden voyage entre Southampton to New York, com pelo menos 2,224 passageiros e tripulantes a bordo. Cerca de 1,500 pessoas morrem no cognominado “The Millionaire’s Special,” após o maior navio da era edwardiana colidir com um icebergue. A 16 April 2018 naufraga o Home Office. Apura-se que o departamento governamental do 2 Marsham Street tem exigido a British citizens há décadas chegados de barco das várias paragens tropicais da Commonwealth, por cá trabalhando, criando família e educando filhos e netos, que provem “the right to live here” sob pena de deportação. O ministério ontem liderado por RH Theresa May e hoje por RH Amber Rudd choca nos emigration checks com elementar senso e a Windrush Generation do post-1945. Vêm aí, a galope, as eleições locais. — Bah. Precise portraits in King Lear makes Master Will of Edgar and Edmond after the discovery of their different status as sons of the Earl of Gloucester: — “This is the excellent foppery of the World that when we are sick in fortune – often the surfeit of our own behaviour – we make guilty of our disasters the sun, the moon, and the stars, as if we were villains by necessity, fools by heavenly compulsion, knaves, thieves, and treachers by spherical predominance..."

 

St James, 16th April 2018

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The Great Game is back, 2018

 

Admirável solidariedade ocidental para com Salisbury. Quer pela coordenação, quer pela extensão, quer pelo efeito surpresa, a expulsão simultânea de 136 diplomatas russos hoje ocorrida em 22 países entra na antologia das relações West-East.

É um resultado direto dos desempenhos da Prime Minister Theresa May no último European Council e do Foreign Office junto dos aliados, bem como da Trump card em Washington. À ilharga do êxito, o pré acordo EU-UK passa incólume em Brussels e na House of Commons. A indústria pesqueira protesta no Thames. — Chérie! Abondance de biens ne nuit pas. Manifestação contra o anti semitismo no Labour Paty. O líder RH Jeremy Corbyn apresenta desculpas à comunidade judaica enquanto despede Mr Owen Smith MP do Shadow Cabinet, após o adversário na corrida pelo bastão clamar por segundo euroreferendo. — Umm. Tell me who you go along with and I’ll tell you who you are. Uma sondagem da LBC aponta que, na opcional, os Brits preferem sair da Other Union a manter Northern Ireland no United Kingdom. Frescas imputações recaem sobre o overspendnig dos Brexiters. A gaulesa Gemalto ganha o contrato para produzir os novos passaportes britânicos. O terrorismo islamita mata em Trèbes (France). Um mandato de Madrid detém o ex presidente da Catalonia em Germany, incorrendo Signor Carles Puigdemont em pena de 25 anos por sedição. Nuvem arenosa do Sahara cai sobre Greece. Malaysia promulga a primeira “fake news law.”

 

 

Springtime at Central London, with sunny, dry and enjoyable weather. Dias interessantes também, por aqui e pelas redondezas! Observe-se Westminster. A praça e as suas estátuas assistem hoje a episódio da esfera do extraordinário. Por regra e costume, por aqui circulam as manifestações contra o Her Majesty’s Government desde tempos vindouros. Hoje, porém, ali se protesta contra The Most Loyal Opposition por iniciativa do Jewish Leadership Council. Os rabis apontam o dedo o Honourable Gentleman Jeremy B Corbyn como "figurehead of an anti-Semitic political culture." Nem as desculpas de última hora do líder trabalhista poupam o insólito de escutar um Lab MP após outro Lab MP, representativos dos círculos judaicos, a lamentar o atual naufrágio partidário. Os laços rasgam-se desde que Rt Hon Jezza compara Israel ao Isis, numa série de incidentes que culmina no apoio a um mural em East London que parece saído de goebbelsian imagination sobre o estereotipo da zionist world conspiration. O MP de Islington North declara-se "sincerely sorry for the pain which has been caused" e reconhece agora a existência de "pockets of anti-Semitism" no Labour Party. Para os seus apoiantes, porém, o pranto hebreu nada é senão a smear campaign em véspera das eleições locais ou antes manobra de diversão perante críticas à banca capitalista e aos colonatos de Telaviv em solo palestiano. As justificações da política semitíca de Herr Hitler, a negação do Holocaust e ensaios afins ficam fora da tela esquerdista amante do Hamas&co.

 

Dentro das Houses of Parliament vivem-se cenas igualmente memoráveis numa tarde balizada por esperados statements da Tory Prime Minister relativos ao European Council e à National Security, mas sobretudo marcada com as mensagens laudatórias a Mrs May após a sucessão de anúncios do desmantelamento de boa parcela da rede russa de espionagem às mãos das democracias ocidentais, de Germany, Spain e Latvia ao Canada, Australia e Iceland. Os sorrisos largos dos conservadores patenteiam a atmosfera. A abrir o debate sobre a eurocimeira, acelerando a agenda, o Lab Leader esbate anterior (e solitário) desalinhamento com Downing Street na resposta ao ataque químico em Salisbury: “On Russia, I welcome the international consensus that the Prime Minister has built; as I said two weeks ago, the most powerful response we can make is multilateral action. So I would like to place on record our thanks to the EU and other states for their co-operation with us.” RH Red Corbyn passa depois pelas queixas dos pescadores sacrificados na fase da implementação da Brexit e move a atenção para as tarifas aduaneiras que a Trump Administration prepara sobre as importações americanas de aço e alumínio. A boa disposição alarga-se já aos backbenchers nos dois lados da Commons Chamber, com a primeira linha trabalhista a denotar a baixa de RH Owen Smith, O próprio Shadow Northern Ireland Secretary apregoa autor e porquê da expulsão: "Just been sacked by @jeremycorbyn for my long held views on the damage #Brexit will do to the Good Friday Agreement & the economy of the entire U.K.”

