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Blogue do Centro Nacional de Cultura

Um espaço de encontro e de diálogo, em defesa de uma cultura livre e pluridisciplinar. Estamos certos de que o Centro Nacional de Cultura continuará, como há sete décadas, a dizer que a cultura em Portugal vale a pena!

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A VIDA DOS LIVROS

De 22 a 28 de abril de 2019

 

 

«Notre-Dame de Paris», de Victor Hugo, de 1831-32, foi escrito como um grito de alerta contra a degradação do monumento e o risco da sua destruição. A obra deve ser revisitada quando há dias presenciámos o trágico incêndio.

 

 

SUBLIME E MAJESTOSA
Se a Catedral de Notre-Dame era sublime e majestosa, o jovem Victor Hugo (1802-1885) não podia deixar de se indignar, ao lado do Abbé Gregoire, contra o vandalismo, “perante a degradação e as mutilações de todo o tipo que os homens e a passagem do tempo infligiram a este venerável monumento”. A publicação do romance constituiu o detonador de uma grande campanha, que culminaria em julho de 1845, com a aprovação de uma importante decisão no sentido do restauro e conservação da catedral, cuja concretização se deveu ao arquiteto Eugène Viollet-Le Duc (1814-1879). Victor Hugo escreveu o seu romance quando ainda não tinha trinta anos e foi inspirado por Walter Scott e pelas referências do romantismo. A história concebida pelo romancista situa-se na cidade de Paris, no ano de 1482, e é protagonizada pela própria Catedral e por um enredo centrado em Esmeralda, jovem cigana que dançava na praça fronteira à Catedral de Notre-Dame, no arcediago Claudio Frollo, que se deixa atrair pela beleza da bailarina e em Quasimodo, um homem disforme que vivia na catedral, onde fora abandonado em criança. O arcediago pede a Quasimodo que rapte a jovem, mas Esmeralda é salva por um grupo de soldados, comandado pelo capitão Phoebus de Châteaupers, por quem se deixa envolver amorosamente. Apesar de comprometido com Fleur de Lis, Phoebus fica seduzido pela cigana e marca um encontro para um local recôndito. Claudio Frollo surpreende-os, porém, nesse encontro e mata o capitão, apunhalando-o. Num sórdido processo de chantagem, Esmeralda é acusada de assassinato, mas recusa entregar-se a Frollo, ainda que essa fosse a única forma de escapar à pena capital. No momento terrível da execução, no átrio da catedral, aparece Quasimodo, que também ama a bailarina cigana, tomando-a nos braços e levando-a para dentro do templo, onde estaria protegida, segundo as leis da cidade. Quasimodo passa a noite a cuidar de Esmeralda. Contudo um grupo de amigos de Esmeralda vem libertá-la, forçando a entrada da Catedral. Quasimodo defende sozinho a igreja, com o que dispõe: pedras, barras de ferro, madeira e chumbo derretido. Mas Frollo aproveita-se do tumulto para fugir com Esmeralda, que resiste. Furioso com esta recusa, o arcediago entrega a jovem a uma velha considerada louca, que vivia no "buraco dos ratos". Ao invés de lhe fazer mal, a velha reconhece em Esmeralda a sua própria filha e a poupa-a. Mas esta não consegue desfrutar de uma paz muito longa. Os guardas da cidade encontram-na e encaminham-na novamente para o lugar da execução, na praça da catedral. Do alto da Notre Dame, Quasimodo e Claudio Frollo assistem à execução. Quasimodo, louco de desespero, atira o clérigo do alto da torre e desaparece para sempre. Muito tempo depois, ao ser aberto o ossário de Montfaucon, local onde Esmeralda foi sepultada, foram encontrados dois esqueletos abraçados; um deles, com uma visível deformação...

