TEMPO DE FÉRIAS…

Praia das Maçãs, de José Malhoa
O CNC reserva para os seus amigos e sócios neste verão de 2014, em que iniciamos as celebrações dos nossos 70 anos, um conjunto de textos e imagens nos quais se recorda a produção artística, em especial portuguesa, ligada aos tempos estivais. Publicaremos uma ilustração e um breve comentário, correspondendo às múltiplas solicitações que temos tido. Hoje, para começar a série, invocamos um dos quadros mais célebres sobre o tema. Da autoria de José Malhoa, apresentamos a Praia das Maçãs de outrora, mas podia ser nos dias de hoje. Trata-se de uma amena conversa, à beira-mar. É o mar e o lirismo português que aqui se encontram. O quadro pintado sobre madeira é do Museu Nacional de Arte Contemporânea, o nosso Museu do Chiado, e é datado de 1918. O tempo é aparentemente plácido e sereno, mas em toda a Europa é de guerra, que só terminará no armistício de novembro. Voltaremos, aliás, ao tema, mas hoje fica sobretudo a recordação da beleza da Praia das Maçãs e da costa portuguesa. Sophia poderia dizer: «Há muito que deixei aquela praia / De grandes areais e grandes vagas / Mas sou eu ainda que na brisa respiro / E é por mim que espera cintilando a maré vasa…». Tudo aí está! E uma curiosidade. Sabem que o Rio das Maçãs ou de Colares nasce no Lourel e é alimentado pelos ribeiros Almagre, Morelinho, Nafarros, Mucifal, Mata, Valente e Janas?… Lembro-me como hoje o tilintar da campainha do elétrico, quando ele era a única maneira de chegar à praia, com o pic-nic em malas de verga.
Guilherme d'Oliveira Martins