 

Mas como explicar os mega acontecimentos do dia? Terá sido dos hamburguers em Washington, do champagne em Moscow, do baijiu em Beijing ou das artichokes que acompanham os pan-fried scalops em Brussels? Quem recordar a gélida forma com que a senhora é recebida no seu primeiro European Leaders Summit, após o Brexit vote no reino, terá de tirar-lhe o chapéu pelas artes de persuasão no concerto internacional. Quatro horas de uma dinner conversation em Brussels, e muitas mais ao telefone com chancelarias à volta do globo, bastam para unificar posições face à agressão do Kremlin por terras de Wiltshire, a par, é certo, da monitorização que os pares vão fazendo do tweet do President DJ Trump no tocante ao aço alfandegário – com London a negociar “a EU temporary exemption into a permanent exemption.” O mais fica nos anais da Cold War 2.0. e nos danos aduaneiros à economia chinesa. O No. 10 reagira ao Salisbury Incident reenviando “23 undeclared intelligence Officers” para Moscow. Segue-se hoje acordada, sequenciada e idêntica medida pelos aliados. Assim: Os USA expulsam 60 diplomatas russos, com fecho do crítico consulado de Seattle; Ukraine, 13; Canada, 4; France, 4; Germany, 4; Poland, 4; Lithuania, 3; Czeck Republic, 3; Italy, 2; Netherlands, 2, Spain, 2; Denmark, 2; Albania, 2; Australia, 2; Iceland, 2; Finland, 1; Latvia, 1; Estonia, 1: Romania, 1; Croatia, 1; Sweden, 1; Norway, 1. O rol das alianças continuará em crescendo. Os 18 países inicialmente mapeados pelo Foreign Office sobem já para 22, 15 dos quais são parceiros continentais. Outros 12 ponderam o que fazer: Austria, Belgium, Bulgaria, Cyprus, Greece, Hungary, Ireland, Luxembourg, Malta, Portugal, Slovakia e Slovenia. A geografia política importa.

 

Meanwhile, o número um da European Commission desafina estrondosamente da orquestra global com o envio de calorosas saudações ao neo Tsar pela vitória eleitoral e mais seis anos no Kremlin. A carta de Brussels para Mr Vlad Putin merece registo pelo muito que também evidencia quanto às controversial unchartered waters da Brexit e à hostilidade da máquina administrativa no Ares. Endereçada ao “Excellency, Mr President” e assinada com um “Yours sincerely”, datada de 20th March 2018, Monsieur Jean-Claude Juncker escreve mais do que o protocolo eurocrata recomenda: “I wish to convey my congratulations on your re-election as President of the Russian Federation. / I have always argued that positive relations between the European Union and the Russian Federation are crucial to the security of our continent. Our common objective should be to re-establish a pan-European security order. I hope that you will use your fourth term in office to pursue this goal. I will always be a partner in this endeavour. / I wish you every success in carrying out your high responsibilities." Alguém andará a ler pela partitura errada. Quem? — Well. Remember how Master Will echoes the orb complains of the servant Dromio about the treatment by his masters in The Comedy of Errors: — “Am I so round with you as you with me, / That like a football you do spurn me thus? / You spurn me hence, and he will spurn me hither. / If I last in this service, you must case me in leather."

 

St James, 26th March 2018

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The Labour’s Brexit shift, 2018

 

How ironical! Depois de uma vida política de eurocético ativismo face aos continentalistas do seu Labour e do Conservative Party, eis RH Jeremy Corbyn a envergar as vestes de Remainer-in-chief

Um ideológico discurso em Coventry sobre a European Union serve ao líder trabalhista para anunciar que quer manter Britain na união aduaneira. Melhor que esta mudança de agulha, só o aplauso empresarial ao trotskista que promete renacionalizar a economia. — Chérie! On sait ce que l'on quitte, ne sait pas ce que l'on prend. O termómetro continua nos baixios por todo o reino. O cartoonista Matt sopra 30 velas de bem humorado traço no Daily Telegraph. — Well. Laughter is the best medicine. No resto do mundo, o US President Donald J Trump afirma que "we have more seven years of this" no anúncio da sua recandidatura. North Korea cede a trato diplomático com Washington. O China Communist Party pavimenta a manutenção ilimitada de Mr Xi Jinping na presidência, com emenda constitucional ao limite de dois mandatos no cargo. Por unanimidade e ao oitavo ano de guerra, devastação e tormento, o UN Security Council aprova cessar-fogo na Syria ‒ prontamente violado por indiscriminada escalada de violência.

 

 

Wind chill, a lot of weather warnings, but no signs of snow at London. Uma vaga de frio ártico perturba o quotidiano no reino, com as invernosas confusões de estradas, carris e aeroportos a estenderem-se até aos telemóveis. As imagens das árvores nevadas e das lãs adicionais contrastam com o crepitar mercurial em Whitehall. O primeiro sinal de faísca vislumbra-se na House of Commons. Em diálogo com a Premier, pela primeira vez em meses e depois do intelligence tale ressuscitado dos anais da Cold War, o Leader of Her Majesty's Most Loyal Opposition traz a Brexit para a despatch box. Os MPs digerem ainda o briefing paper com as Council Directives for Negotiations on Transition e o gradualismo da regulatory divergence face a Brussels. No ar pairam também as estranhas garantias do RH David Davis de a retirada da Other Union não significar queda “into a Mad Max-style world borrowed from dystopian fiction.” Gostos literários do responsável que por estes dias voa até Lisboa à parte, Red Jezza é ferino no political tennis: “Does the Prime Minister not feel that the Brexit Secretary could set the bar just a little bit higher?” Right Honourable Theresa May responde com pauta brexiteira: “We are very clear that we are going to ensure that, when we leave the European Union, we are able to take back control of our borders, our money and our laws. The only fiction in relation to Brexit and the European Union is the Labour party’s Front Bench, who cannot even agree with themselves on what their policy is.”