 

DEFENDER O PATRIMÓNIO CULTURAL
Haveria que preservar o património medieval e daí a escolha da Notre-Dame, sobretudo porque nesse tempo a Catedral estava ameaçada pelo vandalismo e pelos projetos de renovação da cidade. O grande sucesso do livro permitirá lançar a celebridade do seu jovem autor e suscitar a tomada de consciência para a necessidade absoluta do restauro desse património cultural de valor incalculável. Se lermos a literatura desse tempo, fácil é de verificar como Victor Hugo se tornou o grande defensor da Catedral, como coração da cidade de Paris. Michelet disse mesmo que, desejando falar da Notre-Dame, tinha de reconhecer que Victor Hugo definiu uma “marca de leão” para o monumento, a ponto de ninguém mais poder tocar-lhe, já que construiu ao lado da velha catedral uma verdadeira catedral de poesia, “tão firme como os fundamentos da outra, tão alta como as suas torres”. Também Nerval escreveu no incerto ano de 1830: “A Notre-Dame é bem antiga, mas vê-la-emos talvez enterrar Paris, a cidade que a viu nascer”. E imagina as pessoas daqui a mil anos a virem contemplar o monumento, relendo a obra de Hugo. Théophile Gautier (em 1838) em “La Comédie de la Mort” invoca a glória desse lugar que « permite alargar a alma ». E Paul Claudel, em “Ma Conversion” (1913), considera, porém, que Hugo de certo modo tira espiritualidade à Catedral – fazendo dela cenário de um romance cheio de paixões mundanas. Foi na Catedral de Notre-Dame, em lugar que perfeitamente se conhece, que ocorreu a célebre conversão religiosa do poeta, em 25 de dezembro de 1886, com 18 anos, tocado por uma “revelação inefável”. Também Charles Péguy, no célebre poema sobre a Esperança, tão justamente invocado por João Bénard da Costa, enumera os santos padroeiros de Paris esculpidos nos portais da Catedral. Não devendo esquecer-se ainda Louis Aragon, em “Paris 42” e em “Aurélien”, que identifica a Notre-Dame, ela mesma, como “catedral de poesia”.

 