 

RH Jeremy Corbyn persiste no tema, uma e outra vez, com ramalhete de citações ministeriais ao qual não falta a cor de RH Boris Johnson: “The Foreign Secretary recently made a speech about Brexit and found time to mention carrots, spam, V-signs, stag parties and a plague of boils. There was not one mention of Northern Ireland in his speech. We are halfway through—[Interruption.] the six speeches we were told would set out the Government’s negotiating position. So far, all we have had is waffle and empty rhetoric. Businesses need to know. People want to know. Even the Prime Minister’s Back Benchers are demanding to know […]. This Government are not on the road to Brexit—they are on the road to nowhere.” Chegados a nenhures, finaliza a residente no 10 sem requerido detalhe que não das aventuras do (codename) Agent Cob: “I think I have mentioned to the Right Hon. Gentleman before that his job is actually to ask a question, but I am perfectly happy to respond to the points he made.[…] But may I congratulate him, because normally he stands up every week and asks me to sign a blank cheque? I know he likes Czechs,..”

 

Ora, o conteúdo das alegadas conversas outrora havidas entre o MP por Islington North e um obscuro espião vindo do frio são do domínio do patético. 29 anos após a queda do Berlin Wall, os arquivos do KGB & Co. guardam decerto segredos e indiscrições. Todavia, do que veio a público dos ficheiros checos, confirma-se a aproximação comunista a deputados trabalhistas da ala radical, mas o mais excitante encontrado na pasta do “foreign secretary of the Left” aparenta ser o interesse pelos apetites de Lady Thatcher nos anos de Downing Street! De todo em todo há indícios que RH Jeremy Bernard Corbyn haja sido um colaborador, somente o sabido apóstolo de alto perfil. E é justamente o missionário vermelho quem acaba de curto circuitar o manifesto “For the Many, Nor the Few” com que o Labour Party se apresenta nas ultimas eleições e onde arrecada 40% dos votos. Alinhando com teses dos Blairistes e do seu Shadow Secretary of State for Exiting the European Union, Sir Keir Starmer, o Bennite antecipa-se ao esperado discurso europeu desta semana da PM e dá uma guinada na Brexit que muda mais que a forma a aprovar nas Houses of Parliament ‒ caso Brussels aquiesça no cherry-picking que sempre recusou. Na longa intervenção de Coventry deixa nova posição negocial: "A customs union is a viable option for the final deal. So Labour would seek to negotiate a new comprehensive UK-EU customs union to ensure that there are no tariffs with Europe and to help avoid any need for a hard border in Northern Ireland."

 

Esta viragem política dos trabalhistas abre o flanco ao derrube de RH Theresa May na liderança dos Tories, onde já hoje se perfilam RHs Anne Soubry, à esquerda, e Jacob Rees-Mogg, à direita. O governo minoritário dificilmente se aguentará nas eurovotações face à informal aliança do Lab com os conservadores rebeldes. O Springtime esboça alerta meteorológico para o Mayism, pois o alvo de Mr Corbyn é o No. 10. O calendário acelera. As England Local Elections de 3 May dirão do pêndulo partidário em 32 municipalidades de London, 34 áreas metropolitanas, 68 concelhos distritais e 17 autoridades unitárias a par das diretas para as Mayoralties de Hackney, Lewisham, Newham, Tower Hamlets e Watford. Uma derrota no país e no parlamento pode forçar a sufrágio antecipado no UK. Curiosíssima é a estranha banca de contrários ideológicos. — Umm. Ironical are those which augmented with tears the stream that did not need water like Master Will remind us in the adventurous Henry IV Part 1: — “There’s no more faith in thee than in a stewed prune."

 

St James, 26th February 2018

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The Munich speech, spies and, manners, 2018

 

O lugar escolhido é deveras curioso. Depois de Lancaster House (London) e Florence (Italy), Munich (Germany) é palco para um novo grande discurso da Prime Minister RH Theresa May sobre as futuras relações entre o United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland e a European Union. O tema em foco é também tão oportuno quanto incómodo: a segurança comum. — Chérie! Ne pas se poser de questions, c’est se garantir des mensonges.

O Sunday Telegraph revela laços perigosos entre membros do Labour Party e serviços secretos do antigo East Bloc durante a Cold War. No rol de alegados informadores dos ‘Commies’ aparecem os nomes de RHs Jeremy Corbyn e John MacDonell. O porta-voz do Lab Leader rejeita a imputação do anel de MPs. — Well, well. Every Jack has his dearest Jill. O Ukip despede o líder Mr Henry Bolton, tido nos bastidores como uma planta do MI5, colocando interinamente ao leme Mr Gerard Batten. South Africa procura novos rumos na era pós President Jacob Zuma. Para a eternidade partem já Mr John Mahoney e Mr Terence Marsh, aquele celebrizado pelo papel de Marry Crane em Frasier e este pela direção artística de cenários visíveis em Lawrence of Arabia, Doctor Zhivago ou Oliver. Mr Gary Oldman continua a amealhar com a sua interpretação de Sir Winston Churchill em Darkest Hour, desta feita com triunfo nos 2018 Bafta da British Academy Film.

 

 

Light rain but better low temperatures at Great London. A passarada guia os primeiros sinais do Springtime, a exemplo da gradual coloração nos rebentos florais. O fio simbólico das estações é também evidente na esperada intervenção primoministerial na Security Conference de Munich. RH Boris Johnson pavimenta-lhe por cá o caminho, com uma positiva visão de futuro soberano e braços abertos para os ‘nobres sentimentos’ dos Remainers nas vésperas do novo encontro da PM com a Bundeskanzeralin Angela Merkel em Berlin. O Foreign Secretary respira forte otimismo, quando as altas propinas universitárias preenchem a agenda doméstica e desviam o olhar para os desafios na vida dos mais jovens. Na big picture, porém, domina o countdown para March 2019. Mrs May aproveita a viagem a Germany para desnudar um pouco mais das realidades do Brexiting. Reafirma o comprometimento britânico na segurança comum face às ameaças globais enquanto anuncia que Westminster irá retomar o pleno controlo das suas políticas externa e de defesa ‒ campos até agora com responsabilidades partilhadas, nomeadamente no tocante às operações de assistência ou de manutenção da paz no resto do mundo. Pragmatismo é a senha de ordem na missiva de Downing Street para a Mitteleuropa.