UMA HISTÓRIA CONTRA A INDIFERENÇA
Mas a história da Notre-Dame está cheia de vicissitudes – que começam antes do século XII, quando foi decidido edificá-la, uma vez que está construída num campo com profundas raízes histórico-religiosas, gaulesas, romanas, merovíngias. Sem cuidar duma existência medieval muito rica, lembremo-nos apenas da história recente. Em 1793, em plena Revolução Francesa, vinte oito estátuas representando os reis de Judá, que ornavam a fachada, foram decapitadas. Ainda na Revolução, a Catedral foi fugazmente consagrada como Templo da Razão durante a Convenção, voltando a ter uso religioso no Consulado, após a assinatura em 1801 da Concordata com o Papa Pio VII. Como se vê no célebre quadro de Jacques Louis David, aí tem lugar a sagração de Napoleão como Imperador dos franceses. Mas, sendo um tempo de incertezas, o muito jovem Victor-Hugo em 1825 dirá: “há duas coisas num edifício, o seu uso e a sua beleza: o seu uso pertence ao proprietário; a sua beleza a todos, a vós, a mim, a nós”. E é a partir daqui que empreende uma guerra contra os “demolidores”, que se preparavam para sacrificar essa joia insubstituível. E é neste ponto que Victor-Hugo, à maneira romântica, transforma a Catedral em personagem, tornando-a verdadeiro exemplo de um património comum dos franceses. Com o tempo, viria a ser reconhecida como Património da Humanidade, pela UNESCO – sendo naturalmente Património comum europeu, de acordo com os objetivos da Convenção de Faro do Conselho da Europa sobre o valor do Património Cultural na Sociedade Contemporânea. E o exemplo da Notre-Dame é pioneiro. Na sequência da campanha do jovem Hugo, referência maior do romantismo europeu, Prosper Merimée (1803-1870) é nomeado Inspetor-Geral dos Monumentos Históricos e o arquiteto Eugène Viollet-le-Duc dirige as obras de restauro e reconstrução da Notre-Dame a partir de 1843, durante a monarquia de julho. As orientações do arquiteto não são isentas de crítica, mas assentam num pensamento baseado na necessidade de valorizar o Património Cultural (que entre nós é partilhado por Gerrett e Herculano). Aumenta o número de gárgulas, com exuberância decorativa, nasce o pináculo de madeira coberta de chumbo, que agora ficou destruído – e define-se um novo cânon para a salvaguarda do património. Mas a relação política da França para com a Catedral vai ser ambígua. É certo que a valorização da Notre-Dame se insere no ambicioso plano urbanístico de Haussmann. Napoleão III casa-se na Catedral em 1853 com Eugénia de Montijo, mas a III República vai ignorar o monumento, que apesar de tudo admira, mas de que desconfia ao mesmo tempo. Mesmo a sociedade laica respeita, contudo, o lugar de memória – que lembra as raízes mais profundas e ricas da identidade nacional. O general Charles De Gaulle na célebre jornada de 26 de agosto de 1944, na libertação de Paris, fez celebrar uma cerimónia religiosa na Notre-Dame, na condição de não ser presidida pelo então Cardeal Arcebispo de Paris, Emmanuel Suhard, dadas as suas simpatias colaboracionistas. De Gaulle e Mitterrand terão as suas exéquias na Catedral de Notre-Dame, o que constitui uma exceção. No caso de François Mitterrand, só as cerimónias oficiais aí tiveram lugar, distinguindo as esferas pública e privada. E Françoise Giroud disse: “houve qualquer coisa de extraordinário no facto de o único discurso pronunciado ao longo desses dias de luto ter sido a homília do Cardeal Lustiger, como se a República não tivesse outros meios para honrar os seus grandes mortos senão o de os confiar à Igreja”. Porque decerto pesou o lugar de memória… Notre-Dame está, assim, bem presente na memória de todos – a sua reconstrução constitui um dever de fidelidade à História e à Cultura…  

 

Guilherme d'Oliveira Martins
Oiça aqui as minhas sugestões - Ensaio Geral, Rádio Renascença

CARTAS DE CAMILO MARIA DE SAROLEA

 

Minha Princesa de mim:

 

   Contemplo mistérios nesta hora da manhã nascente, quando o irmão sol se levanta e enche o ar de uma luz de ouro amigo, que envolve os campos, e as coisas todas suas, numa carícia de deslumbre. Vislumbro ao longe, nas barreiras do lado de lá do vale, o fumo de uma queimada... Creio que ainda não estarão autorizadas, mas cada cabeça terá sua sentença... Pouca gente entende que a beleza ou bondade das coisas também nos alertam para a sua e nossa fragilidade e imperfeição. E uma vez mais me ocorre esse conceito augustiniano e tomista de que a prudência é amor sagaz...

 

   Assinei hoje uma petição relativa à necessidade de maior consciência e responsabilidade na prevenção e controlo de fogos que destroem vidas e fazendas. Tê-la-ia certamente redigido de outro modo, não concordarei com todo o seu fraseado, mas entendi que devia subscrevê-la, pela simples razão de que, não culpabilizando ninguém em particular, responsabiliza-nos todos; é um grito de justa indignação - mesmo que abstrata - com que me solidarizo, e é, sobretudo, uma confissão de perplexidade, em que comungo. Fácil será sempre apontar culpas a outros, difícil é mesmo interrogarmo-nos sobre a responsabilidade, isto é, sobre as respostas a dar. A perplexidade, o não saber explicar cabalmente, é o primeiro humilde reconhecimento de que a correção do mal exige também o nosso voluntariado.