 

Com o cenário teutão a sugerir quer o 1938 Agreement, assinado pelo PM Neville Chamberlain com o III Reich, quer o massacre dos 1972 Olympics, e consequente iniciativa do Foreign Secretary Jim Callaghan de criar um grupo intergovernamental para coordenar o europoliciamento e a ação antiterrorista, começa a tornar-se crystal clear para as chancelarias continentais que o reino está de saída da alçada de Brussels em múltiplas áreas sensíveis. A equação da Brexit tem mais, na perspetiva de London. Retirada da EU, sim, mas sem que tal signifique enfraquecimento na vontade política de uma protocolada nova fórmula de cooperação entre os margens do Channel. Ainda assim, autonomias à parte na rota de almejadas intermacionalidades, o Number 10 persiste na ausência dos detalhes concretos: “for ours is a dynamic relationship, not a set of transactions.” Na retórica da honorável representante de Maidenhead, sendo aqui o objetivo último “put the safety of ours citizens first,” haverá que concretizar “[a] relationship built on an unshakeable commitment to our shared values. (…) A relationship in which we must all play our full part in keeping our continent safe and free, and reinvigorate the transatlantic alliance and rules based system on which our shared security depends.”

 

Porque gerir a ambiguidade é uma das artes da liderança, abra-se a lente ao apontado atlanticismo. A última edição da Tablet apresenta três interessantes teses sobre a ascensão política de DJ Trump. É um leque alternativo viável às teorias da conspiração popularizadas pelo FBI quanto ao atual inquilino da White House ter sido alcandorado à presidência com o apoio ativo do regime russo, hipótese que acaba de ganhar formas com a 37-pages indictment contra 13 indivíduos, por alegada, concertada e dolosamente organizarem “fake campaign events” visando minar a candidatura democrata de Mrs Hillary R Clinton. O artigo de Mr Paul Berman antes foca o perfil sociológico dos eleitorados, escalpeliza os argumentos dos agravos materiais e dos ressentimentos culturais, contextualizando depois o candidato “unWashingtonian” na tradição dual da Great Republic, para acabar a identificar as raízes profundas do classificado “Mussolinian con man” e do seu “Italian style” (leia-se: mafioso) com avassaladora derrocada moral de valores na atual paisagem americana: “the cultural collapse‒ of civility, education, and decorum.” O artigo merece leitura demorada, para fixar o pormenor metodológico. — Umm. Civility, incivility! Politeness! Manners? What about those woolly lines of Master Will by the Duke Senior’s mouth in the entertaining As You Like It: — “This wide and universal theatre / Presents more woeful pageants than the scene / Wherein we play in."

 

St James, 19th February 2018

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Papa Xi, The Kremlin Connections and, The Westminster Pests, 2017

 

O insuspeito Washington Post adverte que as campainhas de alarme deveriam estar a soar nas democracias à volta do planeta face à nova ambição de Beijing ascender “a leading global power.”

Esta é a visão para o império do meio traçada pelo China President Xi Jinping no 19th Communist Party Congress, o qual tanto cimenta a sua liderança no poder como o promove ao panteão constituinte, a par do fundador Mao Zedong e do reformista Deng Xiaoping. Ao invés, no palco dos World affairs, as torres gémeas dos US e da European Union afundam-se em tristíssimas trivialidades.  — Chérie! Tout est bon à prendre. A conexão russa faz as primeiras vítimas na equipa do colorido inquilino da White House, com a detenção domiciliária pelo FBI de dois dos colaboradores na campanha presidencial. Brussels arrasta-se entre as negociações da Brexit e a autoproclamada independência dos Catalans. London embaraça-se com a spreadsheet de 27 MPs suspeitos de assédio sexual. — Umm. A drowning man will catch at a straw. Já os arquivos nacionais norte americanos desnudam mais um dos sete véus que envolvem o assassinato do President John F Kennedy em Dallas (Texas) e fresca pegada moscovita. Mr Lewis Hamilton sagra-se “Britain's most successful F1 driver” ao vencer o quarto campeonato mundial no Mexico.

 


Frosty temperatures
at Central London. Conspirações, mistérios e escândalos circulam em Westminster City à velocidade da luz. Atenção primordial, pois, para a estória cintilante do quase centenário Mr Ron Jones em vésperas do Remembrance Sunday. Conta a Sky News que o senhor há três decénios vende a Red Poppy com assinalável sucesso num supermercado local Tesco, sob uma aura especial e recuada à II World War. Soldado no 1st Battalion Welch Regiment no Middle East, em 1942 é capturado pelos Nazis em Benghazi (Libya) e transferido para Auschwitz (Ger). Aqui labora com judeus também escravizados na “IG Farben's infamous chemical factory.” Sobrevive, onde muitos caem que nem tordos. Perto do final da guerra, é forçado pelos caveirosos SS a uma marcha da morte, entre Poland e Austria, 17 gélidas semanas privado de mantimentos, arrostando o fenecimento dos pares, sendo finalmente libertado por tropas paraquedistas aliadas em May 1945. Regressa a casa, em Newport. Hoje, muito justamente aos olhos dos ilhéus, é classificado como "a legend" na comunidade de apoio à Royal British Legion. 

 

Este glorioso avô funciona como o fumo de um bom cubano face à paranoia da talk of the town. Há sexual pests nas Houses of Parliament e seus arredores! Relatórios diários chegam à mesa da Prime Minister RH Theresa May MP, como se lhe não bastara a arenosa negociação da retirada do UK da European Union e a memória dos almoços, jantares e sanduíches no fuso bruxelense com algumas inefáveis personagens. Verdade se diga, porém, que muitos dos rumores se liquidificam nas almas românticas do reino. Ainda assim, senão capaz de coibir os predadores mas dissuasor bastante para os pinga-amores mais temerários, o alvoroço anima as redes sociais ávidas de casos de sexual and racial harassment. Que existe inappropriate behaviour no circuito da misoginia, haverá, e de diversa espécie, entre drugs addictions & drink habits. Indignadas com o abuso, grupos de mulheres a operar em Whitehall engrossam o rol de queixas que há muito rodam pelos corredores da BBC. De tal modo que, hoje, nos Commons, respondendo à Labour MP The Rt Hon Harriet Harman em questão urgente, a Leader of the House RH Andrea Leadsom anuncia um código de ética sexual, enquanto a própria Premier apela em carta ao Speaker John Bercow que "ensure the reputation of Parliament is not damaged further." Uma situação em particular se destaca na tela: quem será, entre os até agora seis implicados, o Tory do HM Cabinet conhecido pelo nome de “Happy Hands?”

 

Após o sky diving protestante junto ao Thames em tempo de celebrar os 500 anos das 95 Theses pregadas pelo Father Martin Luther, a 31 October 1517, nas portas da Castle Church na alemã Wittenberg, nota para um bem humorado kayaking nas ondas hertzianas O Mayor Sadik Khan estreia-se como apresentador de rádio na mais estranha orquestra de pinguins que vem à memória numa semana sem Mr James O’ Brien nas manhãs da amada LBC. Com o trabalhista e o bónus da sua entrevista ao Honourable Lab Leader Jeremy Corbyn, um dia atrás do outro, surgem as vozes incomparáveis do Conservative MP Jacob Rees-Mogg e do Labour MP Chuka Umunna a par do ITV Political Editor Mr Robert Peston. Para currículo numa well-deserved break de James, quando este atinge o primeiro milhão de ouvintes e o Foreign Secretary RH Boris Johnson vai a Lisboa brexitar as cláusulas do Windsor Treaty (de 1386) ao homólogo Dr Augusto Santos Silva, it just could getting worse… Acabado de cair das nuvens, desta feita para as bandas de Hollywood, está Mr Kevin Spacey, nenhum outro senão o protagonista da profética House of Cards. — Well. Meanwhile, as time goes by, why not learn with Master Will at the Barbican and that black Coriolanus: — “Enough, with over-measure."

 

St James, 30th October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

Diplomacy and, Merchants, 2017

 

Et voilà. A Prime Minister RH Theresa May afirma na House of Commons que as Brexit talks correm bem e logo o Leader da Her Majesty Most Loyal Opposition RH Jeremy Corbyn diz o contrário.

Teme-se que as euronegociações vão de mal a pior nos jantares de trabalho dos 27, em London e Brussels, mas inexistem queixas dos cozinheiros. — Chérie! Toutes les choses sont difficiles avant d'être faciles. O Foreign Secretary RH Boris Johnson revela a gravitas na Chatham House, com discurso sobre a diplomacia. A BBC investiga as origens da double-entry accounts bookkeeping entre florais Venezia e Milan. — Well. Jack is as good as his master. China ouve Mr Xi Jinping anunciar uma nova era no 19th Congress do Communist Party. Spain divide-se em torno da Catalonia. Nos US, o ex President George W Bush é o mais recente passageiro VIP a entrar no comboio do “take down the Trumpism.” Mr George Clooney aponta cumplicidades na tragédia sexual de Harvey Weinstein e abala os modos de recrutamento nas fábricas de Los Angeles e arredores. Faltam 60 dias para o Christmas.

Occasional  showers at Central London. O Mayor Sadik Khan avança com nova taxa de toxicidade em criativa política ambiental. Com a T-charge, os carros mais poluentes pagam £10 para os cofres de City Hall e assim a todos podem cianizar no centro histórico. As House of Parliament preparam o debate sobre a conservação do venerável Palace of Westminster. O custo do projeto continua a crescer entre batalhas surdas de arquitetos, engenheiros e outros. No entretanto, também sobreocupados Lords, MPs e jornalistas esgrimem barbadas razões nas olimpiadas do Brexit or no Brexit. Esta tarde, após carta aberta com welcome sign aos cidadãos europeus por cá residentes, a Premier informa os Commons sobre os últimos desenvolvimentos das conversas com Brussels. Nos bastidores é o Labour Shadow Sir Keir Starmer quem move esforços transpartidários “to force concessions on the EU Withdrawal Bill.” Também a BBC eleva a voz entre os lobbystas, para reclamar que o Tory Govt encete “an urgent transitional agreement with the European Union to give firms greater certainty on a smooth Brexit.” O Professor Timothy Garton Ash interroga no Guardian sobre a decadência do West, quando até capitais como Bulgaria se agitam, ao descrever desconfortável viagem atlântica da “Brexit frying pan into the Trump fire.”

 

Já novo vigor ao Brexiting doa o Rt Hon Boris Johnson numa conferência na Chatham House sobre as ambições nucleares à volta do mundo. Apontando a dedo rogue states como o Iran ou North Korea, o Secretary of State for Foreign & Commonwealth Affairs começa no estilo habitual: “It is fantastic to be here in this wonderful hotel, that I think that I opened or reopened. I opened many hotels across London in my time as Mayor and I definitely reopened this hotel at one stage and this is after all an example of the kind of infrastructure that you were just talking... It is an inspirational structure.” O tom muda então. Com a statesman voice, surge o elogio à diplomacia como fórmula política para uma moderna bill of rights no concerto internacional. Sobre as relações do reino com o continente, Bojo é claríssimo no apoio ao Prime Minister’s Florence speech. Ou seja: a um período de transição que respeite os resultados do euroreferendo.