 

   O mal é inexplicável, como essa ausência ou silêncio de Deus, que todos já sentimos. Sabes, Princesa de mim, que, por isso mesmo, acredito que a presença de Deus se refaz em nós pelo amor que formos capazes de entregar aos outros. O bom samaritano, esse homem que generosamente socorre a vítima de salteadores, um desgraçado moribundo - que todavia é filho de um povo que ostraciza os samaritanos - ensina-nos que o nosso próximo tanto é o socorrido como o socorrente. Qualquer tragédia não acontece para mutuamente nos afrontarmos, antes talvez suceda para nos levar a pensarsentir que se antes houvesse amor atento, não seria necessária a desgraça : daí concluímos que o caminho fraterno quiçá nos evite novas calamidades...


   O sentimento de culpa ajuda pouco: veja-se o caso de Judas ou, em contraponto, o engano que pode ser o alívio certo preconizado pelos defensores de qualquer secreta confissão auricular. O Deus dos vivos, esse que nos anima, não marca presença no castigo, amanhece no horizonte da nossa vida quando nos chama e pede resposta. A responsabilidade é precisamente essa intenção, inteligência e vontade nossas, de aderir e cooperar no projeto de um mundo melhor. Desde o mais pequenino dos gestos fraternos às grandes construções comunitárias. Na Idade Média, sobretudo a partir do século XIII, quando uma sociedade nova ia emergindo do defeso feudal, a festa do Natal era mais calorosamente celebrada do que a da Páscoa: o mistério da encarnação do Verbo era, logo a partir das semanas do Advento, que o anunciavam, celebrado como o acolhimento do Deus connosco, o Emanuel. O tempo terrestre e humano tornava-se assim sagrado e urgia no apelo à edificação de um mundo novo...

 

   O chamamento à responsabilidade pessoal e coletiva é um convite à alegria partilhada com Deus, que devemos amar acima de tudo, e todos os humanos que amaremos como a nós mesmos... Traduzo-te agora um trecho de Les Mots, do Jean-Paul Sartre, uma narrativa autobiográfica da sua infância: Durante alguns anos mais, cultivei relações públicas com o Todo Poderoso; em privado, deixei de o frequentar. Só por uma vez tive o sentimento de que Ele existia. Tinha brincado com fósforos, e queimado um pequeno tapete; estava a disfarçar o meu disparate quando repentinamente Deus me viu e eu senti o Seu olhar no interior da minha cabeça e sobre as minhas mãos; andei à roda na casa de banho, horrivelmente visível, um alvo vivo. Salvou-me a indignação: fiquei furioso com uma tão grosseira indiscrição, blasfemei, murmurei como o meu avô: «Santo nome de Deus de nome de Deus de nome de Deus!». Ele nunca mais olhou para mim. As palavras a negro são as que, numa edição francesa da Folio, a minha filha Teresa, aos dezassete anos, aluna da Columbia University (New York), sublinhara no texto. E que me recordaram uma estrofe do poema La Conscience, na Légende des Siècles, do Victor Hugo. Traduzo:

 

               Ele disse então: «Quero morar debaixo do chão

               Como homem solitário num sepulcro;

               Nada jamais me verá, nunca verei nada mais.»

               Cavou-se por isso um fosso, e Caim disse: «Ficou bem!» 

               E logo desceu sozinho para debaixo de tão sombria abóbada.

               E quando se sentou na sua cadeira às escuras

               E sobre a sua fronte se fechou o subterrâneo,

               O olho estava no túmulo e olhava para Caim.