 

Ainda com ecos da paisagem emiliana, novidade vem de Mr Tim Hartford sobre o famoso sistema contabilístico da dupla entrada. O autor de 50 Things That Made the Modern Economy questiona a autoria da ferramenta financeira usualmente imputada ao Maestro Luca Pacioli e antes a atribui a um mercador de lã do Prato, terra às portas de Florence, de nome Francesco di Marco Datini. A teoria cruza os destinos do seu discreto diário financeiro com a Arithmetica, Geometria, Proportioni et Proportionalita de Luca, colossal obra de 615 páginas por muitos classificada como “the most influencial work in the history of capitalism” e onde surgem 27 páginas acerca do método contábil. No plano dos achados históricos, referência também para uma exposição que acaba de abrir em Cambridge sobre The Codebreakers and Groundbreakers. Aqui são os sonhos matemáticos de Mr Alan Turing que estão em foco. O mastermind de Bletchley Park, onde quebra o código nazi durante a II World War, aparece no Fitswilliam Museum como… um aluno cábula. — Well. Even that Helen of Master Will so does say it in All's Well that Ends Well: — “Our remedies oft in ourselves do lie, / Which we ascribe to heaven: the fated sky / Gives us free scope, only doth backward pull / Our slow designs when we ourselves are dull."

 

St James, 23th October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

RH May’s last supper, or 28 beers in a bar, 2017

 

O senhor é inequivocamente um clássico. O President da European Commission reafirma pela enésima vez que o UK "have to pay” para avançar nas Brexit trade talks. Até aqui é só eurocratês e questão resumível a zeros.

Mas gloriosa inovação vem do enquadramento legal ora invocado por Monsieur Jean Claude Juncker para justificar o pagamento: “If you are sitting in a bar and if you are ordering 28 beers, and then suddenly some of your colleagues is leaving and he is not paying, that is not feasible.” — Chérie! L'eau est le meilleur des breuvages. A Prime Minister RH Theresa May aproveita o fuso alcoólico. Enceta esforços de phone diplomacy com a Kanzlerin Angela Merkel e outros líderes dos 27 para avançar com o negócio. Já esta noite voa a Brussels para jantar com o herói da LuxLeaks. Na last supper, London obtém o compromisso de aceleração nos tratos. — Well. Nothing is agreed until is agreed. A storm Ophelia abate-se sobre as ilhas britânicas, com vagas e ventos de 118mph guiando cinzas de Portugal. Do Atlantic à California, o fogo carcome a terra e as espécies. As  ancient woodlands do Kent são devastadas pelo avanço da A21. Os astrofísicos anunciam nova era nas estrelas. A East, Austria elege como chanceler Herr Sebastian Kurz, conservador de 31 anos, lá tido como The Messias. O escândalo do produtor de Shakespeare in Love, o mogul Harvey Weinstein, assombra de Hollywood a Hollyoaks.

 

 

A orange sky at London. A Sky informa que o red Oktober ocorre no midday em várias regiões de England. Os metereologistas explicam o fenómeno com air and dusk da Iberia e do Sahara, quando as chuvas torrenciais causam vítimas e danos em Ireland ainda antes da noitada O céu de Gloucester é visto como very freak. Cientistas das universidades de Warwick e Jacob Bremen falam de descobertas nas astrofísicas e na origem dos elementos. Também o Brexitting traz tintas inusuais e talvez almejado magical tipping point. Pelo meio, a Prime Minister janta em Brussels com os EU top negotiators, os inefáveis Monsieurs Michael Barnier e ainda Jean Claude Juncker. Se bem me lembro, a última vez que o grupo jantara foi em Downing St e tudo acaba em desastre. A governança continental insiste no estilo do old Cosimo Medicis. Nem o cozinheiro do nº 10 então escapa ao criticismo eurófilo.

 

Temo, porém, que alguém transmute a Blue Lady em ido RH Neville Chamberlain MP. Seja como seja, as fileiras atrás da dama estão formadas para a sucessão nos Tories e o Old Labour Party tem em RH Jeremy Corbyn a true bennite. No entretanto, tal qual Lady Margaret Thatcher em Fointainbleau, a PM tem sempre a carteira como… ultimate weapon.

 

Já outra senhora atravessa o Atlantic Ocean. Mrs Hillary R Clinton está no reino em grand tour promocional ao seu livro What háppened, narrando causas e cargas pela derrota nas eleições presidenciais americanas de 2016.

A impressão da Simon & Schuster tem 464 páginas, custa £20 e soma a um honoris causa pela Swansea University, em Wales, terra dos ancestrais. O marido ficou em casa, mas ela também não tem tempos livres na série cerrada de entrevistas onde reedita a oposição da Obama Administration à Brexit. Há algo de fantasmático na revisitação. Pela manhã é o Guardian quem prega susto de morte aos ilhéus, ao divulgar a revisão da riqueza nacional em baixa: menos £490 billions. Estimo que o Chancellor Phillip Hammond haja diligenciado contatos junto da ex US Secretary of State sobre as melhores práticas de gestão no bar.Ummm. Take it easy as does Master Will in As you like it: — “O coz, coz, coz, my pretty little coz, that thou didst know how many fathom deep I am in love. But it cannot be sounded; my affection hath an unknown bottom, like the Bay of Portugal."

 

St James, 16th October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The Lady, The Lyon and, The Butler, 2017

 

O discurso da Prime Minister RH Theresa May visa tocar sensível corda na mente coletiva. Renewing the British dream é o mote, porém, para desastrada encenação na Tory Party Conference.

A voz da senhora não resiste a uma constipação mal curada, cerca de 30 entrevistas em três dias e um discurso de 15 páginas, interrompido pela entrega de um boletim ‘P45’ e ainda um monumental ataque de tosse mais lenços mais água mais pastilhas. — Chérie! Il y a pas de rose sans épine. Em contratenor, com igual dose de ovações, o Foreign Secretary RH Boris Johnson MP faz uma poderosa intervenção de verbo churchiliano. Let that lyon roar é o eco que extravasa as paredes de Manchester e se espraia pelas veias dos ilhéus. — Well. A carpenter is known by his chips. Algures na ilha, o ex cabecilha dos Lib Dems Mr Nick Clegg apela à filiação no Labour Party para obviar à Brexit. Berlin e Paris alinham recusa aos termos do ‘Florence Speech’ para o período de transição da saída do UK da European Union. London apresta o… No deal. O parlamento da Catalonia debate amanhã a proclamação da independência.  O shining British Mr Kazuo Ishiguro vence o 2017 Nobel Prize in Literature, com romagens da memória como The Remains Of The day e esse mordomo de nome Stevens.

 

 

Vibrante é a comunicação do Brexiter mor RH Boris Johnson, “a lucky general” em campanha. Notem este finale do MP de Uxbridge ao perpetivar a retirada do reino do superestado europeu: “There are people say we can’t do it. / We say we can. / We can win the future because we are the party that believes in this country and we believe in the potential of the British people. [..] We are not the lion. / We do not claim to be the lion. / That role is played by the people of this country. But it is up to us now – in the traditional non-threatening, genial and self-deprecating way of the British – to let that lion roar.” A plateia é catapultada das cadeiras. Na Conservative Home, polvilhada de rumores de eventual candidatura do anterior Mayor of London à sucessão nos Tories e em Downing Street, Mr Paul Goodman é lapidar quanto ao X Factor: “[T]he week will have reminded them of an inconvenient truth – namely, that the Foreign Secretary stands out from his Cabinet colleagues in being able to make a mass Tory appeal with pizzazz, wit and gusto.”Still dry days at Great London. A petit histoire, para começar. Há muitos anos atrás, ao assistir a ilustre ópera num teatro português, soa um inesquecido comentário nas filas em volta no momento mais dramático do musical: ― “Morreu muito bem.” Efetivamente, após uma longa e trinada ária, a heroína jazia em palco. O episódio regressa, com um sorriso, quando escuto nas ondas hertzianas o discurso de Mrs May no último dia da Conservative Conference. O fantástico James O’ B cedo informa na LBC que caíra o “f” da mensagem atrás da oradora ― Building a country that works for everyone. Segue-se uma opereta trágico cómica. A meio da intervenção, a Husky voice da Premier fenece. A Lady tosse, regressa às palavras, tosse, a voz enfraquece, tosse, o som esvai-se. As interrupções são pontuadas pelo bom humor da PM. A sala ergue-se em apoio. A senhora retoma a prédica. É socorrida aqui e além, sendo até brindada com uma carta de desemprego por infeliz prankster. Resultado do evento? Os Mayists felicitam-na pelo figting spirit. Os críticos fustigam-na com a metáfora viva de quem have nothing to say. O imparcial Mr Tom Peck conclui que “not for anything like the first time in recent years, the satirist is reduced to transcriber.”

 

Em linha com o estilo de Sir Winston Churchill, aplauso e aclamação vai ainda para outro talento das imaginary homelands: Mr Kazuo Ishiguro. Muitos terão talvez presente o trabalho do 2017 Nobel Prize in Literature por via do filme The Remains of the Day, do Director James Ivory, com a dupla Mr Anthony Hopkins e Mrs Emma Thompson. As suas palavras soarão até revestidas pelo inconfundível timbre de Mr Stevens, the imperfectly perfect butler, ao exclamar “it's not my place to have an opinion” quando este rememora Darlington Hall ou celebra “the calmness of beauty, its sense of restraint” ao viajar por England. Pintam KI como um exótico híbrido de Mr Franz Kafka e Miss Jane Austen; leio-o com cores próprias. E vero prémio entrega a Stockolm Academy ao literato quer do quintessential British manor house book, quer de An Artist of the Floating World, When We Were Orphans ou A Pale View of Hills.Well, well. A fine reading for sure after those tricky lines of Master Will in Troilus and Cressida: — “The ample proposition that hope makes / In all designs begun on earth below / Fails in the promis'd largeness: checks and disasters / Grow in the veins of actions highest rear'd."

 

St James, 9th October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The party conferences’ season, 2017

 

Com locais de reunião inverosímeis no reino, eis que chega a estação das conferências partidárias. É fruta da época. Os conservadores concentram-se em Red Manchester com o chapéu da PM RH Theresa May MP no topo da agenda. Os trabalhistas convivem em Brighton cantando Oh Jeremy!

Os Lib-Dems consagram a liderança de Sir Vince Cable em Bournemouth. E os ukipper's adotam de assentada, em Torquay, um novo dirigente e um leão como logotipo. — Chérie! C'est au pied du mur qu'on voit le maçon. O programa das obras de conservação do Big Ben e da Elizabethan Tower duplica de preço. Estimado em £29m na primavera de 2016, “including VAT, Risk and Optimism Bias and transferred fire safety work costs,” o valor total do projeto envolvendo a Tower, o Great Clock e o Great Bell sobe para £61m. — Well. With that Victorian masterpiece, we have to watch them. Catalonia redige declaração da independência. OS US vibram com a devastação em Puerto Rico e massacre em Las Vegas. Na Australia, Mr Elon Musk revela o plano da SpaceX para povoar o planeta Mars. 

Autumn days at Great London. Westminster District desertifica-se por momentos dos honoráveis talking animals. Por curioso alinhamento astral, os principais clãs partidários rumam para a costa que tanto inspirou os vitorianos a par da flora e da fauna. Desses tempos da revolução industrial perduram palavras e imagens, casas e paisagens, artes e ideologias. Temo que a hodierna safra à beira mar não se lhes equipare na técnica de pastorear as gentes. É que, na bissetriz, ainda que também visem apelar à emoção das audiências, again and again, is all about Brexit. Mas observe-se a beleza desta tela de Mr Briton Rivière (1840-1920). A dama é a sua daughter-in-law, Mrs Henrietta. O óleo está na Tate e é um todo um depoimento político. Contém uma estória, tem elegância  e mostra um ideal. Não de todo por acaso, o pintor de St Pancras afirmava-se "a great lover of dogs," notando algures que "you can never paint a dog unless you are fond of it.” Hoje, simplesmente, há mistério a menos.