 

   Seria o olho do Deus bíblico, quiçá o mesmo que o jovem Sartre expulsou? Esse olhar ferozmente vigilante de Quem está sempre à procura de castigar, como no relato do livro do Génese, em que Deus expulsa do paraíso o primeiro casal humano, o tal que comeu o fruto proibido da árvore do conhecimento do bem e do mal: Depois, Yahvé Deus disse: «Eis que o homem se tornou como um de nós, para conhecer o bem e o mal! Que doravante não estenda mais a mão, não colha também o fruto da árvore da vida, nem o coma, nem viva para sempre!». E Caim, filho de Adão e Eva, concebido já fora do Éden, matará seu irmão Abel. A humana condição inicia assim uma caminhada de perdição. Tiago Voragino, de quem tanto te tenho falado, começa deste modo o prólogo da sua Legenda Aurea: A totalidade do tempo da vida terrestre divide-se em quatro: o tempo da perdição, o da renovação ou do chamamento, o da reconciliação e o da peregrinação. Noutra carta voltarei a esta ideia, a que Jacques Le Goff chamou La Recherche du Temps Sacré. Agora, quero apenas dizer-te que, nessa organização medieva do tempo terrestre pelo ano litúrgico que o sacraliza, a era da renovação culmina com o nascimento de Jesus, esse momento em que Deus vem habitar a nossa condição e toca a reunir todos para obra comum.

 

   Termina aí o tempo da perdição e o temor do Deus castigador. A todos, Cristo diz que sigam o seu caminho e não tornem a pecar. Li hoje, nos jornais, o acórdão do tribunal da relação do Porto que confirma a suspensão da pena dada aos agressores por violência e outros crimes contra uma mulher adúltera, justificando tal decisão, entre outros fundamentos, no seguinte: Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte. Na Bíblia, podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte. [sic]. A memória que guardo da mulher adúltera na narrativa evangélica é a de Jesus surgir entre os que iam apedrejá-la e dizer-lhes: «Quem não pecou que lhe lance a primeira pedra». E, depois de todos se terem retirado, envergonhados e silentes, apenas disse à mulher que fosse em paz e não voltasse a pecar. Não há renovação possível sem limpeza prévia do nosso olhar sobre nós mesmos e os outros.

 

   O exercício da justiça é certamente indispensável ao bom funcionamento de qualquer sociedade. Mas sempre pensossinto, Princesa de mim, que a primeira condição prévia à justeza da justiça a fazer é a limpeza do olhar do juiz, a inexistência de preconceito. A segunda será a benevolência, no sentido de querer bem, isto é, de criar condições para que, ao tempo da perdição suceda o da renovação e da reconciliação. Para todos nos encontrarmos construtivamente cooperantes no tempo da peregrinação, que é, afinal, o da vida terrestre da nossa condição humana. Quiçá Yahvé/Deus nos tenha impedido de conhecer logo a diferença entre o bem e o mal, talvez por isso mesmo sejamos livres. Mas quando Deus se arrependeu da nossa liberdade, entregou-nos o seu filho único, para que essa liberdade fosse ainda maior: porque só o amor, que é querer bem, pode vencer a injustiça, que é querer mal. Pela nossa condição humana, somos sempre cúmplices, quer no bem, quer no mal. Por isso, qualquer sanção necessária a evitar males maiores nunca pode ser uma condenação definitiva (como a pena de morte), mas sim, seja qual for o castigo imposto, uma provação que leve o infrator a encontrar a sua responsabilidade. Não tenho, Princesa, muitas ilusões sobre sistemas prisionais que entregam a defesa dos réus a juristas ainda principiantes, sem mais apoios - por ser "mais barato" ou simples estágio - nem disponibilizam o acompanhamento clínico exigido em casos de reincidência ou simplesmente desadaptação ou desafio social. Num tempo em que tantos infelizes fatores impelem muitas pessoas a assumirem atitudes e comportamentos exibicionistas, agressivos, por mimetismo do que lhes é dado ouvir e ver... 

 

... e entusiasmos facciosos, clubistas ou partidários, as levam a gritar indignações e pedir vindictas... o exercício da justiça social deve ser, cada vez mais o da prudência no juízo - o tal amor sagaz - e o da inteligência que desvenda a repetição banalizadora de acusações, a promoção de bodes expiatórios, a indignação epidérmica, como sinais certos dos demónios disfarçados que nos espreitam. 

 

Camilo Maria 


Camilo Martins de Oliveira