 

Ora, com os megafones e as câmaras no rasto, os partidos reúnem os fiéis em grandes capelas desenhadas para uma sociedade espetáculo.  Só RH Jeremy B Corbyn prega durante 75 minutos. Enfim, no potpourri do Labour Party arvora-se a ideia da escola pública… from cradle to grave. Os Liberal Democrats cinzelam políticas para travar a desigualdade, enquanto o seu capitão afirma aos incrédulos que levará o partido “back to power.” No entretanto, porém, desbarata um dos seus. Os ukippers ganham um antigo Lib-Dem e ex soldado de Her Majesty para o leme, desta feita até com apoio de Mr Nigel Farage. O quarto líder da ala roxa no espaço de um ano é um ilustrissimo desconhecido chamado Henry Bolton. O senhor faz sintético discurso na coroação: hasteia o pendão da Brexit, “which is not the end of the history,” agradece aos team players e eleitores, mais em quem nele não vota. Por seu turno, os Tories arrancam a conferência anual com promessa juvenil de congelar as tuition fees e deles se saberá nos próximos dias. Por hoje, depois de uma ode ao capitalismo feita no Bank of England, basta parabenizar Mrs May pelo 60.º aniversário nas bandas de Manchester-by-sea.

 

Já o Spectator antecipa a saída de Mrs Emma Rice da direção artística do Shakespeare’s Globe. Nas usuais notas semanais, invocando a Thames breeze, Mr Charles Moore resume o desempenho: “The search for novelty in the arts, from which she benefited, is undoubtedly necessary, but it does often produce what Dr Johnson (speaking, in fact, of Cymbeline) called ‘unresisting imbecility’.” A opinião do biógrafo de Lady Thatcher será decerto fatal no palco elizabetheano. Ainda assim, após elencar erro após erro, celestial é a conclusão do grande Samuel Johnson sobre a peça do bardo: “To remark the folly of the fiction, the absurdity of the conduct, the confusion of the names, and manners of different times, and the impossibility of the events in any system of life, were to waste criticism (…), upon faults too evident for detection, and too gross for aggravation.” — Hum. What could then heavenly be said about this one of Master Will in Julius Caesar: — “It is not in the stars to hold our destiny."

 

St James, 2nd October 2017

Very sincerely yours,

V.

LONDON LETTERS

 

The May’s Florence speech, 2017-21

 

As palavras de RH Theresa May MP ainda ecoam nas paredes florentinas de Santa Maria Novella. A Prime Minister vai ao continente e discursa na sede toscana dos Dominicans para apresentar a two-years Brexit transition plan.

Reafirmando a fidelidade Tory ao voto popular no referendo, a estratégia atira a saída do UK da European Union para 2021. Ver-se-á agora como respondem “our friends” em Brussels à flexibilidade do Her Majesty Government. — Chérie! Impossible mission n'est pas français. Brighton recebe a Labour Party Conference e The Economist projeta a imagem de RH Jezza B Corbyn na porta do No. 10, acompanhado pela red bike e o Larry. Os trabalhistas ocupam-se a apurar a implementação do programa For the many, not the few enquanto aforram no eurodebate. — Humm. Eventually, something political is happenning there. Washington sobe a escalada verbal contra o regime norte coreano de Mr Kim Jon Un, por lá coloridamente batizado como The Rocket Man. O Mexico treme. Catalonia luta pelo direito de votar a independência. Germany dá mais quatro anos a Frau Angela Merkel na chancelaria e o Bundestag senta deputados da extrema direita pela primeira vez desde 1945.

 

 

Early sunrise with a blue sky at Great London. A BBC tem material ideativo para criar uma nova série de political amusement sob o título Yes or No, Minister. Será a ambiguidade criativa ditada pela navegação das dificuldades nas euronegociações. No Daily Telegraph de um destes dias, Matt desenhava o conceito a traços de carvão – “We weren’t warned that voting Brexit would mean talking about it for EVER!” Ora, enquanto os ilhéus examinam a notícia de, por “family reasons”, o ator Colin Firth ter optado pelo passaporte italiano e obrigar os fãs de Miss Jane Austen, e do seu Mr Darcy, a revisitar Pride and Prejudice, a senhora de Downing Street enaltece em Florence a “shared history” que vem esculpindo o que é ser europeu.

 

Sabereis os detalhes da estratégia de Mrs May para a saída formal do UK da European Union, a 29th March 2019, no quadro da visão traçada em Lancaster House e agora na prática adiada para os arredores de novas eleições no reino. Adiante, pois, nas tecnicidades diplomáticas do Withdrawal Agreement. Importa antes mencionar a presença no hall-church do Foreign Secretary Boris Johnson e do Chancellor Philip Hammond, protagonistas do Brexit divide no Cabinet. Vale ainda sublinhar o tom de confiança ora dado pela honorável representante de Maidenhead às futuras relações entre London e Brussels, em terra que cruza as medievas fraternidades religiosas e as corporações de artesãos, doando ao mundo ideias, obras e artes que a todos interpelam sobre como é ser humano.

 

Alhures no planeta azul, também os homens e as mulheres da NASA interrogam no ramo espacial das odisseias. Uma missão dos texanos visa extrair amostras do asteroide 101955 Bennu e está a cargo do Goddard Space Flight Centre. É o OSIRIS-Rex, acrónimo para Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security, Regolith Explorer. No elementar do que podemos entender do nasarez, a par do combustível, tanto a partida como a chegada da spacecraft fruem as leis da gravidade. Mr Rich Burns, que gere as operações no Cabo Cañaveral da Florida, assinala que "the encounter with Earth is fundamental to our rendezvous with Bennu." — Well. Keep in mind Master Will and that daughter Miranda in The Tempest: — “How beauteous mankind is! O Brave new world, that has such creatures in't."

 

St James, 25th September 2017

Very sincerely yours,

V.